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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte O evento do antirracista brasileiro que só aparece quando a Argentina ganha Milly Lacombe Colunista do UOL 11/07/2026 10h20 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Torcida da Argentina nas ruas de Miami Beach, na Flórida, antes do jogo contra Cabo Verde na Copa Imagem: Reprodução/Twitter/@ultras_clips A Argentina é um país racista, berram brasileiros aqui e ali, indignados com o racismo que as câmeras expuseram pulsando no interior da torcida que foi aos Estados Unidos ver Messi e companhia jogarem. Trata-se de um fenômeno de caráter que só consegue enxergar o racismo no país vizinho e em certos jogos de futebol contra seus times, e em mais lugar algum. O mesmo fenômeno dos feministos que só aparecem quando Leila Pereira deixa de apontar o machismo em Abel Ferreira. Nessa hora berram: Não é feminista! Precisa ser feminista! Bradam e, em seguida, entram no grupo de zap dos amigões para ridicularizar a narradora e a comentarista do jogo que acabaram de assistir. O racismo que organiza a sociedade brasileira de forma brutal esses alecrins não veem. Marco Antonio Sabino Michelle e o poder de quem conhece segredos de casa Casagrande Precisamos falar sobre Adrien Rabbiot Mauro Cezar Ancelotti, hoje, é apenas uma grife fora de moda Paulo Camargo As odds podem mudar; seus valores, não Manifestam-se furiosamente contra o racismo argentino, voltam para casa para ver suas mesas redondas prediletas compostas apenas por homens brancos e acham tudo normal, normalíssimo. Sequer seguem jornalistas negros e negras nas redes sociais. São pessoas cercadas por corpos negros em posição de servidão e não se dão conta da estrutura que cria essas situações. Mas basta Messi acabar com uma partida e um racista na arquibancada se fazer notar para compreenderem o grotesco na atitude e perderem as estribeiras. O Brasil foi o último país do ocidente a abolir a escravidão. O Brasil recebeu mais de 40% das pessoas sequestradas e traficadas para as Américas desde o continente africano durante quatro séculos. O Brasil não tem em sua mais alta corte de justiça metade de pessoas negras embora seja um país majoritariamente negro, o mais negro fora do continente africano. O Brasil executa sua população negra e periférica com frequência de uma guerra. Jovens negros representam 64,8% das vítimas da ação da polícia e 73% das mortes violentas e acidentes no país. A taxa de homicídios da população negra é 170% superior à de jovens brancos. Quando o estado entrou nos complexos da Maré e do Alemão em 2025, no Rio, e executou mais de 150 jovens negros nossos colegas antirracistas que agora se indignam com o racismo argentino deram os ombros. O futebol brasileiro, composto por corpos negros majoritariamente em campo, não tem negros em posição de comando. A CBF é composta há décadas por executivos brancos que mergulham com força nos mais diversos escândalos sexuais, morais e financeiros. O Brasil tem, regularmente, casos de racismo denunciados em partidas de futebol. Esse racismo muito nosso não incomoda a turma que agora berra contra o racismo portenho. Quem são os argentinos que estão nos Estados Unidos? São os endinheirados. São os eleitores do fascista Javier Milei. São os que se associam aos brasileiros que vestem a camisa da seleção para pedir golpe de estado. Não admira que se comportem nesses termos de forma pública e orgulhosa. Continua após a publicidade É lastimável que Messi não use a potência de sua voz para apontar o racismo em seu país? É. É grotesco que Messi seja tão tristemente covarde. Avaliamos o camisa 10 pelo que ele tem feito em campo, onde passeia pela dimensão do sagrado. Fora de campo, Messi faz tabelinha com o profano, como sabemos. Seria importante que aqueles brasileiros que agora são capazes de ver o racismo argentino olhassem para dentro de sua pátria e enxergassem o brutal, colossal e estrutural racismo que nos organiza desde 1500. Faria bem deixarmos um pouco da hipocrisia de lado. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Antes dos primeiros gols, Haaland já era recordista mundial de atletismo Irã pode estar reconstruindo instalações nucleares, diz TV Michelle Bolsonaro e o poder de quem conhece os segredos de casa Mauro Cezar: Ancelotti, hoje, é apenas uma grife fora de moda Brasil joga com time reserva e perde para a Tailândia na Liga das Nações