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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Fifa multiplica em até 22 vezes preços de ingressos para ganhar R$ 15,7 bi Rodrigo Mattos Colunista do UOL 09/06/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Fifa anuncia estádio da final da Copa do Mundo de 2026 Imagem: Reprodução/ Fifa A Fifa (Federação Internacional de Futebol) multiplicou os preços dos ingressos da Copa do Mundo de 2026 em até 22 vezes em relação aos valores cobrados no Qatar-2022. Com esses valores exorbitantes, a entidade prevê um ganho de US$ 3,017 bilhões (R$ 15,7 bilhões) com venda de pacotes de hospitalidade e ingressos no Mundial. Trata-se de um montante seis vezes maior do que na última edição. Foi decisão do presidente da Fifa, Gianni Infantino, maximizar preços e adotar valores variáveis para aumentar ganhos. Sua justificativa foi o grande mercado americano para entretenimento. Josias de Souza Donald Trump se afoga na própria saliva Casagrande Quero ter o prazer de ver o Brasil campeão de novo Alicia Klein É loucura achar que Neymar fará diferença Joildo Santos Cannes, prêmios e a ilusão da porta entreaberta "Nós temos que olhar para o mercado. Nós estamos no mercado em que o entretenimento é mais desenvolvido no mundo, então temos que aplicar taxas de mercado", disse o dirigente, em 6 de maio. Ele também ressalta o fato de os EUA permitir a revenda de bilhetes. Para os jogos do Brasil, na primeira fase, os preços iniciais da Fifa eram em torno do dobro ou do triplo do que se cobrava no Qatar. No Oriente Médio, o valor era de US$ 69 (US$ 79 corrigidos pela inflação) para a categoria 3 —a mais barata. Já os valores para os EUA variam entre US$ 155 e US$ 215 para os jogos da seleção, a depender do estádio —Nova Jersey é mais caro. Mas, com os preços variáveis, atualmente o ingresso mais barato para Brasil x Marrocos sairia por US$ 1.740, segundo o site Ticketdata, que acompanha todos os ingressos da Copa. Ou seja, seria 22 vezes mais caro do que na última Copa. Ingressos para a partida com a Escócia (mínimo de US$ 1.690) e Haiti (US$ 989) também sofreram reajustes consideráveis desde o ano passado graças à política de valor variável. Continua após a publicidade Isso ocorre em quase todos os jogos. Levantamento do "The Athletic" apontou que 95 dos 108 jogos sofreram majorações com a revenda durante o período de outubro a abril. A Fifa ainda leva 30% de taxas sobre a renegociação, cobrando do vendedor e do comprador. Uma análise da coluna em todas as fases mostrou que os valores também foram multiplicados nos mata-matas em relação ao Qatar. Nas oitavas de final, os preços iniciais triplicaram em relação à Copa anterior. Os valores mínimos seriam de US$ 220 a US$ 330. Mas, agora, já estão sendo negociados na faixa de US$ 1 mil. O mesmo se repete nas quartas-de-final. O preço base já tinha uma majoração de três a quatro vezes em relação ao Qatar em todas as categorias. E, nas semifinais, os valores eram pelo menos o triplo do que foi cobrado no último Mundial. Com os preços variáveis, agora ingressos das semis já chegam a quase sete vezes o valor do Qatar. Por fim, na final, os valores foram multiplicados por quatro, considerando os preços iniciais para as três categorias. O preço fixado mais caro era US$ 6,370, contra US$ 1,607 no último Mundial. Pior, com o preço variável, o valor atual chega a 8 vezes mais para o ingresso mais caro da categoria 1. O site "Ticketdata" registra como bilhete mais caro atualmente impressionantes US$ 13.383 mil pela decisão da Copa. Não à toa nem o presidente Donald Trump disse que compraria os bilhetes, em entrevista à imprensa de NY. Continua após a publicidade A entrada de categoria 3 para a final também sofreu uma multiplicação por 12 vezes em relação à última Copa. E, agora, atinge mais de US$ 7 mil. Quem mais vai ganhar com essa exorbitância é a Fifa. O orçamento da entidade prevê um total de US$ 3 bilhões de receita na Copa com hospitalidade (pacotes de luxo) e ingressos em 2026. Esse montante representa 34% da receita total da Copa. A previsão é pela primeira vez superar ganhos com marketing (20%) e só ficar atrás de venda de direitos de TV (44%). No Mundial do Qatar, a previsão foi de arrecadação de US$ 500 milhões para hospitalidade e ingressos, um sexto do montante atual. A receita de bilheteria era apenas a terceira em importância naquele evento. Infantino, de fato, explorou os torcedores para turbinar sua receita de Copa. A justificativa da Fifa para seu lucro no Mundial é seu reinvestimento no futebol por meio de organização de eventos menores (como campeonatos femininos e de categorias inferiores) e programas de desenvolvimento do esporte feitos em conjunto com federações. Continua após a publicidade Uma parte do dinheiro também é destinado ao pagamento de despesas operacionais da Copa. Um total de US$ 3,7 bilhões serão gastos pela Fifa com o torneio, incluindo prêmios para seleções e compensações para clubes. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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