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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Para a FIFA, os norte-americanos podem tudo, até ser expulso e jogar Walter Casagrande Jr. e UOL Do UOL, em São Paulo 05/07/2026 15h31 Atualizada em 05/07/2026 15h38 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Folarin Balogun é expulso pelo árbitro brasileiro Raphael Claus em EUA x Bósnia Imagem: CHARLOTTE WILSON / GETTY IMAGES VIA AFP Dá para levar Gianni Infantino a sério? Uma pergunta fácil de responder, só pelo fato de ele ser totalmente subordinado aos caprichos do presidente americano, Donald Trump, verdadeiro dono desta Copa do Mundo. Não contente em inventar um prêmio da Fifa como se fosse um Nobel da Paz e entregá-lo a uma pessoa que não respeita a soberania de país algum, agora tira o cartão vermelho de um jogador da seleção americana . A Fifa anulou a expulsão do principal atacante americano na Copa, Folarin Balogun, após ele ter recebido o cartão vermelho contra a Bósnia-Herzegovina, na fase de 16 avos. PVC Estádio de Brasil x Noruega é o pior da Copa Luciana Bugni Valorizam a experiência de Vozinha. Mas e a sua? Julio Gomes Final França x Argentina já não é tão inevitável assim Michelle Prazeres Por que valorizamos mais remédios do que descanso Quantos jogadores foram expulsos nesta Copa pelo mesmo motivo e nada mudou? Mas, para o jogador americano, vem esse enorme privilégio. "Cartão suspenso por período probatório de um ano." Calma! Caso haja reincidência do jogador nesse prazo de um ano, a sanção será reativada. Assine UOL e ganhe acesso a conteúdos exclusivos + uma camiseta da loja de UOL Esporte para torcer na Copa. "Ah bom, então tá, senhora Fifa!" A maior prejudicada nesta história é a seleção belga, que enfrentará a seleção americana nas oitavas de final e terá pela frente um jogador que foi expulso em campo no jogo anterior. Alguém tem dúvida de que a Fifa fará qualquer coisa para que os Estados Unidos cheguem à final da Copa de 2026? Continua após a publicidade Fazer dos EUA os grandes campeões será muito difícil, porque seleções como França, Argentina, Marrocos, Brasil, Espanha, Portugal, Inglaterra, México e Noruega são melhores — e talvez qualquer ajuda fique muito evidente. Mas, para quem teve a audácia de entregar um prêmio pela paz falso só para alimentar o ego de um presidente preconceituoso, é possível fazer qualquer coisa para agradá-lo. A Fifa faz o que bem entende com o futebol mundial — ou talvez sempre tenha feito —, mas, em pleno século 21, dar uma carteirada para o mundo todo ver, com uma justificativa forçada para favorecer a seleção americana, é colocar em dúvida a legalidade desta Copa. A Fifa e seu presidente, Gianni Infantino, aceitaram que os Estados Unidos barrassem o árbitro da Somália , aceitaram que a seleção do Irã jogasse em território americano, mas que os jogadores fossem dormir em outro país, aceitaram atletas investigados — incluindo um que será julgado por estupro — e agora simplesmente anulam a punição de expulsão de um jogador da seleção de Donald Trump. E se a Bélgica eliminar os Estados Unidos? Ou melhor, e se os Estados Unidos não chegarem nem à semifinal, o que irá acontecer? Continua após a publicidade Dá para começar a desconfiar das recomendações da Fifa para a arbitragem em jogos da seleção americana. O cartão vermelho só valerá para o adversário? Entrada por cima para os americanos pode, mas para o adversário será expulsão? A Fifa tomou uma decisão que escancara todas as suas intenções antidesportivas nesta Copa. Em 1962, Garrincha foi expulso na semifinal da Copa do Mundo do Chile contra a própria seleção chilena, porque revidou diversas agressões sofridas durante a partida com um pontapé no jogador Rojas. Devido a uma manobra política e de bastidores, a Fifa o absolveu , e ele pôde enfrentar a Tchecoslováquia na grande final. Continua após a publicidade Vale esclarecer que, naquela época, ainda não existiam cartões amarelos e vermelhos, e o futebol era totalmente romântico. Para o público e para o espetáculo, a presença de Garrincha era imprescindível, já que Pelé estava machucado havia algumas partidas. Também não estava certo, mas, em 1962, nem transmissão televisiva ao vivo havia e, obviamente, não existia visibilidade nem interação alguma entre os países; portanto, esse fato passou quase despercebido. Mas, em 2026, com tudo sendo mostrado e regras de expulsão bem claras — principalmente a do pisão ou de atingir o adversário por cima —, agir dessa forma derruba a credibilidade da competição, que já não era grande coisa. A decisão abriu um precedente perigoso para a Copa, porque a Fifa, de agora em diante, terá de agir da mesma forma com outras expulsões semelhantes, independentemente de qual seja a seleção. A Fifa não pensa no futebol, mas em agradar ao 'dono do mundo'. Continua após a publicidade O presidente Donald Trump elogiou a Fifa , por ter tirado o cartão vermelho de Balogun. Tá bom! Vocês fingem honestidade, e a gente finge que acredita. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. 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