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F1: Antonelli vence GP da China; Bortoleto não larga Antes mesmo do início da temporada de 2026 da Fórmula 1, o tetracampeão Max Verstappen afirmou com todas as letras: a Red Bull não iria brigar por vitórias no começo deste ano. É verdade que ainda há muita água para rolar até o fim do campeonato, mas após duas corridas já é possível dizer que a previsão do holandês fazia sentido. Acesse o canal de automobilismo do ge no WhatsApp 1 de 6
Max Verstappen bate e fica fora da classificação no GP da Austrália — Foto: Paul Crock/AFP Max Verstappen bate e fica fora da classificação no GP da Austrália — Foto: Paul Crock/AFP Até aqui, a equipe austríaca soma apenas 12 pontos na classificação e ocupa a quinta posição no campeonato de construtores, muito longe de ameaçar a líder Mercedes – atrás até mesmo da Haas e empatada com a equipe-caçula Racing Bulls, considerada uma escuderia de meio de grid. Mas afinal de contas, o que explica o início de temporada marcado por falta de ritmo, batidas e abandonos, mesmo com uma dupla de pilotos talentosa? O ge resume abaixo. Carro novo ainda exige ajustes A introdução do novo regulamento de motores em 2026, com maior protagonismo da parte elétrica , abriu as portas para o retorno da Ford como fornecedora na F1. A marca americana agora auxilia a Red Bull Powertrains (divisão de motores da equipe) na fabricação das peças. A nova unidade de potência da Red Bull tem se mostrado forte em alguns aspectos. De acordo com dados da Fórmula 1, a equipe é a segunda força em velocidade de reta, praticamente empatada com a caçula Racing Bulls (que também usa o motor Ford) e somente atrás da Mercedes. O time de Max Verstappen chega até a superar as rivais em alguns momentos nas provas. Perda para a Mercedes em retas por volta Equipe alemã é a mais rápida; veja diferença da Red Bull e demais equipes Fonte: F1TV Mas, como já era de se esperar, um reinício sempre traz riscos de falhas nas primeiras provas, e é precisamente o que tem acontecido com a Red Bull. Tanto é que a equipe já quebrou por duas vezes o curfew , uma restrição imposta pela FIA que impede que os mecânicos trabalhem nos carros em determinados períodos de um fim de semana de corrida. A primeira quebra dessa regra foi antes do treino livre 3 para o GP da Austrália, mas o time sofreu mesmo assim. A começar com Max Verstappen, que bateu forte na classificação e atribuiu a pancada a um problema nos freios. Max Verstappen bate e abandona a classificação do GP da Austrália Mesmo assim, Isack Hadjar foi bem na classificação, conseguindo o terceiro lugar no grid. No entanto, após a largada no GP, o argelino não pôde fazer nada quando o motor pifou na curva 11 e o carro soltou a temida fumaça na parte traseira, o que significou fim de prova para o francês. Na China, a Red Bull (junto com outras equipes) quebrou o "toque de recolher" antes do primeiro treino para ajustes. E, mesmo com a falta de ritmo, tudo parecia correr bem durante o grande prêmio, até que a equipe chamou Verstappen para os boxes na volta 45 para recolher o carro. Depois da prova, a escuderia explicou que o abandono se deu devido a um problema na refrigeração do sistema de recuperação de energia (ERS) do motor. – Sabíamos que só o fato de conseguirmos entrar no grid em Melbourne com nossa própria unidade de potência já era uma grande conquista, e seria ingenuidade não esperar que encontrássemos problemas de confiabilidade. Hoje, tivemos que remover o Max devido a uma falha no sistema de resfriamento. No entanto, esse não foi nosso único problema, já que, no geral, em termos de desempenho, nosso pacote apresentou algumas deficiências significativas – disse o chefe de equipe Laurent Mekies, no domingo. 2 de 6
Laurent Mekies, chefe de equipe da Red Bull, no GP da China de F1 2026 — Foto: Mark Thompson/Getty Images Laurent Mekies, chefe de equipe da Red Bull, no GP da China de F1 2026 — Foto: Mark Thompson/Getty Images Pneus esfarelando Outro ponto de reclamação dos pilotos da Red Bull (e especialmente de Verstappen) tem sido a dificuldade no gerenciamento dos pneus. De acordo com o holandês, a taxa de desgaste tem sido maior que a das outras equipes, o que torna o controle do carro mais complicado. Quanto maior o desgaste, maior a tendência de os tempos de volta aumentarem. A frustração do tetracampeão é tão grande que ele chegou a classificar o carro como "indirigível" após a classificação em Xangai , alegando que os pneus "morreram totalmente" depois da curva 3; ou seja, ainda no início de uma volta rápida. Na corrida, a situação se repetiu: a Red Bull foi a única equipe a calçar pneus macios em seus dois pilotos na largada. Hadjar foi aos boxes após rodar no início, mas Verstappen seguiu, e o esfarelamento dos pneus já era visível na volta 8, quando o piloto relatou que os compostos "estavam mortos" (veja o desgaste no pneu dianteiro esquerdo abaixo) . 3 de 6
Pneu dianteiro esquerdo do carro de Verstappen desgastado na volta 8 — Foto: Reprodução Pneu dianteiro esquerdo do carro de Verstappen desgastado na volta 8 — Foto: Reprodução Para se ter uma ideia, a previsão da Pirelli, fornecedora de pneus da F1, era de que os carros com macios parassem entre as voltas 15 e 21. No entanto, Verstappen foi chamado aos boxes logo após reclamar. Para piorar, a Red Bull ainda levou azar com um safety car causado por Lance Stroll segundos depois de o holandês deixar o pit lane. – Foi uma corrida difícil, com muitas coisas dando errado. O carro não parecia bom, sem equilíbrio, alta degradação dos pneus. Também havia algo errado com o volante, então há uma lista grande de coisas. Não sei nem como eu cheguei a ficar em sexto – disse Verstappen, que tentava alcançar a Haas de Oliver Bearman antes de abandonar. 4 de 6
Verstappen teve fim de semana para esquecer na China — Foto: Go Nakamura/Reuters Verstappen teve fim de semana para esquecer na China — Foto: Go Nakamura/Reuters Curvas de alta velocidade são problema Se o carro da Red Bull tem mostrado força nas retas, o mesmo não pode ser dito nas curvas – especialmente as de alta velocidade. Na análise comparativa de dados divulgados pela Fórmula 1, a equipe austríaca está claramente atrás das outras equipes consideradas de topo: Mercedes, Ferrari e McLaren. Além disso, a indicação é de que a equipe também está inferior a Haas e Audi no quesito. Durante o GP da China, a volta mais rápida ao considerarmos as duas Red Bulls foi de Max Verstappen; com pista limpa, ele virou 1:37.046. O tempo ficou 1s7 acima do melhor registrado pelo vencedor Kimi Antonelli, da Mercedes, que fez 1:35.275. Mas a análise nas melhores voltas de cada um mostra um aspecto curioso: a Red Bull foi mais rápida nas retas, mas perdeu muito tempo nas curvas – especialmente entre a 7 e 8. Só no segundo setor da pista, Antonelli colocou mais de um segundo de diferença contra Verstappen e Hadjar. 5 de 6
Red Bull brigou no meio do pelotão e ficou muito atrás dos líderes na China — Foto: Rudy Carezzevoli/Getty Images Red Bull brigou no meio do pelotão e ficou muito atrás dos líderes na China — Foto: Rudy Carezzevoli/Getty Images O problema já tinha sido identificado por Verstappen na classificação, e o tetracampeão apontou a falta de aderência nas curvas como principal razão da falta de velocidade em Xangai. – Eu sinceramente acho que este é o maior problema: nenhuma aderência, nenhum equilíbrio, perdendo quantias enormes de tempo nas curvas. Aí, é claro, você começa a engatilhar outros problemas pequenos. Mas o maior problema para nós é que as curvas estão completamente fora – disse o piloto. Largadas lentas Como se já não bastassem todos os problemas de confiabilidade e ritmo, a Red Bull ainda tem encontrado dificuldades nos inícios de corrida. 6 de 6
Largada do GP da Austrália de F1 2026 — Foto: Hollie Adams/Reuters Largada do GP da Austrália de F1 2026 — Foto: Hollie Adams/Reuters Verstappen, por exemplo, largou em oitavo e caiu para 15º na sprint em Xangai, e na prova principal desceu de oitavo para 13º. Os percalços não são uma coincidência: a forma como o motor funciona neste ano faz com que os pilotos tenham que aumentar a rotação do motor à combustão para largar, e um novo procedimento de início foi introduzido após as reclamações das equipes na pré-temporada. Alguns times se adaptaram melhor – caso da Ferrari, que percebeu que isso seria um problema antes da temporada começar e tem voado nas largadas. A Red Bull, por outro lado, tem sofrido com esses inícios. – Eu não tinha bateria em Melbourne, e aqui os dois problemas foram iguais. Eu simplesmente não tenho potência. Assim que eu solto a embreagem, o motor não responde – explicou Verstappen. Lewis Hamilton assume a liderança, e Leclerc briga pelo segundo lugar com Kimi Antonelli A Red Bull terá uma semana de pausa para tentar entender e corrigir alguns problemas antes do GP do Japão, no dia 29 de março. Em seguida, a Fórmula 1 terá pausa de um mês devido ao cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita; agora, resta saber se a equipe austríaca vai aproveitar bem os períodos sem corridas.