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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Com Luis de la Fuente, Espanha funciona como um clube. E dá muito certo Thiago Arantes Colunista do UOL, em Barcelona 15/07/2026 05h39 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× De la Fuente, durante partida entre Espanha e França na Copa do Mundo 2026 Imagem: Sebastian Frej/Getty Images Quando Luis de la Fuente assumiu o cargo de treinador da seleção espanhola, em dezembro de 2022, ele carregava um sobrenome que parecia diminuí-lo: " él de la sub-20 ". Desconhecido para boa parte do público e até de parte da imprensa esportiva, ele precisava ser identificado como o antigo treinador das categorias inferiores. Um funcionário com quase uma década de serviços prestados à Federação Espanhola (RFEF), que havia passado por praticamente todos os degraus da formação de jogadores. Luis de la Fuente, " él de la sub-20 ", substituía Luis Enrique: ex-jogador de Copa do Mundo, campeão da Champions League com o Barcelona, expansivo e fenômeno das lives da Twitch durante o Mundial de 2022. José Fucs O 'choque de gestão' proposto a Flávio Bolsonaro Sakamoto Senado ignora apelo pelo fim da 6x1 e vai descansar Marco Antonio Sabino Há sindicatos que envergonham os sindicatos Tony Marlon Rio acerta com proibição de anúncio de bets Eram dois perfis completamente diferentes. E duas formas distintas de enxergar uma seleção. Enquanto Luis Enrique montava a equipe a partir do momento vivido pelos jogadores em seus clubes (como é lógico em uma seleção), De la Fuente conhecia boa parte daquele elenco muito antes do futebol profissional. Não porque os observava de longe, mas porque havia treinado muitos deles. E a relação de confiança com os jogadores passou a ter influência direta nas convocações. Oito dos convocados para esta Copa do Mundo estiveram com ele na campanha da medalha de prata olímpica em Tóquio, em 2021, quando a Espanha perdeu a final para o Brasil: Unai Simón, Eric García, Marc Cucurella, Mikel Merino, Martín Zubimendi, Pedri, Mikel Oyarzabal e Dani Olmo. Rodri celebra classificação da Espanha à final da Copa Imagem: FLORENCIA TAN JUN/Getty Images via AFP A relação, porém, é ainda mais antiga. Em 2015, De la Fuente conquistou o Europeu sub-19 com Unai Simón, Rodri e Mikel Merino. Quatro anos depois, repetiu o feito na mesma categoria com Ferran Torres e Eric García entre os destaques. Isso faz do treinador espanhol um caso raro entre as grandes seleções. Ele acompanhou o desenvolvimento de muitos dos seus jogadores durante quase uma década, conversou com eles quando ainda eram adolescentes e conhece suas características muito antes de se tornarem protagonistas no futebol mundial. Continua após a publicidade Nesse sentido, a Espanha funciona menos como uma seleção e mais como um clube. Nos grandes clubes do mundo, quando há estabilidade no comando, o treinador conhece profundamente seus jogadores, mantém uma espinha dorsal por anos e confia neles mesmo durante períodos de baixa. Além disso, existe uma identidade de jogo que atravessa todas as categorias, da base ao profissional. A Espanha de Luis de la Fuente é assim. A seleção mantém um modelo de jogo transversal desde as categorias inferiores, permitindo que os atletas cresçam dentro dos mesmos princípios e cheguem à equipe principal sabendo exatamente o que se espera deles. Essa continuidade também cria um ambiente de confiança. Desde que sofreu uma grave lesão no joelho, em setembro de 2024, Rodri ainda não havia retomado o melhor nível pelo Manchester City. Mesmo assim, sabia que seu espaço na seleção estava preservado. Alex Baena também viveu uma temporada muito abaixo da expectativa no Atlético de Madrid. Em outra seleção — ou mesmo na Espanha de Luis Enrique — provavelmente teria perdido espaço. Com De la Fuente, foi não apenas convocado para a Copa do Mundo como ganhou vaga entre os titulares. Pedro Porro e Lamine Yamal comemoram gol da Espanha contra a França na semifinal da Copa do Mundo Imagem: MAURO PIMENTEL / AFP Até quem não passou pelas categorias de base se beneficia dessa lógica. Lamine Yamal saltou praticamente todas as etapas e estreou diretamente na seleção principal. A convocação foi uma aposta pessoal do treinador. "Quem passou uma década vendo jovens talentosos sabe na hora quando um jogador está pronto", afirmou ao UOL um funcionário da Federação Espanhola. Continua após a publicidade Outro exemplo é Gavi. Depois de um ciclo marcado por lesões graves e poucos jogos, parecia improvável que chegasse à Copa do Mundo. De la Fuente nunca deixou de confiar nele. O meio-campista começou o torneio como titular e, mesmo após perder espaço ao longo da competição, continua sendo tratado como uma peça importante dentro do grupo. Há ainda outro aspecto que ajuda a explicar o ambiente criado pelo treinador. Luis de la Fuente não construiu sua carreira vinculado ao Real Madrid ou ao Barcelona. Assim, conduz a seleção sem carregar a pressão histórica que costuma dividir o futebol espanhol entre os dois gigantes. Na convocação para esta Copa, por exemplo, o Real Madrid não teve um único representante. Há uma espinha dorsal construída ao longo dos anos, um modelo de jogo comum a todas as categorias, confiança entre treinador e jogadores e espaço para que novos talentos sejam incorporados naturalmente ao elenco principal. É mais clube e menos seleção. Em 2024, essa estrutura levou a Espanha ao título da Eurocopa. Dois anos depois, ela recoloca a seleção na final da Copa do Mundo. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Genial/Quaest: Aprovação do governo Lula supera numericamente desaprovação Por que a F1 não se importa em dividir o domingo com a final da Copa? O efeito colateral da CazéTV que a Globo não calculou Rodri bate recorde na Copa, e Yamal vai superar marca de Mbappé na final 7 jogadores da Copa que estão desempregados para seu time contratar