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Gabigol fez história com a camisa do Flamengo . Dois anos depois de deixar a Gávea, o atacante, agora no Santos , abriu o jogo sobre polêmicas como o caso de doping e passou a saída do clube carioca a limpo.
De acordo com o jogador, a expectativa era de se aposentar vestindo a camisa rubro-negra, mas a vida tinha outros planos. Acabou que deu certo: a oportunidade de jogar com Neymar , um ídolo, no Santos, o clube do seu coração, devolveu o sorriso ao rosto de Gabigol.
"Quando eu estava no Flamengo, achava que iria jogar com ele no Flamengo. Que em algum momento ele iria para o Flamengo. Nunca imaginei que ia acontecer isso agora. Quando aconteceu a oportunidade e ele estava aqui, eu falei: "Caraca, não é possível". E aí, realmente, a gente se falou muito durante as férias para eu poder vir. Também era uma vontade dele, uma vontade minha, uma vontade das famílias. Acabou que eu realizei meu sonho da melhor forma possível. Jogar no time do seu coração, com o seu ídolo que você viu, que é seu amigo, e também poder desfrutar com ele no treino, nos jogos, nas viagens. É algo que eu nunca esperei que acontecesse e está sendo muito legal", disse em entrevista ao portal ge .
"Não, porque ele estava no Paris [Saint-Germain], não tinha possibilidade nenhuma. Mas, como eu achei que ia ficar no Flamengo até me aposentar, também achava que ele poderia em algum momento vivenciar aquilo. Futebol é uma coisa que você não controla, as coisas vão acontecendo, e a gente se encontrou acho que no melhor lugar, né? A gente, revelado pelo Santos, da nossa cidade, as famílias perto, eu vou na casa dele, ele vem na minha casa, a gente conseguiu ainda que venha o Arthur, o Coutinho, o Rodinei, o Arão, que eu joguei lá atrás, o Cuca, por quem eu fui treinado em 2018. Então, foi uma junção de coisas que aconteceram e que acabou deixando a gente muito feliz", analisou.
A relação da torcida não estremeceu após a saída e sempre foi algo fundamental para Gabigol no Flamengo. Essa identificação fez com que o nome do atacante ficasse marcado na história do clube, mas, também, deu um lugar especial aos cariocas no coração do jogador.
"Com o Flamengo é a mesma coisa: é a torcida, o Maracanã lotado, o uniforme. Eu acho a camisa do Flamengo linda. Eu me sentia muito bem indo para o Maracanã. Eu vi na torcida algo que era diferente. Eu gostava muito quando a gente ganhava o jogo e no outro dia estava todo mundo de Flamengo, então eu ia para o treino e via todo mundo com a camisa do Flamengo, isso me deixava muito feliz. As crianças fazendo a minha comemoração, o cabelo loiro."
"O pessoal do Rio sempre me tratou super bem. Vai acontecendo, não é algo que você vai buscando. Talvez na Inter e no Benfica não tenha acontecido muito isso. Meu pai amava quando eu estava no Benfica. Eu já não gostava de Portugal. Só que no Rio e aqui em Santos é tudo perfeito. E também tem praia. Estou começando a achar que só vou bem em time de praia. Eu gosto muito da praia também", explicou.
Diante da certeza de aposentadoria no Flamengo, veio a frustração. Gabigol pensou ter acordo com o Flamengo, tanto que cita um "aperto de mão" entre as partes, vídeo pronto da renovação, e não quis voltar atrás depois que a diretoria tentou mudar os termos do contrato.
"Futebol tem coisas que você não controla. Eu estava renovado com o Flamengo, apertaram a minha mão, deram parabéns, me deram camisa, até postei o vídeo da renovação esses dias. Minha casa estava comprada, estava tudo certo. Então, não tinha por que eu achar que não ia encerrar minha carreira no Flamengo. E aí começou aquela coisa da imprensa, né? "Está desgastado, cinco anos de contrato é muito". Mas eles nunca ofereceram um, dois, três anos ou seis meses de contrato, nunca teve essa conversa."
"E acabou que eu saí, mas saí de lá feliz e realizado, totalmente realizado com o que eu conquistei, com o carinho que eles têm por mim. E realmente eu achava que iria encerrar minha carreira lá. Depois desse aperto de mão, você também passa a ficar irredutível? Ou seria naqueles termos ou não seria de forma alguma? Não teve outra conversa. Não teve: "Gabi, acertamos cinco, pode ser dois? Pode ser um, pode ser três meses?". Não teve essa conversa. Teve o que a imprensa falou que poderia ter sido feito, mas nunca teve essa conversa", lembrou.
Em meio a rusga da renovação, Gabigol foi protagonista de um episódio de suposta fraude em exame antidoping. O jogador chegou a ser suspenso por dois anos pelo Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem (TJD-AD), mas conseguiu reverter a sentença na Corte Arbitral do Esporte (CAS).
O atacante admitiu que poderia ter sido mais educado com os profissionais que realizaram os exames e relataram a tentativa de fraude, mas confirmou, também, que foi injustiçado no caso.
"Sobre o exame, foi a primeira vez que um jogador caiu no doping sem estar no doping. É a primeira vez que acontece isso no futebol. Eu fiz exame de sangue e de urina. Todo mundo sabia que era verdade. Tanto que o Flamengo liberou as câmeras para o julgamento, me viram fazendo o exame. Talvez eu pudesse ter sido mais cordial? Poderia, poderia. Mas isso não tem a ver com o doping, né? O doping é uma coisa, ser cordial é outra. Todo mundo sabia que não tinha como cair, porque o exame foi feito, o protocolo foi feito, foi enviado. Foi a primeira vez que um jogador caiu no doping sem cair no doping. Porque eu fiz urina e o sangue", explicou.
Outra polêmica que deixou Gabigol "na berlinda" com a torcida do Flamengo envolveu o Corinthians . O jogador foi flagrado usando uma camisa do clube paulista em evento na sua própria casa, enquanto tinha contrato com a equipe carioca.
Gabigol perdeu a camisa 10 por conta do episódio e acabou sendo escanteado. Mesmo assim, ele afirmou que jamais teve conversas para vestir a camisa do Corinthians.
"E a camisa, cara, talvez... Ontem eu ganhei uma camisa do Everton Ribeiro e botei a camisa do Bahia. Não acho que é algo que atrapalhe. Claro, a foto vazou, mas eu não tive controle disso. Não queria que tivesse vazado. No futebol você troca camisa, usa camisa de basquete, usa a camisa da Europa. Eu gosto muito, por exemplo, do João Pedro, do Chelsea. Acho um jogador fenomenal. Eu comprei uma camisa do João Pedro e usei para ir na festa do Davi Lucca, filho do Ney. Não, não tinha interesse. É que saía que tinha interesse. O Corinthians nunca falou com ninguém. Aquilo foi uma coisa que foi se criando, criando, criando, criando e aconteceu", finalizou.
O futuro de Gabigol no Santos ainda é incerto. Ele está emprestado pelo Cruzeiro , com quem tem contrato até dezembro de 2028, e é o artilheiro do Peixe na temporada, com 25 gols e 11 assistências em 49 partidas.
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