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Futebol Complô e acusações de racismo: como redes sociais elegeram a Argentina vilã Danilo Lavieri , Guilherme Padin e Luiza Oliveira Do UOL, em Atlanta (EUA) e em São Paulo 15/07/2026 12h00 Deixe seu comentário Argentina tem rendido polêmicas nas redes sociais por aí Imagem: Agustin Marcarian/Reuters Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A Argentina chega à semifinal da Copa do Mundo para enfrentar a Inglaterra com uma das grandes histórias do torneio. Vitórias de virada conquistadas de forma épica e com Lionel Messi como protagonista. Ao mesmo tempo, a seleção se tornou uma espécie de vilã, ao menos nas redes sociais, herdando o posto dos Estados Unidos após o caso Balogun. As acusações de que a Argentina tem sido favorecida pela arbitragem foram ganhando força ao longo do torneio. Os rumores explodiram no duelo contra o Egito quando o gol de Ziko foi anulado por falta em Lisandro Martínez no início da jogada. Outros lances também geraram reclamação como o pênalti em Tagliafico, em que Messi perdeu a cobrança, e um suposto pênalti não marcado em Salah. Para quem acredita em tal tese, outros jogos também deixaram dúvidas . Houve quem reclamasse da expulsão de Embolo no duelo entre Argentina e Suíça. Em uma dividida com Leandro Paredes, o argentino levou cartão amarelo. Porém, o atleta havia sido punido de forma errada, já que se tratava de uma simulação por parte do suíço. José Fucs O 'choque de gestão' proposto a Flávio Bolsonaro Sakamoto Senado ignora apelo pelo fim da 6x1 e vai descansar Marco Antonio Sabino Há sindicatos que envergonham os sindicatos Tony Marlon Rio acerta com proibição de anúncio de bets Aplicando uma nova regra da Fifa, o árbitro de vídeo acionou o árbitro de campo por erro de identidade. Desta forma, quem levou cartão foi Embolo que já tinha um amarelo e, por isso, foi expulso. A repercussão sobre um suposto favorecimento tem sido tão grande que o jornal inglês Daily Mail ironizou a escolha do árbitro que vai apitar a semifinal. O norte-americano Ismail Elfath foi o escolhido. A reportagem diz que Elfath seria o "árbitro favorito de Lionel Messi" e levanta suspeitas devido ao retrospecto dele nos jogos de Messi nos Estados Unidos, onde o craque argentino joga desde junho de 2023. O periódico afirma que o Inter Miami venceu todos os jogos apitados por Elfath desde a chegada de Messi. As críticas sobre um suposto favorecimento da arbitragem à Argentina tomaram tal proporção que chegaram ao elenco. O zagueiro Lisandro Martínez reagiu aos comentários após a vitória contra o Egito. "Acho que eles [árbitros] estão fazendo um excelente trabalho. Isso é algo para vocês [imprensa], que às vezes geram as controvérsias. Nós nos preocupamos em dar o nosso melhor em campo e nada mais", afirmou o defensor. Ao analisar o tema, o treinador Lionel Scaloni pontuou que os julgamentos podem servir de motivação ao elenco argentino: Continua após a publicidade "Em 1986 [quando a Argentina venceu a Copa], também diziam que nos favoreciam, isso não vem de agora. A Argentina é uma das equipes que sempre animam o torneio. Há pessoas que não querem que a Argentina ganhe, mas é normal. Há bastante gente querendo que não ganhemos, talvez porque já vencemos a última." Nas redes sociais, muitos são os que não gostam da Argentina pela forte rivalidade envolvendo o Brasil. Mas também por episódios de racismo envolvendo argentinos, desde os recorrentes casos de torcedores de clubes argentinos na Copa Libertadores aos próprios jogadores, que em 2024 comemoraram o título da Copa América com cânticos racistas sobre a seleção francesa. Nesta edição do Mundial, dois casos recentes foram mais marcantes, um deles incluindo uma autoridade. A vice-governadora de Mendoza, Hebe Casado, postou uma mensagem no X após o duelo entre França e Paraguai pelas oitavas de final do Mundial. "Muito bem, Paraguai. O time africano, sem modos. Não suporto Mbappé". Após o episódio, a embaixada da França declarou Casado como "persona non grata". Mas o caso que ganhou mais visibilidade foi com o influenciador norte americano IShowSpeed. No duelo contra o Egito, Speed foi hostilizado por argentinos e filmou um deles imitando um macaco. No jogo anterior contra Cabo Verde, Speed estava presente usando uma camisa do país africano. Há registros de vídeos em que ele foi hostilizado. A Fifa iniciou uma investigação para apurar os fatos. Negação do racismo persiste na Argentina, diz sociólogo Um ponto importante para observar o problema na Argentina - e que difere de outros países, como o Brasil - é a incompreensão de seu povo sobre o racismo, destaca Nicolas Cabrera, doutor em antropologia e sociólogo argentino que estuda a violência entre torcidas de futebol. Continua após a publicidade "A principal característica é a negação do racismo na Argentina. Não é só a persistência do racismo, senão a dificuldade para reconhecê-lo como um problema, o que faz com que essas expressões racistas sejam tratadas como brincadeiras", afirma. O racismo dos argentinos não opera apenas a partir da cor da pele, mas articulado com classismo, xenofobia e aporofobia, explica Cabrera: brasileiros, bolivianos, peruanos, indígenas ou até pessoas brancas em situação de pobreza são chamadas de "negros" de forma pejorativa no país: "É o que chamam de 'marrón', cor que expressa os mestiços. Pobres também são chamados de negros, muitos com a pele branca. É o chamado 'racismo sem necessidade de raça'." Para avaliar o problema no país, é preciso considerar a existência do mito da branquitude, argumenta o sociólogo. Trata-se de um projeto nacional baseado na ideia de que a Argentina devia se tornar uma nação branca e europeia, a partir da imigração europeia em massa - foram seis milhões de imigrantes europeus na virada do século XX -, campanhas militares contra o povo indígena e do desaparecimento das categorias raciais nos censos nacionais. Acerca da torcida contra a Argentina intensificada nas fases eliminatórias, Cabrera lembra que também há como problematizar debates raciais dos outros três países semifinalistas: "A França atualmente tem 13 colônias no mundo, muitas com populações negras. Na Espanha, vimos um monte de casos de racismo, o melhor exemplo é o que sofre Vinicius Júnior. Já a Inglaterra é o maior império colonial do século XIX, que lucrou por décadas com o tráfico de ilegal de escravizados", afirma o pesquisador do Observatório Social do Futebol da UERJ e professor da UFRJ. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora EUA atacam ilha estratégica do Irã próxima ao Estreito de Hormuz Dino manda presidentes de partidos explicarem emendas após fala de Valdemar Parou de usar caneta e engordou? Entenda o que explica volta rápida do peso Por que escudo da seleção da Inglaterra tem 3 leões? Entenda a história Mauro Vieira falta a comissão, e oposição fala em crime de responsabilidade