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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Endrick usa conselho de Ancelotti e busca superar 1ª memória da seleção Yara Fantoni Colunista do UOL 08/06/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× É inegável que a mudança de Endrick do Real Madrid para o Lyon foi um ponto fundamental para o atacante estar na lista de convocados do Brasil para a Copa do Mundo. E a decisão do empréstimo para o time francês teve a bênção de Carlo Ancelotti, que na época ainda treinava o jovem no Real Madrid: "Antes dele sair, a gente conversou e ele me falou o que poderia fazer, mas disse que a escolha era minha e para eu pensar bem." Meses depois, Ancelotti assumiu a seleção brasileira, viu Endrick arrebentar durante o empréstimo ao Lyon e o colocou na lista para o Mundial, o primeiro da carreira do atacante de apenas 19 anos, como ele contou em entrevista ao Fala Aí - Especial Copa . Pesou muito a questão do Ancelotti ter me falado isso de sair, desenvolver, jogar meu futebol, para estar o mais rápido possível preparado para jogar. Endrick, ao Fala Aí - Especial Copa Josias de Souza Donald Trump se afoga na própria saliva Casagrande Quero ter o prazer de ver o Brasil campeão de novo Alicia Klein É loucura achar que Neymar fará diferença Sakamoto Nunes Marques começa no TSE com ajuda a Flávio E a escolha pelo Lyon, segundo Endrick, veio após um "sinal" que foi compartilhado com sua esposa, Gabriely, quem ele considera a base para tudo. "Quando tocou no nome do Lyon, eu senti uma coisa no meu coração, a Gabriely também. A gente viu que era comando de Deus." Logo que eu cheguei, me deram tudo que precisava para me sentir bem, treinando, no dia a dia. Com sequência, tinha mais tempo jogando, e jogos em que meus gols podiam definir o resultado. É diferente de entrar quando o jogo já está decidido. A responsabilidade é maior, mas para chegar na seleção você tem que mostrar que consegue ficar tranquilo com isso. Endrick em entrevista ao "Fala Aí - Especial de Copa", programa do Canal UOL Imagem: Reprodução/Canal UOL Quando a entrevista foi gravada, Endrick tinha acabado de chegar a Lyon. Falava com a energia de quem sente que tomou a decisão certa, mas ainda não tinha os números para provar. Hoje tem. Em 21 partidas pelo clube francês, foram oito gols, oito assistências e a convocação para a Copa. Em entrevista a Yara Fantoni, o atacante do Brasil relembrou a origem humilde, disse o que aprendeu com Abel Ferreira e revelou a primeira memória não tão boa que tem da seleção. A joia da família e a aposta do Palmeiras Para entender Endrick, é preciso voltar a Brasília. O pai jogava futebol de várzea e levava o filho pequeno para assistir na beirada do campo. Quando ficou claro que o menino tinha talento de verdade, a família tomou uma decisão que mudou tudo: largar a vida na capital do país e ir para São Paulo. Continua após a publicidade Relacionadas 'O caminho do sucesso': como a seleção está descobrindo Carlo Ancelotti Edu Gaspar vê Brasil com chance na Copa: 'Quando vai com dúvida, dá samba' João Pedro reduz férias e mantém treinos sonhando com chamado da seleção Meu pai e minha mãe largaram tudo em Brasília para ir para São Paulo, para correr atrás do meu sonho. Em São Paulo, a história que teve um final feliz no Palmeiras, começou no rival de mesmo nome da cidade. O São Paulo, no entanto, não quis arcar com os custos do jovem de apenas 11 anos que vinha acompanhado da família. Dispensado pelo São Paulo, Endrick brilhou anos depois pelo Palmeiras Imagem: Reprodução No Verdão, as portas foram abertas, inclusive com um emprego no CT para o pai Douglas conseguir manter o garoto e a família em São Paulo. "Ele sempre me falava o que acontecia lá. Falava dos jogadores, como que eles se tratavam dentro do vestiário. Ele sempre acreditou que eu seria jogador", disse Endrick. O carinho do Palmeiras com a família foi além de apenas ajuda de custo. Convivendo com os jogadores do elenco profissional, o pai de Endrick contou com a generosidade de alguns atletas que perceberam um detalhe: ele só comia sopa, já que não tinha dentes. Sendo assim, o goleiro Jaílson pagou um tratamento para Douglas. Douglas Ramos, pai de Endrick, ao lado do goleiro Jaílson Imagem: Reprodução/X Meu pai sempre ficava de gracinha falando que o sonho dele era comer uma maçã. Depois que ele colocou os dentes, ele fez isso. Foi uma atitude incrível dos jogadores do Palmeiras, principalmente do Jaílson. Continua após a publicidade 7 a 1: a primeira memória Endrick nasceu em 2006. A primeira Copa do Mundo que acompanhou com atenção foi a de 2014, no Brasil. E a primeira memória que tem da seleção é aquela que marcou toda uma geração: o 7 a 1 sofrido contra a Alemanha. "Foi a primeira memória que eu tive. Foi a primeira Copa que assisti." Ele não foge do assunto, mas também não se detém nele. Segue em frente. "Depois disso aconteceram muitas coisas, a seleção pôde se reerguer. Neymar, Vini, Rodrygo, espero que a gente possa ajudar bastante o Brasil para ter o tão sonhado hexa." Quem viu o 7 a 1 como primeira memória de Copa agora quer trazer o hexa. Depois de cumprir sua missão no Lyon, ele reencontra Ancelotti em busca do objetivo final. Seleção da Alemanha comemora um dos gols do 7 a 1 sobre o Brasil na Copa do Mundo de 2014 Imagem: Jamie McDonald/Getty Images Abel, Ancelotti e o que aprendeu com cada um Além do atual treinador da seleção brasileira, outro nome que marcou Endrick foi Abel Ferreira, seu primeiro técnico no profissional. O português do Palmeiras ensinou ao atacante coisas essenciais dentro de campo, mas também fora dele, como postura no vestiário e dedicação. A comunicação entre os dois seguiu depois da saída do Palmeiras. Continua após a publicidade Endrick recebe instruções de Abel Ferreira em jogo do Palmeiras Imagem: Cesar Greco/Palmeiras Uma coisa que o Abel me falou bastante é plantar para poder colher. E é isso que eu fiz. Plantei bastante, bastante mesmo. Se Deus quiser, vou colher. Ancelotti é o outro lado da moeda: a figura de autoridade calma, que não empurra, mas orienta, como fez com Endrick antes de sair do Real Madrid. Ele brinca com você, fala o que você tem que fazer. O treino é um dos melhores que eu já tive na minha vida. A base dentro de casa Ainda com 19 anos, Endrick já é casado e espera o primeiro filho com a esposa Gabriely. E para o jogador, a vida tranquila, em casa, e ligado a Deus, é o necessário para colher bons frutos dentro de campo. Continua após a publicidade "Foi um casamento perfeito, com as pessoas mais próximas que a gente tinha. Foi um dia muito perfeito e maravilhoso." É o mesmo modelo que ele aplica à vida fora do campo: pequeno, fechado, sólido. Sem Gabriely na torcida, sem a casa em ordem, Endrick acredita que o rendimento em campo seria diferente. "Você precisa ter uma base para poder desempenhar bem." Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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