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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Torcedores cheio de ódio expulsam crianças e famílias dos estádios Walter Casagrande Jr. Do UOL, em São Paulo 31/08/2026 11h38 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Família de criança hostilizada por torcedores do Corinthians sai da Neo Química Arena escoltada Imagem: Reprodução/Instagram/@feoliveira_pro Ontem, em Itaquera, vimos em ação um grupo de terroristas psicológicos. Exatamente isso. Aqueles "caras" que se manifestaram agressivamente contra a família do garoto de 8 anos que ganhou gentilmente a camisa do Neymar não são torcedores, e sim "terroristas psicológicos". Quanta ignorância, falta de respeito, de noção, de civilidade aqueles "trogloditas" lotados de ódio demonstraram num estádio de futebol. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Existem jogadores que são ídolos em todos os lugares e de garotos que torcem para diversos times. Isso, em outras épocas, era supernormal no futebol brasileiro, mas hoje tudo é motivo para tocar o terror. Eu cresci numa época em que a gente poderia ter ídolos de rivais sem problemas. Nasci corintiano e já falei 1 milhão de vezes que meu ídolo máximo é o Rivellino. Mas sou fã do saudoso Leivinha, do César, Roberto Dinamite, Roberto Miranda, saudoso Palhinha, Paulo César Caju, Edu, do Santos, Clodoaldo, Reinaldo, Zico, Gérson, entre outros, e, obviamente, de Pelé. Idolatro todos os tricampeões de 1970 no México. E quando era pequeno e ia com meu pai e um amigo jogar bola no clube, na hora que eu fazia gol saia gritando "CESARRRRRR" Continua após a publicidade Mas, naquela época, era praticamente impossível pedir uma camisa num estádio de futebol pela distância, a não ser se o torcedor ficasse colado na grade do Pacaembu ou do Parque São Jorge. Mas hoje existe essa proximidade e a possibilidade de escrever um cartaz pedindo a camisa para seu ídolo, e foi o que o garoto fez. "Amo o Corinthians, mas sou fã do Neymar. Me dê sua camisa!" O Neymar carinhosamente lhe deu a camisa, e aí esses terroristas psicológicos entraram em ação, e o garoto, junto com seu pai e sua mãe, teve de sair escoltado. Imaginem esses "machos de estádio" chegando em casa frustrados e carregados de ódio. Como tratam suas esposas e seus filhos? Esse tipo de torcedor precisa ser identificado e proibido de entrar nos estádios, porque não é capaz de estar em um evento esportivo. Continua após a publicidade Se a polícia não tivesse agido, provavelmente o pai e a mãe do garoto teriam sido agredidos, e os torcedores tomariam a camisa do menino para queimá-la como demonstração de força e macheza. Na verdade, trata-se de uma demonstração de ignorância e estupidez. Tenho três filhos e nunca falei de futebol como torcedor em casa. Quando ia para Copas ou Olimpíadas, só comprava camisas de seleções para eles. Jogava botão e futebol com eles no clube, como meu pai fazia comigo, mas nunca disse em qual time deveriam torcer, qual religião deveriam seguir e muito menos qual lado político deveriam apoiar. Pois bem, eles viraram torcedores de acordo com o desejo deles. Continua após a publicidade Meu filho mais velho, Victor Hugo, nem é tão chegado a futebol. Nasceu em 1986 e cresceu até os 7 anos na Itália. Quando voltamos, em 1993, os times do momento eram Palmeiras e São Paulo, e ele virou palmeirense. Inclusive entrou como mascote numa partida entre Palmeiras e River Plate pela Libertadores. O Ugo Leonardo nasceu na Itália e torce para a Juventus e o São Paulo. O Symon, que também nasceu na Itália, é torcedor da Roma e do Santos. Meu pai tentou fazer o Symon virar corintiano, e fui eu que disse assim: "Symon, para qual time você torce?" Continua após a publicidade Ele me respondeu: "Eu gosto do Santos, mas o vovô fica me falando para eu ser corintiano." Aí disse a ele: "Então você é santista, Symon, e não ligue para o vovô!" Um menino torcedor tem que ir ao estádio e se sentir seguro para expor seus sentimentos, como o garoto da NeoQuímica Arena. Ele torceu pelo Corinthians e queria a camisa do Neymar desde o início do jogo. Continua após a publicidade O Corinthians poderia ter vencido, mas ele pediria a camisa do Neymar do mesmo jeito. Esses grandalhões ignorantes, frustrados e raivosos deveriam ter vaiado e cobrado os jogadores, o Diniz e a diretoria, em vez de destilarem seu ódio na família do garoto. O Sport Club Corinthians Paulista precisa identificar esses caras e proibi-los de entrar no estádio, senão nunca mudará o comportamento desses falsos torcedores. Outra coisa: No jogo de ontem, algum corintiano gostaria de ter a camisa de um daqueles que entraram em campo para jogar contra o Santos? O garoto estava com o cartaz desde o início da partida, e seu desejo aumentou pelo desempenho do Neymar, que deitou naquele 'bando' que era o time do Corinthians. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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