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Exclusivo Futebol 'Não sou ladrão': Casares quebra o silêncio sobre acusações no São Paulo Valentin Furlan e Paulo Favero Do UOL, em São Paulo 26/07/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Alvo de um processo de impeachment que resultou em sua renúncia à presidência do São Paulo no início deste ano, Julio Casares quebrou o silêncio neste sábado (25) em entrevista exclusiva ao UOL — a primeira desde o início da crise institucional. Ele é investigado por possíveis desvios de recursos financeiros e uso irregular do cartão corporativo do clube, após denúncia anônima que chegou ao Ministério Público e também é apurada pela Polícia Civil. "Eu não sou ladrão. Segundo, eu não faria isso de forma tão amadora", disse Casares, negando as acusações, em quase uma hora de conversa na qual, em alguns momentos, evitou detalhes a pedido de seus advogados. "Eu tenho um limite porque existem alguns aspectos da defesa que devo preservar. Mas, em suma, eu quero dizer o seguinte: é tão absurdo, eu refuto absolutamente essas acusações, porque, primeiro, eu não sou ladrão. Segundo, eu não faria isso de forma tão amadora", diz. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Algumas acusações são sobre desvios de recursos financeiros — revelada, em janeiro, pelo UOL , com acesso exclusivo a relatórios de análise financeira do Coaf. Foram saques em espécie no total de R$ 11 milhões entre 2021 e 2025 e depósitos fracionados que somam R$ 1,5 milhão na sua conta pessoal. 0:00 / 0:00 Siga o UOL Esporte no Questionado sobre os valores, ele desviou a responsabilidade de seu cargo: "A saída de dinheiro, o controle de dinheiro, você acha que o presidente vai fazer alguma coisa nesse sentido? Ele vai num caixa do banco tirar, ele pega o dinheiro e vai depositar. Isso é uma fantasia", afirma. Casares se apoia nos balanços aprovados pelo Conselho Deliberativo ao longo de sua gestão, entre 2021 e 2024 — apesar de o de 2025 ter sido recusado pelo conselho, após uma auditoria independente da RSM apontar que, em parte dos saques realizados em contas bancárias do clube, não havia documentação suficiente para comprovar a natureza, a destinação e o suporte dos valores: "Eu nunca assinei nenhum pedido de dinheiro e nenhuma saída de dinheiro. Então, é algo estranho. Isso tudo, no tempo certo, será colocado juridicamente. Eu jamais faria um negócio desse". "Nós sabemos que tem pagamentos em espécie de bicho e como funciona isso. A diretoria de futebol conversa com as lideranças do futebol e estabelece um valor de prêmio que pode ser por uma fase de classificação ou por um jogo isolado. E ali é o diretor financeiro/contador que exerce essas funções. Esse pagamento é feito por eles. Eu não tenho o poder de levar, e nem faria isso, um envelope de dinheiro para distribuir", continua. Procurado, Sergio Pimenta, diretor financeiro do São Paulo, não respondeu aos contatos. Já o São Paulo não quis se manifestar sobre as declarações do ex-presidente. Presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres afirmou que o processo de impeachment seguiu todas as diretrizes estatutárias e que o ex-dirigente teve acesso à ampla defesa em plenário. Continua após a publicidade Em meio ao processo de impeachment, o Conselho Fiscal do clube solicitou acesso aos extratos bancários do cartão de crédito institucional do presidente, a fim de averiguar se houve gastos irregulares. Casares admitiu ter usado o cartão corporativo para fins pessoais, mas diz que devolveu todo o valor, com correção. 0:00 / 0:00 Siga o UOL Esporte no "Eu fui um presidente que acompanhou o elenco 95% das vezes e tive alguns gastos particulares. Nós tínhamos no gabinete um controle de que algo que era particular estava sendo anotado. E esses valores eu restituí com correção. Então, eu não gastei R$ 1 milhão. Na verdade, nós gastamos pouco mais de R$ 400 mil. Isso colocado em cinco anos, que foi a minha gestão, daria mais ou menos um valor de R$ 8 mil por mês, numa média", explica. O argumento de Casares é que tinha reuniões de relacionamento durante viagens do clube e usava o cartão corporativo nesses momentos - para comprar um presente a algum dirigente ou pagar um almoço de negócios, por exemplo. Entre os gastos estão refeições em restaurantes sofisticados, charutos e bolsas de grife. "Depois que eu saí da covid, o meu cartão de crédito teve um problema e eu comecei a usar aquele com controle para que fizesse a reposição. E eu usei para lados pessoais. Quando você vai na charutaria, tem um lugar que você almoça, tem happy hour, etc, e você está lá. Então, eu usei. Mas todas essas despesas foram reembolsadas. E aí, eu quero saber como era a política de cartão de crédito nos anos anteriores." O 'caso camarote' 0:00 / 0:00 Siga o UOL Esporte no Continua após a publicidade Na gestão Casares, um episódio foi emblemático para contribuir com a perda de força política dele: a suposta exploração "clandestina" de camarotes em dias de shows. Segundo a acusação, diretores do clube vendiam entradas para o espaço em dias de show, por valores que não apareciam na contabilidade do clube. Casares diz que se soubesse das irregularidades, teria tomado providências. "Ele é utilizado até para despachos, porque tem o gabinete da presidência, você desce uma escada, e aí tem um camarote com visão do campo. É utilizado por jogadores que vão no dia dos jogos e não são relacionados. Eles ficam ali, pois está próximo do vestiário. É um camarote que tem uma localização quase atrás do gol e não tem comercialização". A resposta de Casares descreve o uso protocolar do camarote — por jogadores e para despachos da presidência. Ele reitera que não sabia desse uso para shows porque era um espaço que nunca havia sido comercializado dentro dos trâmites normais do clube e que nunca tinha entrado nas planilhas financeiras. "Era uma cessão de um lounge para uma pessoa que era parceira poder usar. Os camarotes são utilizados assim: quando você tem um espaço que não está alugado, ou seja, você não tem uma reciprocidade de receita, ele é distribuído para inúmeros setores do São Paulo para relacionamento, relacionamento comercial, institucional", explica. Casares ainda se diz vítima de uma "guerra política fratricida" no São Paulo. "A política traz uma sedução muito grande. Quem traiu sabe que traiu e quem foi traído sabe que foi traído. É claro que houve um processo de traição. Na verdade, o meu capital político era muito forte e já tinha uma luta para indicação para a sucessão. E eu acredito que, depois dessa questão do camarote, houve uma movimentação muito grande para que, com a saída do presidente, ficasse um espólio político para algumas pessoas. E esse espólio esfacelou-se, porque ele era muito pessoal", afirma. Continua após a publicidade E agora? A próxima etapa é a audiência marcada pela Comissão de Ética do São Paulo, nesta quinta-feira (30), no processo que pode levar à expulsão de Julio Casares do quadro associativo. Após essa oitiva, o colegiado deve elaborar um relatório e devolver o caso ao Conselho Deliberativo, que é quem terá a palavra final. Em eventual julgamento, a expulsão só poderia ser aprovada por quórum de dois terços dos conselheiros, e a data da sessão ainda precisaria ser definida pelo presidente da casa, Olten Ayres. Procurados, o Ministério Público e Polícia Civil ainda não atualizaram a situação do caso. 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