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Carol Gattaz conquista Superliga pelo Praia Clube depois da aposentadoria Pouco mais de um mês se passou desde que a central Carol Gattaz pisou em quadra pela última vez, durante a partida entre Praia Clube e Tijuca, no fim de março . Mas, para a própria ex-atleta, a ficha ainda não caiu completamente. O ge entrevistou a central diretamente da casa dela, em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Os assuntos foram aposentadoria, carreira, lesões, longevidade e até a relação com o interior, já que a cidade fica a cerca de 440 km da capital paulista. Veja também + Outras notícias do ge.globo/tvtem 1 de 4
Carol Gattaz fala após se aposentar das quadras — Foto: Gabriel Castro Carol Gattaz fala após se aposentar das quadras — Foto: Gabriel Castro Recém-estabelecida novamente em Rio Preto depois de anos vivendo fora, Carol conta que ainda está se acostumando com a nova rotina, mas admite que já pensava em parar há algum tempo, principalmente pelo desgaste da carreira e pela distância da família. – Para falar a verdade, ainda não caiu totalmente a ficha. Até a final da Superliga eu praticamente ainda estava na ativa, porque fiquei acompanhando o time, treinando de manhã e vivendo a rotina do clube. Eu me aposentei das quadras porque era a última chance que eu tinha de terminar jogando. Então, teoricamente, minha aposentadoria foi só depois do campeonato, quando a gente foi campeã. – Eu já pensava em parar muitas vezes, porque são quase 30 anos de profissional e a rotina é muito pesada. Quando a gente vai ficando mais velha, quer um pouco mais de calma, quer estar perto da família. Meus sobrinhos praticamente nasceram em Belo Horizonte e depois eu perdi esse contato diário com eles. Isso começou a me pegar bastante. Carol também trouxe uma reflexão mais pessoal sobre identidade e recomeços. E se um dia Paulo Roberto Falcão afirmou que o atleta morre duas vezes, a ex-central concorda com a frase, principalmente agora vivendo uma nova fase da vida. – Eu cresci como a Carol Gattaz jogadora de vôlei. Então agora vem a pergunta: quem é a Carol Gattaz sem ser atleta? Acho que vou começar a descobrir isso daqui para frente. Cada dia vai ser um desafio. – Eu concordo quando falam que o atleta morre duas vezes, porque agora começa uma nova vida. Talvez tenha sido um pouco mais fácil, porque eu já vinha me desapegando da rotina durante esse período de recuperação do joelho. 2 de 4
Carol Gattaz fala após se aposentar das quadras — Foto: Gabriel Castro Carol Gattaz fala após se aposentar das quadras — Foto: Gabriel Castro Apesar do alto nível apresentado mesmo aos 40 anos, as lesões começaram a cobrar um preço cada vez mais alto. Em 2023, Carol rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito , passou por cirurgia e voltou às quadras nove meses depois. Já em 2025, enfrentou novos problemas graves nos joelhos. A multicampeã sofreu uma ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, além de lesões no menisco e nos ligamentos colaterais mediais . Somado a isso, ainda conviveu com um edema ósseo crônico, cenário que acabou sendo determinante para a aposentadoria em 2026. – Eu queria muito voltar a jogar e ganhar um título pelo Praia, mas os esforços são muito grandes. Meu joelho pediu socorro e eu tive que atender esse pedido. Eu sempre falava que só ia parar quando meu corpo falasse, e acho que ele falou. – Eu já tinha passado por uma lesão muito grave em 2023, então eu sabia como seria difícil passar novamente por todo aquele processo de recuperação. Mesmo assim, eu quis tentar voltar porque queria esse desafio de voltar a jogar e conquistar um título. 3 de 4
Carol Gattaz foi medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 — Foto: Hedgard Moraes/MTC Carol Gattaz foi medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 — Foto: Hedgard Moraes/MTC A ex-atleta ainda aguarda a cirurgia e explica que, apesar de conseguir levar uma vida normal fora do esporte, sente dificuldade justamente em atividades físicas simples, algo que sempre fez parte da sua rotina. – Hoje eu consigo viver bem, mas não consigo correr, não consigo fazer agachamento, leg-press, porque meu joelho não suporta carga. Eu quero voltar a ter uma vida ativa normal, porque sempre fui muito ativa. Sobre a cirurgia, a princípio vai ser uma artroscopia menor, porque eu não quero fazer uma cirurgia muito grande. Quero tentar resolver o problema para conseguir viver bem daqui para frente. Muito antes das lesões e da aposentadoria, Gattaz construiu uma carreira marcada pela longevidade e pelo alto nível técnico. Aos 40 anos, conseguiu disputar uma Olimpíada em grande nível e foi peça importante da seleção brasileira medalhista de prata em Tóquio, algo que ela trata como uma das maiores realizações da carreira. – Eu parei sendo a jogadora mais velha em atividade no Brasil e no mundo. Eu queria essa longevidade porque amo jogar vôlei. Hoje o atleta mais velho se cuida muito mais, entende mais o corpo e sabe até onde pode ir. – Eu fui muito privilegiada. Peguei a geração de 2000, depois a de 2004 com Virna, Leila, Fernanda Venturini e Fofão, depois a geração bicampeã olímpica, da qual eu faço parte, e ainda consegui pegar essa geração nova depois de Tóquio. A medalha olímpica foi a cereja do bolo. Todo atleta profissional sonha em disputar uma Olimpíada. Conseguir viver aquilo da forma que eu vivi, aos 40 anos, foi muito especial. 4 de 4
Carol Gattaz fala após se aposentar das quadras — Foto: Gabriel Castro Carol Gattaz fala após se aposentar das quadras — Foto: Gabriel Castro E seria impossível falar da atleta sem passar pelas raízes no interior paulista. Carol faz questão de destacar a importância de São José do Rio Preto em sua formação pessoal e no jeito expansivo e comunicativo que carrega até hoje. – Rio Preto significa tudo para mim. Minha família está aqui, meus amigos de infância estão aqui, minhas raízes estão aqui. Depois de 30 anos fora, é muito especial voltar para esse aconchego familiar. – O interior me trouxe muitas coisas boas. Cresci em contato com pessoas, com animais, na fazenda, então isso facilitou muito minha relação com as pessoas. Eu sempre gostei de conversar, de juntar pessoas. Nunca ficava sozinha numa mesa, sempre acabava trazendo gente de grupos diferentes e no final todo mundo virava amigo. Eu sou expansiva, gosto muito da resenha e desse contato com as pessoas. Tranquila com a decisão de encerrar a carreira, ela parece aproveitar o tempo que ganhou longe das quadras. Ainda sem definir onde vai morar ou qual caminho profissional seguirá, a ex-central quer aproveitar mais a família, viajar e planejar o futuro com calma. Entre as possibilidades, a comunicação aparece como um caminho que agrada para os próximos anos. O que fica é uma atleta vitoriosa, orgulhosa de sua carreira e empolgada com as possibilidades que o futuro reserva.