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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte O que destaca a Cazé TV das demais emissoras quando o assunto é bet? Milly Lacombe Colunista do UOL 25/06/2026 17h21 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Casimiro Miguel em programa na CazéTV durante a Copa do Mundo Imagem: Reprodução O Ministério da Justiça e Segurança Pública abriu investigação para verificar possíveis irregularidades nos anúncios de apostas esportivas feitos pela CazéTV durante a Copa do Mundo. A notícia está chamando a atenção de muita gente que vê as propagandas de casas de apostas em todos os lugares e não entende por que a Cazé TV é a única investigada. Embora qualquer propaganda de bet deva ser criticada, nem todas elas estão em conflito com a lei. Pelo menos não ainda. Mas o que a Cazé TV passou a fazer é de fato alarmante. Ao usar o espetacular poder de comunicação de seus profissionais para incentivar apostas durante os jogos, a Cazé TV cruza uma fronteira ética (e talvez legal) perigosa. De que tipo de poder estamos falando? Vamos a um exemplo. Há alguns dias a Cazé TV usou esse talento de seus profissionais para pedir que a audiência ligada naquele jogo começasse a seguir o goleiro de Cabo Verde nas redes sociais. Vozinha saltou de 60 mil seguidores para mais de 15 milhões em algumas horas. É a esse poder que estamos nos referindo. Daniela Lima Michelle demonstra que tem mais a falar a Flávio Ronilso Pacheco Michelle dá recado a Flávio, sem profecias ou amém Narrativas em Disputa Michelle expõe divisão e impõe derrota a Flávio Alicia Klein Equador se classifica com gol 'brasileiro' Quando essas vozes potentes sugerem combinações de apostas durante as partidas, entramos em um contexto de colapso social iminente. Ao final de cada incentivo para pegar o celular e apostar os profissionais da Cazé TV pedem que a audiência "aposte com responsabilidade". Parece um conselho sensato, mas eu argumentaria o oposto. A frase visa jogar a responsabilidade para o colo do apostador. Ficou viciado? Ah, sentimos muito. A gente avisou que era para você ser responsável. É cruel e dilacerante. O jogo é um vício perigoso, o celular virou um cassino e as pessoas estão sendo incentivadas a apostar pelas vozes mais simpáticas e descontraídas do jornalismo esportivo atual. O único aviso decente a ser dado depois de uma propaganda de apostas seria: lembre-se, ninguém ganha apostando. Nunca ganhou e jamais ganhará. Claro que não é apenas a Cazé TV que pede que as pessoas apostem. Muitos influenciadores fazem a mesma coisa e podemos também criticá-los, especialmente aqueles que são milionários ou bilionários. Mas o que distingue a Cazé TV dos demais é esse chamamento durante as partidas. Um "vem com a gente" amigável, dito por esses profissionais tão populares e fora dos intervalos comerciais. Oito em cada dez apostadores são das classes C, D e E. Mais de 40% deles acabam contraindo dívidas. Famílias têm gastado 30 bilhões por mês em apostas. Existem pais parando de pagar pensão alimentícia. Famílias em situação de rua. Homens adoecidos e também os que acabam com a própria vida. Não estamos falando de uma diversão, mas de um sistema que transfere a renda dos mais pobres ao topo da pirâmide. A Globo vai ter sua casa de apostas, assim como a Band e o SBT. Diante desse cenário fica a pergunta: Quem vai cobrir jornalisticamente a devastação social deixada pelas bets? Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Grupo F da Copa do Mundo: quem vai jogar com o Brasil na segunda-feira? Mãe de menino alvo de tentativa de sequestro e ex são achados mortos em SP Equador 2 x 1 Alemanha I Melhores Momentos I Copa 2026 Vorcaro é transferido de volta para a Papudinha após decisão de Mendonça SP iguala tarde mais fria de junho em 30 anos; calor volta no fim de semana