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Esporte Incêndio no Ninho: MPRJ entra com recurso após réus serem absolvidos Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ) 27/10/2025 14h46 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) entrou com um recurso de apelação no processo referente ao incêndio no Ninho do Urubu. Os sete réus foram absolvidos em primeira instância , na última semana. O episódio no centro de treinamento do Flamengo aconteceu em 8 de fevereiro de 2019, e deixou 10 jovens mortos, além de três feridos. A ação, que está na 36ª Vara Criminal, corre desde janeiro de 2021. O MPRJ, agora, tem um prazo para apresentar as alegações do recurso. A Associação dos Familiares de Vítimas do Incêndio do Ninho do Urubu publicou uma carta apontando que a absolvição dos réus "renova o sentimento de impunidade e fragiliza o mecanismo de proteção à vida e à segurança dos menores em entidades esportivas, formativas ou assistenciais no país". Josias de Souza Diálogo de Lula com Trump conduz ao mal necessário Felipe Salto Amadorismo é vencido em encontro de Lula e Trump Amanda Cotrim Milei ganha voto de confiança na Argentina Raquel Landim Vitorioso, Milei ganha fôlego para tentar reformas Em manifestações individuais ao UOL , Andreia Candido, mãe de Christian Esmério, citou "revolta", enquanto Alba e Wanderlei, pais de Jorge Eduardo, falaram em "dor e indignação" O MPRJ já havia decidido pelo recurso pouco após a publicação da absolvição dos réus. O caminho é a 2ª instância. O órgão tinha pedido, em maio, a condenação de todos os acusados apontando que a investigação "comprova plenamente a responsabilidade criminal dos denunciados que ocupavam cargos com ingerência na administração do referido CT, (...) dos acusados responsáveis pelos contêineres destinados ao alojamento dos adolescentes, (...), bem como do responsável contratado para realizar a manutenção dos aparelhos de ar-condicionado". O nefasto episódio, que ficou conhecido como "a maior tragédia da história do Flamengo", poderia e deveria ter sido evitado. Na peça apresentada, o MPRJ demonstra, com rigor técnico, como os comportamentos dos denunciados contribuíram para a ocorrência do delito que ceifou a vida de dez adolescentes, afastando completamente a percepção sobre o evento como um acidente inevitável ou uma simples fatalidade Trecho da nota do MPRJ Os réus no processo Márcio Garotti - Diretor financeiro do Flamengo entre 2017 e 2020 Marcelo Maia de Sá - diretor adjunto de patrimônio do Flamengo Continua após a publicidade Relacionadas Ninho do Urubu: Justiça absolve todos, e a impunidade vence de novo Tragédia do Ninho: você entregaria seu filho a um clube de futebol? Casagrande: 10 garotos morreram no Ninho e ninguém é culpado? Danilo Duarte - engenheiro responsável técnico da NHJ, empresa de contêineres Fabio Hilário da Silva - engenheiro responsável técnico da NHJ, empresa de contêineres Weslley Gimenes - engenheiro responsável técnico da NHJ, empresa de contêineres Claudia Pereira Rodrigues - responsável pela assinatura dos contratos da NHJ. Edson Colman - Sócio da Colman Refrigeração, que realizava manutenção nos aparelhos de ar-condicionado Bandeira deixou lista de réus Ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello deixou a lista de réus em fevereiro de 2025. À época, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) acatou um pedido do MPRJ. Continua após a publicidade A decisão se deu porque o processo já tinha completado quatro anos, e o ex-mandatário tem mais de 70 anos. Por isso, o tempo para prescrição é reduzido pela metade. Bandeira foi presidente do Flamengo entre 2013 e 2018. Eram 11 denunciados no caso, inicialmente. O monitor Marcus Vinicius foi absolvido. O engenheiro Luiz Felipe e o ex-diretor da base rubro-negra Carlos Noval tiveram denúncias rejeitadas. O Ministério Público recorreu, mas a decisão foi mantida. Veja nota da associação " A Associação dos Familiares de Vítimas do Incêndio do Ninho do Urubu (Afavinu), que congrega mães, pais, irmãos e demais familiares das dez vítimas fatais da tragédia ocorrida em 8 de fevereiro de 2019 no alojamento da base do Flamengo, manifesta seu profundo e irrevogável protesto diante da decisão proferida pela 36ª?Vara?Criminal da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro, que absolveu em primeira instância todos os sete acusados no processo criminal resultante dessa tragédia. Entendemos que o papel da Justiça não se limita à aplicação da lei em casos individuais, mas exerce uma função pedagógica essencial na prevenção de novos episódios semelhantes, no envio de mensagem clara à sociedade de que negligências de segurança, falhas na estrutura técnica e irresponsabilidades não serão toleradas — e não cumprir essa função configura, para nós, grave afronta à memória das vítimas e ao sentimento de toda a sociedade. Relembremos que os jovens falecidos — adolescentes em formação, atletas da base — dormiam em contêineres improvisados, sem alvará adequado, com indícios de falha elétrica, grades de janelas que dificultavam a saída, entre outras condições de insegurança. Continua após a publicidade A absolvição dos acusados, sob o argumento de que não se conseguiu individualizar condutas técnicas ou provar nexo causal penalmente relevante, renova em nós o sentimento de impunidade e fragiliza o mecanismo de proteção à vida e à segurança dos menores em entidades esportivas, formativas ou assistenciais no país. A AFAVINU seguirá em busca de Justiça e na esperança de que a decisão seja revista e assim reitera seu pedido de que o processo seja acompanhado com rigor pelos órgãos de recurso para que a sociedade receba a mensagem de que tais condutas não ficarão impunes. Para que a morte destes adolescentes não seja em vão, seguiremos exigindo dos órgãos de fiscalização (municipal e estadual) e do poder público em geral — inclusive esporte, juventude e fiscalização de edificações — a implementação de medidas concretas para tornar obrigatórias auditorias frequentes e manutenção preventiva em alojamentos de atletas, jovens/menores em todos os clubes do País, de modo que tragédias irreparáveis, como a do Ninho do Urubu, não se repitam. Reafirmamos que a memória dos jovens não será silenciada: os nomes deles, suas vidas interrompidas em circunstâncias evitáveis, exigem que continuemos vigilantes. A decisão judicial, ao não reconhecer a responsabilização penal, representa uma falha grave do sistema de justiça em seu papel pedagógico — e como tal, reforça em nós o dever de mobilização civil para fortalecer os mecanismos de fiscalização, transparência e responsabilidade em espaços de formação de jovens. Conclamamos a imprensa, entidades de defesa dos direitos humanos, movimentos esportivos e toda a sociedade a não permitir que essa decisão se transforme em precedente de que a segurança de crianças e adolescentes pode ser tratada com negligência criminosa. A vida dos nossos filhos tem um valor irreparável e em memória aos 10 garotos inocentes lutaremos, até o fim, por uma Justiça efetiva e capaz de inibir novos delitos com sentenças que protegem as vítimas e não os algozes. Continua após a publicidade Aos torcedores do Flamengo e a todos que amam o futebol e as crianças, a AFAVINU faz um apelo: que a paixão pelos clubes se traduza também em compromisso com a vida. Que o amor pelo esporte, que move milhões de corações, seja também amor pela segurança, pela ética e pela memória daqueles dez meninos que sonhavam em vestir, com orgulho, a camisa rubro-negra ou de outros mantos sagrados. O verdadeiro espírito esportivo exige empatia, responsabilidade e humanidade. Honrar esses valores é proteger as futuras gerações de atletas e garantir que o futebol continue sendo motivo de alegria — nunca de luto ". Andreia Candido, mãe de Christian Esmério " Não existe outro sentimento que que não seja de revolta, de que mais uma vez a justiça não foi feita, de que mais uma vez a justiça não é para todos. Era algo que já esperava, porque eu sempre me senti muito pequena em relação à instituição Flamengo. Eu sempre soube que era uma batalha muito difícil de se ganhar, mas eu tinha uma esperança. Ainda tenho fé que a justiça será feita, que os nossos filhos não serão só mais uma estatística. Ainda estou anestesiada em relação a tudo isso. Estou com um sentimento de revolta muito grande, uma dor. Reviver aquele o dia 8 novamente e não é fácil ". Família de Jorge Eduardo " Recebemos com profunda dor e indignação a notícia da absolvição dos responsáveis pelo incêndio do Ninho do Urubu. Há mais de seis anos, vivemos o vazio e o silêncio deixados pela morte do nosso filho - um menino cheio de vida, sonhos e esperança. Ele acreditava no futebol, acreditava no Flamengo, acreditava que o talento e o esforço o levariam longe. Continua após a publicidade Hoje, sentimos que a justiça falhou com nossos filhos mais uma vez. Cada absolvição é uma ferida reaberta, uma lembrança cruel de que, para muitos, eles já foram esquecidos. Mas para nós, pais e mães, o tempo não cura, e a luta não acaba. Seguiremos em frente, com fé e coragem, porque nossos filhos merecem justiça. E porque acreditamos que o Tribunal, ao rever essa decisão, poderá corrigir essa injustiça e honrar a memória dos dez meninos que só queriam jogar bola. Eles tinham sonhos. E nós continuaremos lutando por eles. Alba e Wanderlei " Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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