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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Líder mundial, base do Benfica usa 'ginga' brasileira para formar jogadores Thiago Arantes Colunista do UOL, em Lisboa 12/06/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Joaquim Milheiro, diretor da Benfica Academy: futebol brasileiro como referência Imagem: Felipe Rocha Quando Joaquim Milheiro fala sobre a formação de jogadores no Benfica, uma palavra brasileira surge naturalmente na conversa: ginga. Diretor da Benfica Academy, considerada por rankings especializados a melhor categoria de base do mundo, ele é um dos responsáveis pelo modelo que ajudou a transformar Portugal em uma potência na produção de talentos — mesmo sendo um país com apenas 10 milhões de habitantes, menos que a cidade de São Paulo. Para Milheiro, parte desse sucesso passa justamente por características historicamente associadas ao futebol brasileiro: criatividade, improviso, liberdade para jogar e a capacidade de encontrar soluções fora do roteiro. Em um ambiente cada vez mais dominado por dados, metodologias e processos, o Benfica tenta preservar algo que, segundo ele, continua sendo fundamental para a formação de grandes jogadores. Thiago Arantes Copa começou com 2 jogos ruins. E será assim mesmo José Fucs A narrativa de que Trump ameaça o Pix não é real Daniela Lima Alcolumbre sinaliza destravar análise da 6x1 Aline Sordili Anthropic monta rede de distribuição para o Claude "Muitas vezes dizemos que Portugal é o Brasil da Europa", afirmou ao UOL . A entrevista é parte do terceiro episódio da série "Fábrica de Talentos" . A frase de Milheiro resume uma filosofia que ajudou o Benfica a revelar jogadores como Bernardo Silva, Rúben Dias, João Neves, Gonçalo Ramos e até o goleiro brasileiro Éderson, além de abastecer constantemente as seleções portuguesas -- o clube foi a base do título mundial sub-17, no ano passado. Para o dirigente, o desafio está em equilibrar método e criatividade: criar uma estrutura capaz de desenvolver o talento sem sufocar a espontaneidade que faz um jogador ser diferente. A seguir, os principais trechos da entrevista. UOL: O que faz o Benfica ser considerado o melhor clube formador do mundo? Joaquim Milheiro: É um reconhecimento que nos orgulha, mas também nos traz responsabilidade. O Benfica funciona como um grande ecossistema, onde tudo está alinhado: identificação de talento, metodologia, formação e desenvolvimento. Mas o principal continua sendo o talento do jogador português. UOL: Existe uma forma específica de jogar que o Benfica procura ensinar? Continua após a publicidade Milheiro: Sim. Chamamos isso de "Formar à Benfica". Temos uma identidade de jogo muito clara e processos bem definidos para desenvolver o talento dos jogadores. UOL: Como você definiria esse estilo? Milheiro: É um jogo criativo, intenso, inteligente e atraente. Queremos equipes ofensivas, sempre com a baliza na cabeça. Muitas vezes falamos da beleza do passe, da leveza da condução e da beleza do drible. Esse lado estético do futebol é muito importante para nós. UOL: E sem a bola? Milheiro: Quando perdemos a posse, queremos ser agressivos. Dar um passo à frente para recuperar rapidamente a bola e voltar a controlar o jogo. UOL: Como Portugal consegue produzir tantos jogadores de alto nível com uma população tão pequena? Continua após a publicidade Milheiro: A grande mudança foi deixarmos de pensar apenas em equipe e passarmos a pensar em plantel. Antes tínhamos 11 ou 12 jogadores de alto nível. Hoje temos 26. E mais 26 que ficaram de fora e que também podem ajudar a seleção. UOL: O futebol brasileiro influenciou essa forma de pensar o jogo? Milheiro: Portugal e Brasil sempre estiveram conectados. Temos muitas semelhanças na forma de olhar para o futebol. Muitas vezes dizemos que Portugal é o Brasil da Europa. UOL: Em que sentido? Milheiro: Pela criatividade, pela magia, pela capacidade de fazer coisas fora da caixa. Há uma palavra que vocês usam muito e que nós também cultivamos: a ginga. UOL: O que significa essa ginga dentro da formação do Benfica? Continua após a publicidade Milheiro: Tem a ver com fluidez e movimento natural. Nas primeiras etapas de formação olhamos muito para o futebol de rua. Gostamos de ver o jogador jogar livremente, escolher, errar, experimentar e encontrar soluções. UOL: Isso ainda é possível em um futebol cada vez mais tático? Milheiro: É fundamental. Costumamos dizer que o cérebro é o músculo mais importante do futebol. Queremos desenvolver jogadores capazes de pensar, decidir e criar. UOL: E qual é o objetivo final desse processo? Milheiro: Formar grandes jogadores, mas também grandes homens. Queremos que o futebol seja uma escola de virtudes e de vida. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Defesa de Monique deixa caso Henry Borel em meio a disputa sobre perdão TCU contraria STF e cria novo penduricalho para servidores da cúpula Copa começa nos EUA sem ICE nos estádios, mas com drones e scanner corporal Menino de 11 anos morre após suspeita de envenenamento com bolo no RJ A narrativa de que Trump ameaça o Pix não resiste à realidade