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Ramon Dino é avaliado por árbitro central do Mr. Olympia O Brasil desembarca em Las Vegas, nos Estados Unidos, com a segunda maior delegação do Mr. Olympia. Ao todo, 55 atletas brasileiros estão confirmados para a edição de 2026 , que começa nesta sexta-feira (25). O país chega ao principal campeonato do fisiculturismo mundial consolidado como uma potência da modalidade e busca ampliar suas conquistas. + Mr. Olympia 2026: veja a lista de atletas brasileiros classificados; + Brasileira concilia advocacia com fisiculturismo, supera preconceito e vai ao 2º Mr. Olympia 1 de 8 Ramon Dino, fisiculturista acreano — Foto: Reprodução/TV Globo Ramon Dino, fisiculturista acreano — Foto: Reprodução/TV Globo Desde o primeiro troféu conquistado no evento, em 2012, o Brasil soma 16 títulos no Olympia . E, desde 2021, quando a categoria Wellness passou a fazer parte do programa do evento, pelo menos um brasileiro ou brasileira subiu ao topo do pódio em alguma disputa. A sequência chega a 2026 com a possibilidade de um sexto ano consecutivo de títulos. Essa regularidade foi acompanhada do crescimento da modalidade do país, e ambos não vieram por acaso. Tal ascensão é resultado de uma combinação de fatores: a expansão do mercado fitness, a popularização das academias e da musculação, a profissionalização dos atletas e treinadores, o fortalecimento da indústria de suplementos e, principalmente, a criação de uma estrutura de competições capaz de levar cada vez mais brasileiros ao cenário internacional. Nívea Campos concilia carreira de advogada com fisiculturismo e vai ao 2º Mr. Olympia De uma categoria a 12 divisões Criado em 1965, nos Estados Unidos, o Mr. Olympia nasceu como uma competição de uma única categoria, a que hoje corresponde à Open Bodybuilding, considerada a divisão mais tradicional e prestigiada do evento. O campeonato ganhou projeção mundial principalmente durante a década de 1970 , quando Arnold Schwarzenegger conquistou sete títulos e transformou o fisiculturismo em um fenômeno de alcance muito maior. 2 de 8 Luiz Otávio Freitas venceu o Mr. Universe 1987 e foi o primeiro brasileiro a disputar o Mr. Olympia — Foto: Reprodução/Instagram Luiz Otávio Freitas venceu o Mr. Universe 1987 e foi o primeiro brasileiro a disputar o Mr. Olympia — Foto: Reprodução/Instagram O Brasil demorou a aparecer neste palco. A primeira participação de um brasileiro veio em 1988, com o ex-nadador Luiz Otávio Freitas. Depois disso, o país passou por um longo período sem representantes no evento e só voltou a ganhar espaço de maneira mais consistente com a ascensão do fisiculturismo feminino, a partir dos anos 2000. O próprio Mr. Olympia mudou radicalmente com o passar dos tempos. A partir da década de 90, novas categorias foram incorporadas para contemplar diferentes tipos de físico e de preparação. Surgiram divisões como Fitness, Figure, 212, Bikini, Men's Physique, Women's Physique, Classic Physique, Wheelchair e Wellness. E a expansão ainda continua: a Fit Model fará sua estreia na edição deste ano e será a 12ª categoria do programa do Olympia. 3 de 8 Primeira competição internacional da Fit Model aconteceu em fevereiro de 2026 — Foto: Divulgação/Musclecontest Primeira competição internacional da Fit Model aconteceu em fevereiro de 2026 — Foto: Divulgação/Musclecontest Brasil é potência A multiplicação das divisões ampliou naturalmente o espaço para atletas de diferentes biotipos e de diferentes países, e o Brasil soube aproveitar essa transformação. À medida que o campeonato mundial se expandiu com mais categorias, o fisiculturismo brasileiro cresceu dentro do próprio país, atrelado à expansão da cultura fitness. Academias se espalharam pelo território nacional, a musculação ganhou mais espaço na rotina de milhões de pessoas e o mercado fitness se desenvolveu em torno de suplementos, equipamentos, profissionais especializados e preparação esportiva . O resultado foi a formação de um ecossistema cada vez maior para quem deseja transformar o fisiculturismo em profissão. Parte importante desse processo foi a estrutura competitiva criada pela NPC Worldwide e pela IFBB Professional League, principais entidade reguladoras do fisiculturismo mundial. Ambas promovem competições regionais e qualificatórias para atletas que buscam a carreira profissional. Em 2026, por exemplo, o calendário oficial da NPC Worldwide inclui dezenas de competições no Brasil, além de oportunidades de conquistar o tão cobiçado cartão profissional. 4 de 8 Edvan Palmeira recebe o pro card de Tamer El Guindy, CEO da Muslecontest — Foto: Reprodução/Instagram Edvan Palmeira recebe o pro card de Tamer El Guindy, CEO da Muslecontest — Foto: Reprodução/Instagram A Musclecontest, comandada por Tamer El Guindy, tornou-se uma das principais responsáveis por tal expansão. O calendário de 2026 da organização reúne mais de 200 competições em todos os estados brasileiros, além de eventos classificatórios para a IFBB Pro League e para o Mr. Olympia. — Hoje, nós temos as melhores companhias de suplementos. O Brasil tem o segundo maior número de academias do mundo, e continua crescendo de uma forma cada vez mais agressiva. Os personal trainers estão no Brasil, há conhecimento. Só existe uma universidade que forma as pessoas em bodybuilding, e ela fica no Brasil. Só aqui isso acontece — explicou Tamer El Guindy, árbitro internacional e CEO da Musclecontest. Toda essa estrutura ajudou a mudar também a perspectiva dos próprios atletas. Se, no passado, chegar ao Olympia parecia um objetivo distante para um brasileiro, hoje existe um caminho mais definido: começar nas competições nacionais, conquistar espaço entre os amadores, obter o pro card, disputar torneios da IFBB Pro League e, finalmente, buscar uma vaga no Olympia. — Quando eu saí do Brasil, era um sonho distante um atleta poder viver do fisiculturismo. Muitos atletas viveram aqui no Brasil e ninguém nunca vai saber o nome deles. Hoje, fazemos história. O fisiculturismo, depois do futebol, é o segundo maior esporte, e só está crescendo. Academias estão abrindo cada vez mais como efeito do fisiculturismo — destacou Tamer. Além de participantes, campeões A partir da década de 2010, o Brasil passou a aumentar consideravelmente o número de participantes no Mr. Olympia. E esse crescimento veio acompanhado de resultados. O primeiro título foi conquistado em 2012, com Nathalia Melo, na categoria Bikini. Depois, Juliana Malacarne foi tetracampeã seguida na Women's Physique, entre 2014 e 2017. Já na Bikini, Angelica Teixeira foi campeã em 2017 e 2018, enquanto Isa Pecini conquistou o título da divisão em 2019. 5 de 8 Isa Pecini — Foto: Divulgação Instagram Isa Pecini — Foto: Divulgação Instagram Desde a primeira conquista brasileira, há 14 anos, o país só ficou sem títulos em duas edições: 2013 e 2020. Assim, o Brasil deixou de ser apenas uma nação com atletas competitivos e passou, aos poucos, a formar campeões em diferentes categorias. Mas foi a chegada da divisão Wellness, uma categoria totalmente brasileira, que mudou de maneira significativa o peso do país no Olympia. A Wellness nasceu no Rio de Janeiro, em 2005, com o objetivo de valorizar um tipo de físico diferente daquele tradicionalmente associado ao fisiculturismo feminino. A categoria privilegia mulheres com maior desenvolvimento de glúteos e pernas e uma aparência muscular menos marcada do que em outras divisões. Depois de anos sendo realizada somente no país, a divisão passou a ser disputada internacionalmente em 2014 e chegou ao Olympia em 2021. 6 de 8 Eduarda Bezerra conquista título no Olympia 2025 — Foto: Beto Kaulino Eduarda Bezerra conquista título no Olympia 2025 — Foto: Beto Kaulino O efeito da categoria foi imediato para o Brasil, que criou uma hegemonia. Desde a inclusão da Wellness no programa do Mr. Olympia, somente brasileiras se sagraram campeãs: Francielle Mattos venceu em 2021, 2022 e 2023 , Isa Pereira Nunes triunfou em 2024 e Eduarda Bezerra é a atual campeã . Em 2026, serão 22 brasileiras na categoria, número que representa uma parcela significativa da delegação nacional. Além do reinado feminino, o Brasil também passou a produzir nomes de destaque entre os homens. O principal deles é Ramon Dino , que se tornou uma das maiores estrelas internacionais da Classic Physique, uma das categorias mais populares do mundo. O acreano protagonizou uma das grandes rivalidades com CBum até conquistar o título em 2025 , obtendo um troféu inédito para o bodybuilding masculino brasileiro. No ano passado, o Brasil fez sua melhor campanha da história do Olympia, com três títulos . Além de Dino, Eduarda Bezerra venceu na Wellness, enquanto Natalia Abraham Coelho faturou o bicampeonato na Women's Physique. Foi o segundo maior número de conquistas de um país na edição — empatado com a Grã-Bretanha —, atrás apenas dos Estados Unidos, que conquistou quatro. Com isso, a expectativa para a edição deste ano é grande. 7 de 8 Natalia Coelho com o troféu e a medalha do Mr. Olympia — Foto: Divulgação/Olympia Natalia Coelho com o troféu e a medalha do Mr. Olympia — Foto: Divulgação/Olympia Mr. Olympia 2026 Em 2026, o Brasil chega ao Mr. Olympia com a marca de 52 títulos profissionais conquistados na temporada. O país ficando atrás apenas dos Estados Unidos — que obteve 79 — em número de conquistas. Os EUA, aliás, possuem 85 atletas classificados para Las Vegas, apenas 30 a mais do que o Brasil. 8 de 8 Gabriel Zancanelli comemora vitória no Texas Pro 2026 — Foto: Reprodução/Redes sociais Gabriel Zancanelli comemora vitória no Texas Pro 2026 — Foto: Reprodução/Redes sociais O Mr. Olympia começa na sexta-feira, com as disputas da 212, Classic Physique, Figure, Women's Physique, Ms. Olympia e Wellness. As prévias serão às 13h30 (horário de Brasília), com finais às 22h. Já no sábado, será a vez das finais da Fit Model e Wheelchair, a partir de 13h30, e finais da Men's Physique, Fitness, Bikini e Open, às 23h.