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Futebol Brasileirão tem recorde de estrangeiras: 'Referência na América do Sul' Guilherme Padin Do UOL, em São Paulo 29/08/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Trocar o país natal por um clube brasileiro tornou-se uma escolha cada vez mais comum entre jogadoras sul-americanas de futebol. Paraguaias, uruguaias, colombianas e argentinas atravessam fronteiras não apenas em busca de projeção esportiva, mas de um objetivo mais básico: estrutura para se trabalhar, condições salariais para apoiar suas famílias e calendários mais completos. Enquanto a modalidade avança mais devagar em boa parte da América do Sul, o Brasil — apesar das limitações — desponta como o destino mais viável do continente. Em 2026, o Brasileirão bateu o recorde de jogadoras estrangeiras: são 47, segundo levantamento da CBF feito a pedido do UOL . Se multiplicam os exemplos como os das argentinas Sole Jaimes, que fez carreira na Europa e na China, e já defendeu seis clubes do Brasil, onde está há quatro anos, e Paulina Gramaglia, que jogou pelo Bragantino no ano passado e, vice-artilheira do Brasileirão, se transferiu para o Tenerife, do Campeonato Espanhol. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Os casos das duas atacantes sustentam a percepção de um país mais estruturado para a modalidade que os países vizinhos, seja por ser um local viável para construir carreira ou um trampolim para se transferir a ligas mais consolidadas, como Paulina. Projetos mais consistentes, investimentos crescentes de clubes grandes e calendários organizados e mais cheios que os países vizinhos criam um contraste que pesa para as atletas decidirem seus destinos para a carreira, como avaliam as profissionais ouvidas pela reportagem. "Referência sul-americana": o que diz quem vive a modalidade A diferença de calendários é um dos argumentos recorrentes entre quem vive o dia a dia do futebol feminino na região - além, é claro, do aspecto financeiro. Ao UOL , a experiente treinadora Tatiele Silveira, do Colo-Colo, do Chile, e mais três atletas falaram sobre o que move cada vez mais estrangeiras ao Brasil. Enquanto boa parte dos países sul-americanos ainda organiza suas competições de forma incipiente, o Brasil oferece um volume de jogos sensivelmente maior: são três competições nacionais, os estaduais e a Libertadores, o que se traduz em mais tempo atuando e mais exposição. Para Tatiele Silveira, a robustez de calendário é o que falta aos vizinhos: "Mais jogos significam mais tempo de prática, experiência e exposição em alto nível. Esse é um dos pontos que ainda precisamos desenvolver em outros países da América do Sul: ampliar o calendário e criar mais oportunidades para que as atletas possam competir e evoluir." Continua após a publicidade Futebol 1/3 Do lado de quem migrou, a visão de Tatiele se repete: a atacante argentina Sole Jaimes, que passou pela Europa, pela China e já defendeu seis clubes brasileiros, relata ter escolhido o país para o crescimento esportivo e melhorar a condição financeira e ajudar a família. A atacante resume o cálculo que levou tantas colegas sul-americanas a mudarem de país. Mais que visibilidade, pesa a possibilidade de viver do futebol e sustentar a família — algo que, segundo ela, o Brasileirão entrega com uma consistência que a Argentina, por exemplo, não tem: "Muitas meninas da América do Sul têm como objetivo jogar no Brasil, pelas estruturas e os salários disponíveis aqui. No Brasil, as meninas podem jogar, viver bem e cuidar de suas famílias." A colombiana Gisela Robledo, do Corinthians, descreve o Brasileirão como a referência do continente — não por acaso, ela cita a força específica das jogadoras colombianas, que buscam aqui um ambiente mais competitivo para desenvolver o talento que, muitas vezes, não encontra as mesmas condições em casa: "Para mim, o futebol brasileiro é o melhor da América. A liga é muito boa e competitiva. Em cada competição internacional se demonstra que o Brasil é uma potência mundial." Do outro lado está quem recebe essas atletas como colegas em campo. Para a lateral Tamires, do Corinthians, a chegada de estrangeiras não é só consequência do poder financeiro dos clubes brasileiros, mas também um fator que retroalimenta o próprio crescimento da liga nacional: Continua após a publicidade "A gente tem uma estrutura melhor. É muito importante para fazer com que esse ecossistema funcione ainda mais. As meninas (estrangeiras) são excelentes, nos seus países infelizmente não são tão valorizadas e têm agregado aqui, fazem com que nossa liga cresça." Para a lateral, que chegou ao Alvinegro em 2019 e disputou todas as edições da Libertadores desde então, é nítida a diferença para os vizinhos sul-americanos. "É algo que precisamos começar a debater: o que a Conmebol pode fazer a respeito, para que a Libertadores mude e seja melhor organizada e mais valorizada. Para que a gente tenha esse crescimento também em outros países, na América do Sul como um todo", avalia. Calendário completo e com mais jogos Se postas em comparação as agendas dos principais times sul-americanos em 2025 - ou seja, os campeões nacionais que disputaram a última Libertadores -, o calendário brasileiro é muito mais recheado que o dos vizinhos. Entre Brasileirão, Paulistão, Copa do Brasil e o torneio continental, Corinthians e Ferroviária fizeram 55 e 44 jogos, respectivamente. Estar em quatro competições simultaneamente - cinco no caso das alvinegras, já que disputaram a primeira edição do Mundial - colabora para que as equipes tenham agenda de fevereiro a novembro - ou até dezembro, em alguns casos. Os times de outros países que disputaram a Libertadores de 2025 tiveram uma quantidade de partidas consideravelmente menor, e apenas por duas competições: Colo-Colo (37), Deportivo Cali-COL (32), Boca Juniors-ARG (31), Independiente Del Valle-EQU (30), Independiente Santa Fe-COL (29), Libertad-PAR (26) e Nacional-PAR (20). Continua após a publicidade Para se ter uma ideia, Santos e Vasco da Gama, que disputaram a segunda divisão nacional no ano passado, fizeram 32 e 26 jogos, respectivamente, mais que boa parte das principais equipes dos países vizinhos. "Apesar do atraso histórico que conhecemos, o futebol feminino brasileiro se desenvolveu de forma mais acelerada que o de outros países da América do Sul. Os grandes clubes entenderam que o futebol feminino é um produto com potencial próprio e que, com projetos estruturados e investimentos consistentes, pode ser competitivo, rentável e sustentável." Tatiele Silveira, treinadora do Colo-Colo Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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