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Só para assinantes Assine UOL Opinião Deita e rola Juca Kfouri Colunista do UOL 30/05/2026 11h50 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× POR LUIZ GUILHERME PIVA Já meio zonzo na estrada de terra, ele parou na vendinha para perguntar o caminho para a chácara alugada em que se isolaria uns dias. O atendente, debruçado no balcão, como se dormisse, só levantou um olho. Antes de pedir a informação, comprou uma água, que foi beber na porta. Dali ele viu o campinho. Que era só um terreiro, com buracos, capim ralo, bosta de vaca e até um resto de brita, que os moleques, magros, amarelos, descalços, nem sentiam nas solas. Viu que era uma pelada. Mas era diferente. Um pegava a bola (velha, murcha, imunda) e os adversários, em vez de o marcarem, cercarem, tentarem impedir seu avanço e seu chute, se afastavam. O que estava com a bola é que ia para cima de algum deles. Um cabra-cega de olhos abertos. O da bola perseguindo os marcadores, que fugiam dele, mas não saíam do campinho. Mais estranho: o que tinha a bola não chutava para o gol, que eram dois chinelos no chão sem ninguém protegendo. Só rodopiava tentando encontrar alguém do outro time. Ele chegou perto para ver. Parou bem ao lado. E viu. Quando o menino com a bola conseguiu cercar um adversário, trombou de leve com ele e caiu com as duas mãos no rosto, rolando no chão como se tivesse levado um soco. - Falta! - um gritou. Aí o que estava no chão se levantou. O beque com quem houve a trombada foi expulso. Então bateram a falta direto entre os chinelos e saíram gritando e comemorando o gol. Várias e várias vezes a mesma coisa. A marcação invertida, a trombada leve, a queda com as mãos no rosto, a rolada no chão, a falta, o beque expulso e o gol do outro time. Mais de uma hora ali. Só acabou quando um dos times ficou sem ninguém. Sempre em função do mesmo lance. A mesma cena. O time vencedor aclamou o menino que mais vezes trombou e caiu com as mãos no rosto. O herói da goleada. Ele chamou os meninos e perguntou que jogo era aquele. - Futebol, tio. Não conhece? - Futebol? Os meninos riram. - Tio, o senhor não tem televisão, não? Nunca assistiu nenhum jogo? E saíram zoando. Já estava quase escuro. Ele olhou para trás e a vendinha estava fechada. Teve que pegar o carro e tentar achar sozinho o caminho. Não sei se conseguiu. __________________________________ Luiz Guilherme Piva publicou "Eram todos camisa dez" e "A vida pela bola" - ambos pela Editora Iluminuras A Hora Eleitorado muda e abre mercado 'órfão' para direita Sakamoto Lula quer Messias; mulher negra seria a salvação Rodrigo Ratier Você tem o necessário para ser criativo no trabalho? Paulo Camargo O chefe que me ensinou tudo. Pelo avesso Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Juca Kfouri por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Jogo do Flamengo hoje (30) pelo Brasileirão: que horas começa e onde assistir Magalhães perde pênalti decisivo, PSG bate Arsenal e fatura bi da Champions Governo de São Paulo investiga caso suspeito de ebola em paciente Transmissão ao vivo de Flamengo x Coritiba pelo Brasileirão: veja onde assistir 'Mamãe não é boa': pai diz que Henry Borel hesitou em voltar com a mãe