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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Ou o Brasil acaba com o circo ou o circo acaba com o futebol do Brasil Paulo Vinicius Coelho (PVC) Colunista do UOL 20/10/2025 08h10 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia José Boto, diretor de futebol do Flamengo, rebateu reclamações do Palmeiras sobre arbitragem Imagem: Igor Siqueira/UOL O clássico Flamengo x Palmeiras chegou ao limite da falta de bom senso do futebol brasileiro. A começar pela incompreensão de que não existe esporte de alto nível sem controle antidopagem. Talvez inflado pela fúria rubro-negra, Filipe Luís caiu na vala comum ao dizer que nem seu pai pode assistir aos treinos, mas que três pessoas assistiram. Também assistiram aos treinos do outro lado da via Dutra, com a diferença de que a agenda rubro-negra previa treinamentos pela manhã e a palmeirense às 16 horas. Sakamoto Brasil tem 'Congresso paralelo' que banca lobby Josias de Souza Panes tecnológicas mudam conceito de emergência PVC Ou acaba o circo ou o circo acaba com o futebol Casagrande Bruno Fuchs não parecia um jogador profissional Há algumas explicações básicas para o teste antidoping na antevéspera do clássico. Você já viu blitz testanto motoristas alcoolizados na frente de uma Igreja? Ou costuma ver em lugares de circulação de quem possa ter bebido? O zagueiro Danilo, do Flamengo, teve a única frase lúcida e de bom senso: "Arbitragem é algo que todos nós vamos ter de se nos sentar à mesa. Os árbitros são muito pressionados e precisamos debater todos, jogadores, árbitros, dirigentes, para o bem do futebol brasileiro." Tirando Danilo, o circo da criancice teve personagens de todos os lados, a começar pelo mais cômico, o diretor José Boto, homem que já falou de tudo e depois fez questão de se enfurecer, porque imaginou que não se diria o que disse, "Ainda não ouvi, mas há muito pouca coisa a se queixar." Se não tinha ouvido, o que é que estava a dizer? E ninguém se levanta para dizer que Boto faz o discurso do colonizador, como tantas vezes se acusou Abel Ferreira, sem ninguém notar que o Brasil colônia acabou em 1822 e que aqui convivemos com alemães, italianos, norte-americanos, brancos, negros, indígenas e portugueses, como meus familiares que aqui chegaram há mais de meio século — meu passaporte português não me deixa colonizarem sozinhos. Continua após a publicidade O mesmo personagem que põe fogo à lona diz que é necessário ter algum bom senso e, em seguida, diz não saber se a arbitragem é ruim o quê, porque há coisas muito evidentes. Ora... Esqueceu-se de que Portugal teve um dos casos mais conhecidos de escândalos de arbitragem no século 21? Se quiser nos emprestar sua experiência de como se solucionou a questão por lá, será sempre muito bem vinda sua opinião. Repetir aqui a gritaria que se dava à época na conexão Porto-Lisboa não está ajudando. "Houve muita pressão sobre a arbitragem. Não foi só a arbitragem. Foi o ABCD ou seja como se chama do doping", continuou o cômico personagem. Pois a ABCD esteve nos dois clubes, assistiu aos treinos dos dois, porque não existe esporte de alto nível sem controle antidopagem. A Autoridade Brasileira de Controle Antidopagem tem equipes trabalhando, de modo a que apenas os times de testes têm informação sobre quando e para onde vão viajar. Nem o ministro do Esporte, nem o presidente da República sabem qual é a agenda. Não existe, também, futebol de alto nível sem bom senso e sentido de esportividade. O Palmeiras também soltou nota de repúpio, assinada pelo diretor Ânderson Barros. O bate-e-rebate não faz bem a ninguém, nem ao Palmeiras, nem ao Flamengo, muito menos ao Campeonato Brasileiro. Erros de arbitragem existem todos os dias, em todos os jogos, o Grêmio reclama de o árbitro de vídeo chamar o árbitro de seu jogo contra o Bragantino para errar. O São Paulo reclama de a cabine não ter chamado o árbitro contra o Palmeiras para acertar. Continua após a publicidade Há erros para todos os lados e, por mais que nos lembremos dos pênaltis a favor dos palmeirenses contra Sport e São Paulo, não há de se pensar num campeonato manchado se o Flamengo ganhou do líder, no turno e no returno, com pênaltis discutíveis. Um marcado a seu favor, de Murilo, em De Arrascaeta. Outro não marcado contra si, de Jorginho em Gustavo Gómez. Não se está dizendo aqui que houve erro de arbitragem. Houve polêmica. Inegável. O Flamengo venceu os dois jogos por méritos. Mas que houve debate sobre o apito, houve, em dois pênaltis marcados no Allianz Parque, para os dois lados, e por Wilton Pereira Sampaio, extremamente pressionado. Ou o futebol do Brasil acabou com o Circo ou o Circo acaba com o futebol do Brasil. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Paulo Vinicius Coelho (PVC) por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Brasil tem 'Congresso paralelo', que banca lobby e dita as regras do jogo Quem é quem em 'Três Graças'? 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