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10 anos de grama sintética na Arena da Baixada e a polêmica no futebol Dez anos de um dos temas mais polêmicos do futebol brasileiro. Pioneiro entre os principais clubes do país, o Athletico completa uma década com o gramado sintético na Arena da Baixada, inaugurada em 24 de fevereiro de 2016 para dar início a uma nova era. 🗞️ Mais notícias do Athletico ✅ Clique aqui e siga o canal ge Athletico no WhatsApp A estreia do piso no estádio athleticano ocorreu na vitória por 1 a 0 sobre o Criciúma, pela extinta Primeira Liga, há dez anos. O volante Otávio, hoje no Fluminense, foi o autor do gol na partida - o primeiro no tapete artificial. 1 de 5
Gramado sintético Arena da Baixada, do Athletico — Foto: José Tramontin/athletico.com.br Gramado sintético Arena da Baixada, do Athletico — Foto: José Tramontin/athletico.com.br A decisão pela substituição da grama natural teve dois principais motivos: a baixa incidência dos raios solares no campo e o fato que um rio passa por baixo da Arena da Baixada. Conforme explica o diretor de operações do Athletico em entrevista ao ge , Fernando Volpato, houve a tentativa no uso de iluminação artificial, mas o custo era elevado: R$ 100 mil mensais - R$ 1,2 milhão anualmente. - Na época, a decisão foi motivada pela impossibilidade de manter qualidade do gramado natural, que depende da natureza. De sol, umidade, temperatura. Aqui na Arena tinha uma mancha de sombra muito forte do lado da Getúlio Vargas. O Athletico tentou iluminação artificial, usou o que era possível, e não conseguimos. A decisão foi acertada, dez anos depois outros clubes estão seguindo esse caminho. O uso da grama sintética é autorizado pela FIFA, mediante certificação de qualidade renovada anualmente, chamada FIFA Quality Pro. Apesar disso, a entidade máxima do futebol mundial não realiza jogos oficiais, como a Copa do Mundo, no artificial. O Athletico obteve o certificado no início deste mês. Em nota enviada ao ge , a CBF disse que acompanha o tema com extrema atenção e que mantém diálogo permanente com clubes, atletas, comissões técnicas e especialistas. A entidade reforça que a adoção desse tipo de superfície deve observar rigorosamente critérios técnicos estabelecidos pela FIFA. 2 de 5
Athletico estreou a grama sintética em fevereiro de 2016, em jogo contra o Criciúma — Foto: Agência Estado Athletico estreou a grama sintética em fevereiro de 2016, em jogo contra o Criciúma — Foto: Agência Estado Vantagem? Entre os diversos debates, há o conceito de que os times com gramado sintético têm vantagem quando jogam em seus estádios. Um levantamento do ge mostra que o Athletico disputou, ao longo destes dez anos, 362 jogos na Arena da Baixada, com 215 vitórias, 83 empates e 64 derrotas. O aproveitamento é de 67,03% . MAIS: + Athletico reencontra carrasco que virou alvo no mercado + Athletico é absolvido de denúncia de injúria racial no Athletiba + Athletico busca novo patrocinador máster; saiba detalhes Em 2016, 2018, 2019 e 2023, o rendimento ficou acima dos 70% dos pontos em disputa. Já em 2021 e 2024 (temporada do rebaixamento), piores anos até agora, a equipe beirou os 60% de aproveitamento na grama artificial. Depois da vitória rubro-negra sobre o Santos, há cerca de duas semanas, o técnico Odair Hellmann afastou a ideia de vantagem no campo e disse que "se o gramado dificultou, foi para os dois lados". Data para troca O Athletico anunciou, há pouco mais de um mês, a substituição do gramado sintético da Arena da Baixada . O novo piso será instalado entre 1º de junho e 19 de julho, na pausa do Brasileirão para a Copa do Mundo. A tecnologia escolhida é da empresa FieldTurf, que no Brasil equipa a Arena MRV, do Atlético-MG, o Engenhão, do Botafogo, e também o Mercado Livre Arena Pacaembu. De acordo com o clube, o sistema é o mais avançando, com destaque para o shock pad , uma camada de amortecimento que absorve impactos. Além disso, haverá a troca do composto do gramado para a cortiça - hoje, usa-se a fibra de coco. O investimento do Athletico no seu novo gramado sintético é de R$ 4 milhões O campo da Arena da Baixada vem sendo alvo de críticas por jogadores dos times adversários. Fernando Volpato detalhou que não há prazo de validade ou troca do sintético, mas o clube decidiu por esta via. - A nossa expectativa era de 10 anos, porque o fornecedor assumiu em contrato, mas a gente aguardou para fazer a troca por conta das manutenções. A última sinalizou que poderíamos fazer tranquilamente mais uma ou duas temporadas. Está homologada até fevereiro de 2027, mas vamos aproveitar para fazer a troca no meio do ano. 3 de 5
Athletico usa fibra de coco como composto no sintético da Arena da Baixada — Foto: Everton Franco/RPC Athletico usa fibra de coco como composto no sintético da Arena da Baixada — Foto: Everton Franco/RPC Tendência no Brasil A Série A do Campeonato Brasileiro de 2026 possui cinco estádios com grama sintética, um recorde histórico na competição. O Palmeiras instalou a grama sintética no Allianz Parque em 2020. Três anos depois, foi a vez do Botafogo trocar o piso do Nilton Santos. No ano passado, o Atlético-MG (na Arena MRV) e a Chapecoense (na Arena Condá) também investiram no gramado sintético. Portanto, a fatia é de 25% de estádios na elite nacional com este tipo de tapete. 4 de 5
Gramado sintético do Allianz Parque, estádio do Palmeiras — Foto: Marcos Ribolli Gramado sintético do Allianz Parque, estádio do Palmeiras — Foto: Marcos Ribolli Tema divide o futebol brasileiro O tema do gramado sintético divide o futebol brasileiro na década. Em fevereiro do ano passado, diversos jogadores do futebol brasileiro se uniram em um movimento pedindo o fim do uso piso no Brasil. Nomes como Neymar, Thiago Silva, Bruno Henrique, Philippe Coutinho, Lucas Moura e Gabigol publicaram um texto nas redes sociais que destaca a seguinte frase: "Juntos pelo espetáculo. Futebol é natural, não sintético". 5 de 5
Jogadores postam imagem pedindo o fim dos gramados sintéticos — Foto: Reprodução Jogadores postam imagem pedindo o fim dos gramados sintéticos — Foto: Reprodução As manifestações são constantes dos atletas e até de dirigentes. O atacante holandês Memphis Depay, do Corinthians, é um dos maiores críticos do sintético - exemplo disso é a postagem nas redes sociais se referindo à grama da Arena da Baixada como "campo horrível" , após a vitória corinthiana sobre o Furacão, pelo Brasileirão, na semana passada. Em dezembro de 2025, parte dos clubes da Série A pediram à CBF pela suspensão da homologação de novos gramados sintéticos até que um estudo seja produzido e que haja uma decisão sobre o assunto. O ge coletou a opinião a dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro sobre o tema. Sete são contrários à grama sintética (Bragantino, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Internacional, Remo e São Paulo), cinco são favoráveis ( Athletico-PR , Atlético-MG, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras) e oito preferiram não se manifestar (Bahia, Coritiba, Fluminense, Grêmio, Mirassol, Santos, Vasco da Gama e Vitória). ✅ Clique aqui e siga o canal do ge PR no WhatsApp Mais do esporte paranaense em ge.globo/pr