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Ex-diretor detalha modelo multi-clubes e declínio da gestão no Botafogo A venda da SAF do Botafogo para a GDA travou na última semana. Em uma tentativa de viabilizar a entrada do novo investidor, o associativo, por meio do presidente João Paulo Magalhães Lins, acionou um mecanismo previsto na estrutura societária que dilui a participação da Eagle e devolve ao clube o controle acionário da SAF. O documento foi enviado no dia 7 de julho para a Cork Gully e para Eagle com o objetivo de comunicar uma inadimplência da Eagle. Segundo o associativo, a empresa descumpriu a obrigação de aportar R$ 100 milhões, visto que a quantia entrou e saiu praticamente no mesmo dia. O argumento é que houve uma "simulação de aporte". "Ao total, a Eagle 'aportou' o valor de EUR 21.199.930,00 e USD 130.000,00 na SAF Botafogo, mas, imediatamente, o valor de EUR 21.200.000,00 foi transferido de volta ao Lyon, a título de mútuo (...). Isto é, jamais houve cumprimento da obrigação de aporte, mas, apenas, uma sucessão de atos simulados, fraudulentos e prejudiciais à SAF Botafogo, que jamais teve à sua disposição os valores para efetivo investimento" - diz um trecho do documento. 1 de 4 Anthony Cork, Stephen Cork e Gabriel de Alba, respectivamente — Foto: Reprodução Anthony Cork, Stephen Cork e Gabriel de Alba, respectivamente — Foto: Reprodução Além disso, o documento aponta que as acusações citadas pelo Botafogo tornam possível que o associativo exerça um direito previsto no Acordo de Acionistas chamado Bônus de Subscrição (Subscription Warrant) e que essa ação teria efeito imediato. Desta forma, a Eagle passaria a ter 49% das ações, enquanto o associativo se tornaria majoritário, com 51%. A informação foi inicialmente publicada pelo UOL e confirmada pela reportagem do ge. 2 de 4 João Paulo Magalhães, presidente do Botafogo — Foto: Reprodução João Paulo Magalhães, presidente do Botafogo — Foto: Reprodução Procurado pela reportagem do ge , o presidente JP Magalhães Lins confirmou a medida tomada pelo associativo. Ele afirmou: "O dinheiro que o Botafogo deu ao Lyon não vai virar pó. Eu jamais vou permitir isso". E venda para a GDA? O que travou? Há algumas semanas, os representantes da GDA e da Cork Gully (Stephen Cork e Anthony Cork), empresa britânica de reestruturação financeira apontada como a administradora da Eagle Bidco, viviam os trâmites finais para a transferência das ações. 3 de 4 Gabriel de Alba — Foto: Ethan Miller/Getty Images Gabriel de Alba — Foto: Ethan Miller/Getty Images O ge apurou que, no dia da assinatura do contrato, a Cork Gully pediu que o Botafogo ignorasse a dívida de 24 milhões de euros do Lyon. Segundo pessoas envolvidas na negociação, esse valor é resultado de um "encontro de contas" feito em todas as transferências entre Lyon e Botafogo. Apesar do grande volume de transferências, o crédito do clube carioca é de 24 milhões de euros. Pessoas envolvidas na negociação afirmam que a Cork Gully "mudou de ideia" em relação ao acordo inicial sobre essa cobrança dos valores dos franceses. E, a partir disso, não foi possível assinar o contrato da transferência das ações para a GDA. Além disso, houve o impasse sobre pagamento dos honorários dos advogados envolvidos o caso. Com a medida tomada pelo associativo, o cenário do modelo de transferência das ações muda. O Botafogo social, que hoje tem 51%, passará 41% das ações para a GDA, permanecendo com 10%. Enquanto a Eagle Bidco irá transferir os 49% para a GDA. Com o Bônus de Subscrição acionado, há também o Direito de Drag Along do Clube. Dessa forma, o acionista majoritário força os minoritários a venderem suas ações para determinado comprador. No caso, o Botafogo associativo vai transferir para a GDA e obrigará a Eagle a fazer o mesmo. A venda das ações ocorrerá com um valor simbólico, visto que o dono da SAF Botafogo vai assumir a dívida que está estimada em quase R$ 3 bilhões. A previsão é que a conclusão da venda se arraste pelas próximas semanas, e o próximo aporte acontecerá quando as ações já forem da GDA. O valor previsto é de 30 milhões de dólares. 4 de 4 John Textor, do Botafogo — Foto: Vitor Silva/BFR John Textor, do Botafogo — Foto: Vitor Silva/BFR Textor cita "absoluta tranquilidade" sobre operações Após a publicação da reportagem, a assessoria de imprensa de John Textor divulgou comunicado oficial com manifestação do empresário americano. A nota cita que Textor e sua equipe receberam as informações "com surpresa", mas que os registros relativos às operações "demonstram a regularidade de todos os atos praticados". Leia a declaração de Textor abaixo: “Recebo essas informações com surpresa, mas também com absoluta tranquilidade. Sempre conduzi meus investimentos no Botafogo com responsabilidade, transparência e dentro da legalidade. É importante destacar que determinadas movimentações de saída de recursos estão sendo apresentadas de forma isolada, sem considerar as entradas significativas de caixa que ocorreram poucas semanas depois e que mais do que compensaram esses valores. A análise parcial dessas operações inevitavelmente produz uma narrativa distorcida da realidade. Esses fatos não são recentes. As operações ocorreram há mais de dois anos e eram de conhecimento dos órgãos de governança competentes naquele momento. Não pretendo transformar esse assunto em uma disputa de versões na imprensa. Tenho absoluta confiança na regularidade das operações realizadas durante minha gestão e na integridade de todos os atos praticados. Tenho enorme respeito pela história do Botafogo e por sua torcida. Meu compromisso sempre foi recuperar um clube que enfrentava uma das maiores crises financeiras do futebol brasileiro e construir uma instituição sustentável e vencedora. É nisso que continuo acreditando.” + ✅Clique aqui para seguir o canal ge Botafogo no WhatsApp 🗞️ Leia mais notícias do Botafogo 🎧 Ouça o podcast ge Botafogo 🎧 Assista: tudo sobre o Botafogo no ge, na Globo e no sportv 50 vídeos