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Brasil 1 x 1 Marrocos | Melhores momentos | 1ª rodada | Copa do Mundo FIFA 2026 Não há nada de anormal, para uma equipe como a nossa, em empatar por 1 a 1 com Marrocos . Anormal é permitir que o adversário passeie em campo, como aconteceu nos primeiros 30 minutos de partida na noite deste sábado, em Nova Jersey, na estreia brasileira na Copa do Mundo de 2026. Por meia hora, Marrocos despiu a Seleção. Diante de 80 mil pessoas no estádio, o Brasil se viu nu, sem filtros para embelezá-lo, sem a capa que costuma esconder suas vergonhas – esta roupa sintética fabricada com platitudes como tradição, mística, história. A visão foi desgraçadamente real: um time cheio de defeitos. Naqueles 30 minutos iniciais, naquela fatia de estreia, nossos maiores temores foram confirmados. Iniciamos a Copa do Mundo em um patamar bastante inferior ao que o torneio exige. Isso ficou evidenciado no esforço para construir jogadas, nos buracos na marcação, na falta de entrosamento. + Atuações: quem foi bem e quem foi mal na estreia? 1 de 2
Vini Jr Vinicius Junior gol Brasil Seleção Copa do Mundo Marrocos — Foto: Getty Images Vini Jr Vinicius Junior gol Brasil Seleção Copa do Mundo Marrocos — Foto: Getty Images O maior problema esteve (está!) no meio. Lucas Paquetá, espécie de híbrido entre meia e atacante, não se achou em campo, um problema que sobrecarregou Casemiro e Bruno Guimarães, presas fáceis para o setor de criação de Marrocos. A equipe africana tramou jogadas com uma naturalidade espantosa. Brahim Díaz jogou solto. E o gol que abriu o placar, aos 20 minutos, simbolizou isso. O camisa 10 dominou com enorme conforto e lançou com tranquilidade para Saibari, também com uma facilidade notável, receber às costas da zaga e finalizar sem ser acossado. Tudo muito fácil, tudo muito cômodo – como se aquele maldito gol da Croácia em 2022 tivesse encontrado um eco em 2026. A vantagem de Marrocos era terrivelmente justa. Para se ter uma ideia, o adversário já somava seis finalizações com 12 minutos de partida, contra uma do Brasil. Não bastasse a naturalidade para atacar, recebia presentes regulares em saídas de bola erradas da Seleção. Era um horror, era a exposição de tudo aquilo que tanto temíamos. Felipe Melo critica atuação da Seleção "começou com os 11 equivocados" Mas então o jogo também mostrou de onde brotam nossos fiapos de esperança. Aos 32, Vini Jr, o melhor nome do Brasil na partida, recebeu pela ponta esquerda e transformou em gol uma jogada que parecia banal, com uma pancada de mais de 100 km/h. O lance serviu para lembrar que esta ainda é, apesar de tantos problemas, uma Seleção recheada de talento – talentos capazes de transformar panoramas. O Brasil se equilibrou após o gol de empate, em especial depois do intervalo, com as entradas de Fabinho e Danilo nos lugares de Casemiro e Ibañez. Paquetá se deslocou para a esquerda, as peças do meio se agruparam, o time ficou mais seguro, e isso permitiu que criasse mais ofensivamente. 2 de 2
Técnico Carlo Ancelotti após Brasil 1 x 1 Marrocos — Foto: Reuters/Caean Couto Técnico Carlo Ancelotti após Brasil 1 x 1 Marrocos — Foto: Reuters/Caean Couto Aí está outro fragmento de fé trazido pela partida: no microcosmo da estreia, o Brasil conseguiu evoluir, algo que também pode acontecer no macrocosmo da Copa do Mundo. Há muito espaço para melhorar, e a tendência é de que isso aconteça. Não podemos perder o absurdo de vista: a Seleção, por mais estranho que soe, é um time em construção. E o Brasil vai se classificar, é claro que vai. Agora, vêm os jogos contra Haiti e Escócia, adversários inferiores a Marrocos. A dúvida é como será depois, quando começar o mata-mata: se continuará sendo tão fácil expor as falhas de nossa Seleção como foi na estreia.