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Esporte Futebol Copa do Mundo Estudantes brasileiros são ameaçados de morte após Argentina perder a Copa Agência Pública 20/07/2026 19h44 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Estudantes brasileiros são ameaçados de morte após Argentina perder a Copa Imagem: Reprodução/Pública "Eles vêm pra cá estudar de graça e são ingratos", disse, ao vivo, um comentarista da CrônicaTV enquanto mostrava postagens de estudantes brasileiros nas redes sociais comemorando a derrota da seleção argentina, por 1 a 0, contra a Espanha na final da Copa do Mundo, no domingo (19). Na tela, fotos e contas públicas dos jovens. O cenário de rivalidade acirrada que ebulia no país até então se somou à frustração com o resultado da competição e virou uma caça aos brasileiros no ambiente digital, com direito a ameaças de agressão e morte. Na plataforma de microblogs X, uma trend se formou para expor os dados pessoais e perfis nas redes de quem manifestou apoio à Espanha ou fez piada com os resultados. Perfis de estudantes foram marcados com comentários com emojis de macacos, manifestação racista recorrente direcionada a brasileiros e outros povos latinos por parte de parte da população argentina — o que, no Brasil, é considerado crime. Em algumas manifestações, usuários da plataforma sugerem "lições" a serem aplicadas aos brasileiros "nas ruas". Wálter Maierovitch Green card não descarta extradição de Eduardo Sakamoto Mar está para peixe mais para Lula que para Flávio Carla Araújo Recusa de Flávio a escolta da PF é política Chico Barney Galvão e X-Men da Fox acumulam despedidas Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Crónica (@cronicatv) "Quando eu te vir na universidade, pode ter certeza que você vai sofrer. Vou bater na sua cabeça com um martelo", dizia uma mensagem recebida pela paulistana Lays Bressane, de 23 anos. Logo depois, recebeu a foto de uma arma de fogo com a legenda: "Na Argentina não brincamos". "Fui [ver o jogo] com a camisa da Argentina e postei que estava de 'mufa', que seria pé-frio. Mas não é sobre futebol, não. Porque até o jogo com a Jordânia eu torcia pra eles, até ver a quantidade de comentários racistas que fizeram com a gente", lamenta a universitária que está há quatro anos em Buenos Aires. "Já tinha passado por episódios assim, mas com a minha mãe, que é negra. Em restaurantes, não querem atender, tratam mal. Cheguei a postar um vídeo quando aconteceu e viralizou", lembra a jovem, que teve endereço e outros dados pessoais expostos nas redes sociais. "Eu tô com medo. Meus pais estavam visitando e estão querendo mudar a passagem pra ficar aqui comigo", completou. Estudante de medicina da Fundação H. Barceló, conhecida por admitir um alto contingente de estudantes estrangeiros, especialmente brasileiros, o pernambucano Fernando Seabra, 31, disse que o cenário é de caça às bruxas, que os grupos estudantis foram tomados pela palavra "mono" (macaco, em espanhol) e que a situação mudou nas últimas semanas, enquanto havia "brasileiros atiçando de um lado, argentinos do outro". "Minha faculdade, graças a Deus, ajuda bastante, inclusive puniu e expulsou dois 'ayudantes' da monitoria depois de comentários que podiam ser interpretados como xenofóbicos", conta. "Antes era 'respeitem a Papá [uma alusão a Messi], vocês são apenas visitantes aqui', agora é comentário de 'macaco'", complementa. Continua após a publicidade Os estudantes não formalizaram queixa na polícia. Na Argentina, a discriminação é regulada pela Lei 23.592, que abrange desde raça até ideias políticas ou orientação sexual, no entanto, a Lei Nacional Antidiscriminação não tem caráter criminal, como experiências no Brasil, tem penas menos pesadas por se voltar mais à reparação civil individual, exceto quando se tratam de ações que pregam superioridade da raça - nesse caso, limitada a poucos meses de detenção. No Brasil, o crime de injúria racial pode se equiparar ao de racismo, que é inafiançável e prevê pena de 2 a 5 anos de prisão, além de multa. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Green card não dá cidadania americana a Eduardo nem descarta extradição Trump impõe tarifas adicionais de 50% para produtos do Canadá Dormir com a porta do quarto aberta ou fechada? O que é mais indicado Professora diz ter sido envenenada por mãe de aluno durante 8 meses em PE Jornalista brasileiro morre em lago na Suíça