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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte O meu primeiro amor completa 124 anos Milly Lacombe Colunista do UOL 21/07/2026 10h58 Deixe seu comentário Torcida do Fluminense no Maracanã, na semifinal contra o Botafogo Imagem: Mailson Santana/Fluminense FC Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Eu tive contato com a paixão através da camisa tricolor do Fluminense. Aos quatro anos fui com meu pai pela primeira vez ao Maracanã para ver o time dele jogar, e logo depois entendi o que era amar. Aquelas cores foram, durante muitos anos, meu contato com a dimensão do sagrado. Eu sabia as escalações de cor, aprendi a ler para poder ler os cadernos de esporte de O Globo e do Jornal do Brasil, passava horas com o radinho de pilha escutando programas esportivos, sonhava com o fim de semana no Maracanã, entendi o que era a tristeza e o que era a alegria. Tudo isso antes dos oito anos. Meu pai me amou da forma mais profunda possível e eu acho que o Fluminense construiu parte desse sentimento. Ele teria me amado se eu não fosse tricolor? Certamente. Mas teria me amado tão apaixonadamente? Acho que não. Felipe Salto Que tal copiar a força-tarefa do BC americano? Carla Araújo Eleitor vê ato de Moraes sobre Flávio como político Milly Lacombe Copa expôs as vísceras apodrecidas do poder Casagrande Futebol brasileiro vive em um universo paralelo Até o fim da vida dele, o Fluminense nos uniu. Juntos, íamos ver o Flu no Rio e, depois, em São Paulo. Canindé, Morumbi, Pacaembu. Já vimos o Flu misturados a torcidas rivais, ouvimos incontáveis jogos até tarde da noite no rádio do quarto dele quando nos mudamos para São Paulo, lemos juntos muitos textos de Nelson Rodrigues que falavam do Flu. Meu pai não está mais aqui, mas volta a se sentar ao meu lado sempre que o Fluminense entra em campo. O futebol é o tecido que liga o mundo dos vivos ao mundo dos mortos. O Fluminense moldou minha personalidade, moldou minha subjetividade e minha identidade. Aprendi a desenhar apenas para passar horas dando contornos ao escudo tricolor. Dentro de um estádio, por causa desse time, conheci céu, purgatório e inferno. Amei homens que jamais encontrei e chorei como jamais imaginei conseguir chorar - de alegria e de tristeza. Eu não seria exatamente quem sou sem esse amor. Dar a uma criança a oportunidade de compreender sentimentos complexos como a paixão, a melancolia, a glória, o tédio de um dia sem Fluminense em campo, o orgulho e o pertencimento é coisa demais. Que bom que meu pai não me poupou dessas coisas apenas porque nasci menina. Que bom que ele teve dignidade de me pegar pelas mãos e me mostrar o Fluminense e o futebol. Que bom que ele tenha sido capaz de chorar ao meu lado nas derrotas e me abraçar tão fortemente nas vitórias. O Fluminense é parte de mim e vai comigo até o fim. Eu passarei; esse time jamais. Parabéns para o meu amor tricolor. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Irã intensifica ataques duas semanas após retomar hostilidades contra EUA Messi desembarca na Argentina com a família após 'amargar' o vice da Copa Bebê dado como morto volta à UTI: como é protocolo de constatação de óbito? Victor Sá chora em apresentação no São Paulo e festeja: 'Honra estar aqui' Green card de Eduardo Bolsonaro não impede deportação, diz professora