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Futebol 'Artificial', remada viking tem origem questionada e irrita nórdicos Guilherme Padin Do UOL, em São Paulo 05/07/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Remada viking da torcida da Noruega invade a Times Square Imagem: Reprodução/Instagram Enquanto o barulho dos tambores e dos gritos ecoava pelas arquibancadas e os braços de milhares simulavam a chamada "remada viking", a marca registrada dos torcedores noruegueses ganhou as atenções dos fãs de futebol na Copa do Mundo e se tornou um dos fenômenos culturais desta edição do Mundial. Porém, esse espetáculo visual encobre um desconforto histórico entre os próprios vizinhos escandinavos, como suecos e dinamarqueses, que têm um olhar mais crítico sobre a Era Viking e a observam sem se esquecerem da violência, das invasões e dos saques praticados naquela época. Sobre a remada no Mundial há, também, um incômodo com imprecisões históricas: isso porque, no período viking, o ato de remar estava muito mais associado ao que hoje se compreende como a Suécia do que à Noruega. Os vikings da região norueguesa, à época, se utilizavam mais das velas em mar aberto. Aline Sordili ChatGPT vê Brasil favorito, mas alerta para Haaland José Trajano Brasil fica em desvantagem no meio com Martinelli PVC Por que Martinelli deve ser titular contra a Noruega Michelle Prazeres Por que valorizamos mais remédios do que descanso Embora tenha se tornado viral e popular na Copa, o ritual que deve se repetir no confronto de hoje (5) com o Brasil também tem sido alvo constante de críticas e remete a temas ainda incômodos para a região da Escandinávia. Comemoração "artificial" Embora a "viking row", como é conhecida a remada praticada pela torcida da Noruega, faça referência à imagem dos vikings, sua utilização como celebração para as arquibancadas foi pensada e criada por Ole Froystad , um professor norueguês, em dezembro de 2025. Froystad buscava algo curto e fácil de se repetir como cântico, e levou sua ideia a líderes de torcida na Noruega. Suas referências vieram de um canto do Rosenborg, clube norueguês, e da famosa comemoração da torcida islandesa na Eurocopa de 2016, que se utilizava de palmas, mas tinha um ritmo parecido com o "viking row". Assista aos jogos da Copa ao vivo no SBT pelo UOL Play. Assine agora a partir de R$ 14,90/mês O ritual, que já ganhava popularidade no início da Copa de 2026, obteve mais força quando importantes jogadores noruegueses, como Martin Odegaard e Erling Haaland, também participaram, após a vitória contra o Senegal. "É louco. É uma ideia que tive anos atrás. É apenas sobre estar junto apoiando o grupo. Levaram para o estádio, acreditaram nisso e os fãs noruegueses transformaram no que é hoje. Eu só tive a ideia, os fãs fizeram o resto", contou o professor conhecido como Mr. Row Row ao UOL . Continua após a publicidade Imprecisão histórica Para além do apontamento sobre o passado violento dos vikings, outra crítica reforçada após a popularização do "viking row" trata de uma imprecisão histórica dos torcedores noruegueses. Durante a Era Viking, remar era uma prática muito mais comum na região onde hoje se compreende a Suécia, enquanto onde se localiza a Noruega, os barcos dependiam mais das velas em mar aberto. Texto do Svenska Dagbladet, tradicional jornal da Suécia, aponta que "a história sugere que o remo era algo que os vikings suecos praticavam com mais frequência do que os vikings da atual Noruega". Outra reportagem, esta do jornal norueguês Aftenposten, relembra que as remadas no estilo viking já eram praticadas desde 2009 em shows de metal na Suécia: "Muito antes de o remo chegar às arquibancadas do futebol, ele já era um elemento fixo na cena do metal. E é especialmente famoso por meio dos suecos." Continua após a publicidade 0:00 / 0:00 Quem foram os vikings Os vikings foram povos originários que viveram entre os séculos 8 e 11 nas regiões que hoje correspondem à Noruega, à Suécia e à Dinamarca, ou seja, à Escandinávia. Conhecidos por suas navegações marítimas em embarcações conhecidas como dracares, navegaram por áreas extensas e promoveram ataques, invasões e saques em expedições comerciais . Tinham na Dinamarca um de seus principais centros políticos, onde surgiram seus reis mais poderosos. Segundo a Encyclopedia Britannica, a palavra viking, em nórdico antigo, significa "pirata" ou "invasor", e passou a ser usada dos séculos 12 a 14. Lembrados como guerreiros violentos, em geral, os vikings também eram comerciantes, agricultores, artesãos e construtores. Além de fundarem assentamentos em diferentes partes da Europa, suas viagens marítimas os levaram a regiões como onde atualmente estão a Islândia, a Groenlândia, rios da Rússia e até o Canadá, séculos antes da chegada de Cristóvão Colombo. Continua após a publicidade Lado sombrio dos vikings Embora a estética viking seja frequentemente retratada em produções de filmes e séries de forma heroica, os vikings também foram conhecidos pelos ataques contra os vizinhos europeus, como destaca o Museu Nacional da Dinamarca. "As expedições vikings envolviam muito mais do que violência, assassinatos e pilhagem. Na realidade, não foram eles que "inventaram" os saques. Viajar para o exterior e devastar territórios estrangeiros não era um fenômeno novo. Mas, no período viking, as expedições de saque tornaram-se mais organizadas e frequentes", escreve o museu em seu site. Embora exigissem investimentos altos em navios em homens, essas expedições eram um negócio lucrativo para os vikings, aponta o órgão. O museu também relembra como, à época, igrejas e mosteiros eram frequentemente saqueados por esses ataques, devido à possibilidade de obterem grandes recompensas, como as grandes quantidades de prata sacra nos mosteiros: "Os vikings são bem conhecidos por seus saques e devastação dos territórios vizinhos da Dinamarca. Esses saques os levaram a obter objetos de mosteiros e igrejas da Europa Ocidental." Como as primeiras expedições vikings não envolviam grandes frotas e milhares de homens, explica o museu, "as igrejas e os mosteiros representavam alvos ideais para os pequenos contingentes". Continua após a publicidade A colunista Janne Stigen Drangsholt, do Aftenposten, um dos principais jornais da Noruega, criticou essa exaltação à masculinidade na comemoração dos torcedores noruegueses: "Há uma espécie de estética masculina e uma vibração um tanto tóxica e infantil. Eles poderiam ter pensado em algo melhor." Copa 26 1/5 Jogadores de país vizinho também criticam Atletas da seleção da Suécia, país vizinho que disputou a Copa do Mundo, também entraram na lista dos críticos à "remada viking". Para eles, além das excessivas repetições, trata-se de um ritual muito similar à comemoração dos islandeses na Eurocopa de 2016. "Eu nunca vou fazer isso. Nós apenas suspiramos. Talvez principalmente por causa da equipe de TV, que decide dar um close nisso todas as vezes. Afinal, é muito parecido com a comemoração islandesa. Mas, cada um faz o que quiser", disse o zagueiro sueco Gustaf Lagerbielke em uma entrevista coletiva. O meio-campista Elliot Stroud também falou sobre a remada dos noruegueses: "Provavelmente já está começando a ficar um pouco batido. Dá a impressão de que eles recorrem a isso sempre que têm a chance. Mas, afinal, funciona bem para eles." Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Que horas começa o jogo do Brasil hoje (5)? Horário e onde assistir ao vivo Real Madrid anuncia ex-Inter de Milão e chega ao quarto reforço na janela Jornal destaca 'mudança' de Endrick na carreira: 'A nova versão assusta' Lavieri: Futebol não precisa ser bonito e se transformar em basquete Arnaldo: Paraguai não tem mérito nenhum, e antijogo não faz parte da Copa