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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte O efeito colateral da CazéTV que a Globo não calculou Alicia Klein Colunista do UOL 15/07/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Equipe da CazéTV durante a transmissão da partida entre Brasil e Escócia Imagem: Reprodução/CazéTV Ontem (14), a CazéTV voltou a bater seu próprio recorde de maior live da história do YouTube, com 24 milhões de aparelhos conectados na partida entre Espanha e França, transmitida com exclusividade — pela primeira vez em 56 anos, a Globo não mostrou uma semifinal da Copa. A marca anterior fora alcançada no sábado (11), em Inglaterra e Noruega, pelas quartas do Mundial. Das 30 maiores lives da plataforma em todos os tempos, 29 são da turma de Casimiro Miguel. O canal soma agora mais de 40 milhões de inscritos e 11 bilhões de visualizações, contra 18 milhões e 6,5 bilhões da perdida ge TV. Não há dúvida de que o crescimento em números e cifras da Cazé deixará uma marca indelével no mercado. Ao decidir abrir mão de comprar o pacote completo, a Globo aceitou o fato de que muitas pessoas e estabelecimentos poderiam escolher a concorrência pela praticidade de não precisar pesquisar onde cada partida ia passar. Acordar de manhã, colocar na Cazé e saber que os jogos das 13h, 16h, 18h, 22h, 1h, todos estariam ali. Sem falar na facilidade de simplesmente abrir o YouTube, sem login, sem assinatura. O foco no delay da internet versus a instantaneidade da TV aberta demonstrou uma ingenuidade absurda: o atraso só faria diferença nas partidas do Brasil, portanto, em no máximo oito dos 104 confrontos do torneio. Foram cinco. José Fucs O 'choque de gestão' proposto a Flávio Bolsonaro Sakamoto Senado ignora apelo pelo fim da 6x1 e vai descansar Marco Antonio Sabino Há sindicatos que envergonham os sindicatos Tony Marlon Rio acerta com proibição de anúncio de bets O custo para a Globo, porém, vai além disso. Com a praticidade, para muita gente veio o hábito. A gritaria que antes parecia insuportável, foi se tornando tolerável. Excelentes comentaristas antes menos conhecidas, como Amanda Viana e Laura Luzzi, foram se tornando necessárias, ao lado de nomes como Ju Cabral, Rafa Oliveira e Fernando Nardini. O nível de preparo, estudo e conhecimento destes profissionais escancarou o ponto morto em que outros vinham operando na concorrência, no conforto de um monopólio moribundo. A animação da Tropa da Madrugada ajudou a nos manter acordados em embates mais modorrentos — somada ao senso de comunidade de saber que havia milhões de malucos acompanhando Jordânia e Argélia às 2h da manhã. Claro que há quem continue achando o estilo da Cazé intragável. De todo modo, ele ajudou a revelar que o padrão tradicional também não era grandes coisas. Que existem outros mundos, não necessariamente melhores, porém aceitáveis ou mais acessíveis — e com alguns jornalistas acima da média. O fracasso retumbante da ge TV ajudou a aprofundar o abismo. A Globo não soube ser a CazéTV e a CazéTV lidou bem com o topo, podendo brilhar sozinha em momentos cruciais e até sabendo rir de si mesma. Bruno Formiga, por exemplo, não conseguiu lidar com a provocação dos próprios companheiros, que brincaram com um inocente "tu, finish", em alusão à sua proximidade com Neymar. Seu constrangimento no ar foi palpável. Criticado por torcer demais para a Argentina, na narração das quartas contra a Suíça, Luisinho levou tudo na esportiva e acabou presenteado pelos colegas com uma camisa da seleção de Messi. A penetração perniciosa das bets nas transmissões é indesculpável e algo me diz que o canal pagará caro por isso. A mais absoluta falta de diversidade também precisa ser corrigida com urgência. Ainda assim, o ganho jornalístico é inegável. A Cazé provou que dá conta do maior evento esportivo do planeta e, de quebra, alcançou algo que para mim parecia impossível: fazer uma parte da audiência ficar com eles por opção. No meu caso, comecei a Copa vendo os jogos compartilhados no SporTV, pela mais pura força do hábito. Logo, me peguei deixando na Cazé sem querer. Terminei a fase de grupos olhando os canais Globo e voltando várias vezes para a Cazé, e não só pela qualidade da imagem. Se alguém tivesse me dito no dia 11 de junho que eu estaria, em poucos dias, vendo jogos na Cazé voluntariamente eu teria rido na cara do infiel. Continua após a publicidade A Globo abriu a porta para que dezenas de milhões de brasileiros tivessem contato com a rival. Como efeito colateral, uma parte dessa audiência pode não voltar mais. Pelo menos não por osmose. Siga Alicia Klein no Instagram Se inscreva no canal de Alicia Klein e Milly Lacombe no YouTube Assine a newsletter da Alicia Klein Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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