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Campeã de tudo. É assim que a Argentina chega na Copa do Mundo de 2026: carregando o peso e o prestígio de quem venceu quase tudo nos últimos anos. Campeã da Copa América em 2021, da Copa do Mundo em 2022 e novamente da Copa América em 2024. Ah, e campeã da Finalíssima, com um sonoro 3 a 0 na Itália. Tudo isso com resultados consistentes e atuações dominantes. As Eliminatórias reforçaram essa condição, especialmente pela goleada de 4 a 1 sobre o Brasil, símbolo de uma seleção que já ultrapassou a era de Maradona e se consolida como a maior Argentina já vista na história. + Veja a tabela completa da Copa do Mundo 1 de 6
Scaloni e Messi durante treino da seleção argentina — Foto: Marcelo Endelli/Getty Images Scaloni e Messi durante treino da seleção argentina — Foto: Marcelo Endelli/Getty Images + Scaloni confessa que preferia não enfrentar a Islândia nesta terça-feira: "Teríamos mais tranquilidade" + Scaloni se irrita com insinuação de que Messi decide quando joga na Argentina Tudo isso torna a Argentina favoritaça para a defesa do título. Mas p que pode impedir um time tão vencedor de chegar mais longe? A principal interrogação é a falta de testes realmente exigentes depois das Eliminatórias. A outra é a base vencedora, porém mais envelhecida. Otamendi, Molina, Romero...todos estão fisicamente abaixo da última Copa. Dibu Martínez vem se recuperando de lesão. + Simule os resultados da Copa do Mundo + Veja todas as convocações para a Copa do Mundo 2026 O objetivo defender o título. Para isso, precisará repetir algo que fez melhor do que qualquer outra seleção nos últimos anos: se adaptar ao contexto. E algo que uma seleção não faz há mais de cinquenta anos: ser bi-campeã de forma consecutiva. Esquema tático e time base A Argentina joga num 4-4-2 que poderia ser perfeitamente enquadrado como um 4-3-3 ou um 4-3-1-2, a depender do posicionamento e das interações de Thiago Almada. Ele normalmente faz a esquerda sem a bola, mas pode jogar mais adiantado, como um segundo atacante. A escalação esperada tem Dibu Martínez no gol; Molina, Cristian Romero, Otamendi e Tagliafico na defesa; Enzo Fernández, Alexis Mac Allister e Rodrigo De Paul ou Paredes no meio; Thiago Almada partindo da esquerda; Messi com liberdade total; e Julián Álvarez como referência móvel no ataque. Nico Paz, Giuliano Simeone e outros jovens surgem como alternativas para alterar características específicas sem mudar a essência do time. 2 de 6
Lionel Messi em treino da Argentina — Foto: IMAGN IMAGES via Reuters Lionel Messi em treino da Argentina — Foto: IMAGN IMAGES via Reuters A principal dúvida está nas condições físicas de alguns defensores, especialmente Romero. Sua presença altera o comportamento da última linha pela capacidade de cobrir espaços maiores e defender longe da área. No ataque, a disputa entre Julián Álvarez e Lautaro Martínez oferece diferentes soluções. O primeiro favorece a mobilidade e as combinações curtas. O segundo aproxima a equipe de um centroavante mais tradicional. Como inicia as jogadas? A saída de bola é o primeiro retrato de um time que cadencia e joga sempre com toques curtos. Enzo ou Paredes recuam entre os zagueiros ou se posiciona à frente deles para organizar os primeiros passes. A equipe busca atrair a pressão adversária e criar superioridade através da circulação curta. Os laterais permanecem mais abertos para oferecer linhas de passe, enquanto os meio-campistas se aproximam constantemente da bola. Enzo Fernández e Mac Allister alternam alturas e funções. Em determinados momentos, um deles participa da construção. Em outros, aparece entre linhas já pensando no ataque seguinte. Variação, troca de posição, movimentação...o time se aproxima a toda hora. 3 de 6
Aproximações na saída e meio-campo muito, mas muito móvel — Foto: Reprodução Aproximações na saída e meio-campo muito, mas muito móvel — Foto: Reprodução Messi e Almada também descem para participar da organização. Isso cria uma das características mais marcantes da equipe: a enorme quantidade de jogadores concentrados ao redor da bola. A Argentina quer transformar cada posse em uma rede de apoios curtos, reduzindo a distância entre os jogadores e aumentando as opções para quem está conduzindo. Como ataca? O ataque argentino nasce da aproximação. Poucas seleções reúnem tantos jogadores interessados em jogar perto da bola. Messi, Almada, Mac Allister, Enzo, De Paul e Julián Álvarez procuram constantemente associações curtas, tabelas e triangulações. O objetivo é deslocar a defesa adversária até encontrar um espaço mínimo para acelerar. Messi continua sendo o centro do time. Recua, recebe, atrai marcadores e cria zonas de superioridade ao seu redor. Quanto mais adversários convergem para ele, mais espaços surgem para infiltrações de companheiros. 4 de 6
Messi é o centro do ataque: tudo gira em torno dele — Foto: Reprodução Messi é o centro do ataque: tudo gira em torno dele — Foto: Reprodução Julián Álvarez tem papel fundamental. Seus movimentos constantes oferecem profundidade, apoio frontal e ruptura nas costas da defesa. Quando Lautaro entra, a dinâmica muda. A equipe ganha presença de área e um atacante capaz de atuar entre os zagueiros com maior frequência. Pelos lados, Scaloni tem alternativas: Giuliano Simeone e Nico González acrescentam velocidade para atacar espaços maiores. Nico é um muito usado dos últimos jogos e deve dar maior movimentação, até pensando que Messi não jogue todos os jogos por inteiro. Como defende? Sem a posse, a Argentina se organiza em bloco médio. A equipe não busca pressionar de maneira incessante. Existe uma escolha clara por preservar a estrutura e controlar espaços antes de iniciar perseguições agressivas. Messi recebe liberdade para economizar energia, enquanto Julián Álvarez assume boa parte do trabalho de pressão na primeira linha num 4-4-2. 5 de 6
Argentina se defende num 4-4-2 e Messi "descansa" — Foto: Reprodução Argentina se defende num 4-4-2 e Messi "descansa" — Foto: Reprodução Quando perde a bola, a preocupação imediata é encurtar espaços ao redor da jogada. Como muitos jogadores participam da fase ofensiva por dentro, a recuperação rápida se torna fundamental para impedir contra-ataques. O grande destaque Lionel Messi. Mil vezes Lionel Messi. Ele já não domina partidas através da explosão física. Domina através da leitura dos espaços e da velocidade de raciocínio. O modelo de Scaloni entende isso perfeitamente. 6 de 6
Argentina x Zâmbia Messi — Foto: REUTERS/Agustin Marcarian Argentina x Zâmbia Messi — Foto: REUTERS/Agustin Marcarian O aspecto mais impressionante não é a quantidade de ações que ele realiza. É a forma como o restante da equipe se organiza para que cada ação tenha o máximo impacto possível. Os meio-campistas se aproximam para oferecer linhas de passe. Os atacantes criam profundidade para abrir espaços. Os volantes sustentam a estrutura para que ele tenha liberdade. Por essa razão, mesmo aos 39 anos, ele segue sendo o jogador que define o teto competitivo da Argentina. Se estiver inspirado, a campeã do mundo continuará sendo uma das equipes mais difíceis de enfrentar em toda a Copa. + Saiba tudo sobre a Copa do Mundo aqui