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Análise dos Times

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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Candidato à vice no São Paulo assombra e revolta com falas preconceituosas Milly Lacombe Colunista do UOL 04/09/2026 12h13 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Carlos Sadi, cotado à vice-presidência do São Paulo, achou que seria adequado bancar o sincerão e vomitar dezenas de preconceitos enganchados uns aos outros durante entrevista. Sadi parece acreditar que faz parte de um grupo de pessoas superiores que têm a solução para todos os problemas do mundo. Se esquece de dizer que os problemas foram criados por homens que pensam exatamente como ele. O que ele disse: "O São Paulo perdeu o glamour. 'Ah, mas você é saudosista?', não. Eu não sou saudosista. Se eu não tivesse glamour, eu ia torcer pro Corinthians e morar em Itaquera, me desculpa. Eu sou mesmo elitista, você me desculpa. Não tô ofendendo, mas eu fui criado no São Paulo FC do Paulo Planet Buarque, do Francisco de Assis Malta. Agora, você botou o baixo clero pra trabalhar aqui dentro, velho. Desculpa, você casou com a mulher do Paraisópolis e a família inteira está morando com você, deu pra entender?". Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Vocês querem que eu comece pelo elitismo, que ele julga ser apenas uma opinião, pelo classismo, pelo racismo ou pelo machismo? Um combo alucinado de discriminações enfileiradas para quem tiver estômago para ler ou escutar. Vamos começar assim: o São Paulo Futebol Clube é a periferia. O São Paulo Futebol Clube é a favela. O São Paulo é a massa. Sem ela, o time não seria nada. O São Paulo não existe nos Jardins e no Morumbi. Aliás, foram grandes gestores brancos e ricos que moram nesses CEPs da cidade que afundaram o clube. E agora, como se não bastasse, Sadi quer sequestrar um pouco mais esse time imenso de sua torcida igualmente imensa. É uma aberração que alguém que diga essas coisas siga sendo cotado a uma chapa presidencial. O que seria esse glamour a que ele se refere? A Faria Lima? Os casarões abandonados e decadentes do Morumbi? As famílias oligárquicas que até hoje sentam sobre o dinheiro acumulado com a escravidão? A tranquilidade com que Sadi enfileira preconceitos precisa ser analisada. Ele diz o que diz colocando tudo na chave da "sinceridade". Um método bolsonarista de levar a vida. O tiozão do pavê incapaz de se conter porque, afinal, o mundo é dele e com ele nada acontecerá. Essa elite supostamente glamourosa a que Sadi se refere nos trouxe até aqui. Ela comanda o Brasil há 500 anos. Ela é o poder. Ela é contra cotas, contra lei trabalhista para trabalhadoras domésticas, a favor da escala 7x0, a favor da flexibilização de leis do trabalho, contra leis que combatam a misoginia. Ela sente saudades da escravidão mas ainda se segura para dizer isso categoricamente (esperando pelo momento em que, como disse Jair Bolsonaro em dezenas de discursos públicos, as minorias [identitárias] terão que se adequar ou se curvar à vontade da maioria [homens brancos]), então encontra caminhos alternativos para pregar a superioridade desse homem branco oligárquico sobre todos os demais sujeitos políticos. Continua após a publicidade Se o São Paulo depender de homens como Sadi então eu sugiro fechar as portas. Querem uma solução para a miséria ética, política, econômica e moral que está enterrando esse time? Recorram à torcida. Vão escutar as mulheres tricolores de Paraisópolis que já não podem ir ver seu time no estádio porque o ingresso é caro. Vão escutar os entregadores de aplicativo que correm a cidade com a camisa do São Paulo mesmo depois de uma derrota que eles não puderam ver pela TV porque precisam pagar para ter acesso às imagens. Vão escutar as domésticas que juntam dinheiro mês a mês para conseguirem comprar a camisa 10 do Luciano no final do ano. Esqueçam os Sadis. São homens fragilizados que perceberam que nada jamais será como antes e, diante da perda de poder, estrebucham publicamente. Leio que Carlos Sadi estaria dizendo que foi mal interpretado. Não tem má interpretação nenhuma no que ele disse. Está claríssimo. Está cristalino. Está assustadoramente compreensível. Dizer que nós entendemos mal é seguir chamando a torcida de burra. A mulher de Paraisópolis a quem ele se refere de forma abjeta tem muito mais dignidade do que um homem que diz o que ele diz e ainda chama de opinião sincera, confundindo covardia com coragem. O Brasil oligárquico derrete e o futebol não iria ficar fora disso. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. 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