Conteúdo Original
Futebol Racismo contra brasileiros se repete, e Conmebol não consegue frear Guilherme Padin, do UOL, em São Paulo 30/04/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Torcedor do Boca Juniors é flagrado fazendo gestos racistas durante jogo contra o Cruzeiro Imagem: Reprodução/Instagram jcsassis A noite de terça-feira (28) registrou mais dois episódios de racismo envolvendo torcedores de equipes argentinas contra brasileiros em competições sul-americanas: um em Cruzeiro x Boca Juniors , pela Libertadores, em Belo Horizonte, e outro em San Lorenzo x Santos, em Buenos Aires, pela Copa Sul-Americana. Ontem (29), mais um caso na Argentina, no empate entre Estudiantes e Flamengo em La Plata . O torcedor do Boca identificado fazendo gestos racistas no Mineirão foi detido, seguirá à disposição da Justiça e passará por audiência de custódia , segundo a Polícia Civil de Minas Gerais. No caso de Buenos Aires, o torcedor ainda não foi encontrado. Em seus sites e canais oficiais, a Conmebol e os dois clubes argentinos ainda não se manifestaram. Em contato com o UOL , a entidade afirmou que investiga os dois casos. Ricardo Kotscho Lula sofre pior derrota de sua vida política Sakamoto Congresso reforça que tem bandido de estimação Josias de Souza Alcolumbre e centrão soldam elo anti-Lula Alicia Klein Robinho: novos advogados, mesma arrogância A Conmebol possui em seu Código Disciplinar punições para discriminação e, em abril do ano passado, lançou uma ação contra o racismo, em um contexto de tensão com os clubes brasileiros e vizinhos após o caso de Luighi, do Palmeiras, na Libertadores Sub-20 em 2025. Que punições prevê a Conmebol para o racismo? Em seu regulamento, a Conmebol prevê punições para casos de discriminação , seja de torcedores ou membros dos clubes. Qualquer associação ou clube envolvido em episódios com torcedores será punida com multa de US$ 100 mil , no mínimo —até 2022, punição de US$ 30 mil—, e até 400 mil em casos de reincidência, segundo o artigo 15 do Código Disciplinar da entidade. Há a previsão de sanções adicionais como um jogo ou mais com portões fechados, fechamento parcial do estádio , proibição da entrada de torcedores e exibição de mensagens antidiscriminatórias. Porém, neste caso, com exceção ao episódio envolvendo Luighi, raramente a sanção é aplicada. No caso de jogadores ou membros dos clubes, a punição é de dez jogos, no mínimo, por um período de ao menos quatro meses. Em casos de reincidência, pode haver a proibição das atividades no futebol por até cinco anos. Continua após a publicidade As punições podem ser menos severas sob a existência de diversos fatores : a presença no estádio, o nível de cooperação da associação ou clube na divulgação ou esclarecimento dos casos, as punições impostas aos torcedores identificados e campanhas educativas e de conscientização, além de circunstâncias particulares do caso e o grau de culpabilidade do infrator. Caso uma partida seja cancelada por atos discriminatórios, a organização pode determinar o resultado de acordo com os termos do Código Disciplinar. A resposta é suficiente? Os casos de racismo se repetem ano a ano nas competições sul-americanas - como nas expressivas altas em 2022 e 2023 - e não parecem ter freio apesar das movimentações recentes da Conmebol. Segundo dados da entidade, em média, foram 18 casos por ano entre 2023 e 2025. Para Marcelo Carvalho, diretor executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, as respostas da Conmebol ao racismo ainda não são o suficiente. "Estamos vendo que isso não está freando os casos de racismo. Mas também não podemos pensar que se só aumentar a punição, como exclusão do campeonato, vai mudar [o problema]", afirma Carvalho. O diretor do Observatório aponta que alguns países na América do Sul não dão importância ao tema. Continua após a publicidade "Na Argentina, por exemplo, quando uma pessoa é presa por racismo no Brasil, no futebol ou fora dele, volta para o seu país e as pessoas de lá acham que o Brasil cometeu uma grande injustiça", prossegue. Casos recentes e o que ocorreu 2023 Corinthians x Universitario-PER - Sul-Americana Preparador físico do time peruano fez gestos racistas à torcida corintiana e foi preso - posteriormente, a detenção foi revertida no pagamento de dois salários. Pela Conmebol, foi suspenso por dez jogos. São Paulo x San Lorenzo-ARG - Sul-Americana O dirigente Matias Ezequiel mostrou a foto de um macaco aos torcedores são-paulinos. Além disso, um torcedor jogou uma banana e fez gestos racistas para uma criança. Os dois foram presos em flagrante, depois preventivamente. O dirigente foi proibido pela Justiça paulista de ir a estádios em jogos de seu time no Brasil por dois anos, e teve de pagar R$ 100 mil a um fundo estadual e dez salários mínimos por danos morais coletivos. Já o torcedor foi solto dias depois. Internacional x Nacional-URU - Libertadores Um torcedor uruguaio imitou um macaco em direção à torcida colorada. A punição foi de US$ 100 mil ao Nacional. Libertad-PAR x Atlético-MG - Libertadores O goleiro Everson foi chamado de macaco por um torcedor do time paraguaio. O Libertad recebeu multa de US$ 100 mil e teve de realizar uma campanha de conscientização. Continua após a publicidade Carabobo-VEN x Atlético-MG - Libertadores Torcedores do Carabobo imitaram macacos na recepção ao elenco do Galo. O Carabobo foi punido com multa de US$ 100 mil. 2025 Cerro Porteño-PAR x Palmeiras - Libertadores Sub-20 Um torcedor do Cerro imitou um macaco para provocar Luighi, atacante do Palmeiras, que chorou e deu forte depoimento após o jogo. O clube paraguaio recebeu multa no valor de US$ 50 mil, além da proibição da presença de torcedores nos jogos do time na Libertadores Sub-20. Talleres-ARG x São Paulo - Libertadores Torcedores argentinos imitaram macacos para a torcida são-paulina, e o Talleres recebeu multa de US$ 100 mil pelo caso. Além disso, um jogador do São Paulo sofreu uma punição por xenofobia no confronto: Damián Bobadilla teria chamado um atleta venezuelano do Talleres de "morto de fome", e foi multado em US$ 15 mil . Atlético Nacional-COL x São Paulo - Libertadores Um torcedor do Nacional imitou um macaco e chamou torcedores são-paulinos de "mono" (macaco, em espanhol) durante jogo no Atanásio Girardot. A Conmebol aplicou multa de US$ 100 mil ao clube colombiano e a obrigação de realizar campanhas contra o racismo. Bolívia x Brasil - Sul-Americano Sub-20 O atacante Rayan sofreu ofensas racistas do goleiro da Bolívia, Fabian Pereira, em caso no qual o Ministério do Esporte cobrou respostas da Conmebol. A reportagem perguntou à Conmebol se houve punição para o caso, mas não foi respondida. 2026 Argentina x Brasil - Sul-Americano Sub-17 Os jogadores brasileiros denunciaram que um dos atletas adversários havia imitado um macaco para eles. Os brasileiros solicitaram a aplicação do protocolo antirracismo, que não foi ativado pelo árbitro. Até a publicação da reportagem, não houve retorno da entidade sobre as punições. Continua após a publicidade Cenário de tensão A ação lançada pela Conmebol há um ano ocorreu em meio a uma tensão entre os clubes brasileiros e os de países vizinhos, sobretudo após o caso de racismo contra Luighi, do Palmeiras, em um jogo contra o Cerro Porteño pela Libertadores Sub-20. À época, reportagem do UOL apontou um incômodo dentro da Conmebol acerca das cobranças do Brasil e uma incompreensão sobre o que consideram um exagero nas reações a atos de racismo. Somaram-se isso as reclamações de clubes sul-americanos sobre a violência policial brasileira contra seus torcedores. "Se evoluírem as punições [apenas] à exclusão do campeonato, vai virar uma guerra. Alguns países entendem que estão sofrendo perseguição do Brasil a seus clubes, não um combate ao racismo", pondera Marcelo Carvalho. A situação se agravou após um comentário do presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, ao dizer que a Libertadores sem o Brasil é "como Tarzan sem Cheetah" . A comparação do país a um macaco, na esteira de seguidos episódios de racismo, repercutiu muito mal. Posteriormente, Domínguez se desculpou em uma nota oficial. Racismo está no futebol sul-americano há mais de um século Problema recorrente nas competições sul-americanas nos últimos anos, os atos racistas ocorrem no continente desde o início da Libertadores - e mesmo até antes disso. Continua após a publicidade Em 1963, ainda no período inicial da competição, o Santos de Pelé disputou a final com o Boca Juniors, e ao chegar à Bombonera, foi recebido com gritos de "macaquitos de Brasil" , segundo relatou Pelé. Também havia registros de racismo décadas antes da primeira edição da Liberta: logo após a Copa América de 1920, uma charge do jornal argentino Crítica retratava como macacos os brasileiros , que disputariam um amistoso no país. "A Conmebol precisa trabalhar melhor a conscientização e educação. É crucial que esse processo envolva os países e clubes para falar da gravidade do racismo, com mais ações, campanhas. E comunicando o tema do clube aos torcedores, para que depois a gente pense na perda de pontos ou exclusão do campeonato", afirma Carvalho. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Alcolumbre e centrão soldam elo anti-Lula e a favor da blindagem Mustaine volta ao país antes de fim do Megadeth: 'Não posso tocar mais' Transmissão ao vivo de Bolívar x Fluminense pela Libertadores: veja onde assistir Corinthians diz que tem parceiro apalavrado para pagar 50% de Memphis Conmebol aperta cerco após Cerro reduzir campo para receber o Palmeiras