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Análise dos Times

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A França chega à Copa do Mundo de 2026 ocupando um lugar que se tornou habitual nos últimos anos: o grande favorita. Ou melhor dizendo: favoritaça. Afinal, estamos falando da finalista das duas últimas edições, campeã em 2018 e uma das maiores reuniões de talento desse torneio e da própria história da França no futebol. Há jogadores decisivos espalhados por todos os setores do campo. E um que já mostrou que é capaz de fazer tudo, como três gols numa final: Killian Mbappé. 1 de 6 Mbappé Brasil França seleção brasileira — Foto: Franck Fife/AFP Mbappé Brasil França seleção brasileira — Foto: Franck Fife/AFP + Veja a tabela completa da Copa do Mundo A despedida de Didier Deschamps após quase quinze anos no comando da seleção está sendo marcada por uma constante de seu fantástico trabalho: poder de adaptação. A equipe incorporou novos talentos e não sentiu as saídas de referências que marcaram a última década, como Giroud e Griezmann. É uma seleção que sabe atacar em velocidade, pressionar quando necessário e também se defender durante longos períodos sem perder a organização. + Simule os resultados da Copa do Mundo + Veja todas as convocações para a Copa do Mundo 2026 Certo, até aqui, só lemos elogios aos franceses. Então esse é um time perfeito? Claro que não. Em alguns momentos do ciclo, a França sofreu quando seus atacantes demoraram a recompor a marcação, obrigando laterais e zagueiros a abandonarem suas posições para cobrir espaços. Inclusive, a derrota para a Costa do Marfim, que encerrou uma invencibilidade de um ano da atual vice-campeã mundial e a tirou da liderança do ranking da FIFA, foi encarada como um alerta. Já começaram a pipocar na imprensa francesa relatos de companheiros pedindo mais ajuda de Mbappé na defesa. Boatos ou não, vamos recorrer a um velho clichê: a França perde essa Copa se estiver num dia ruim ou se os egos não colaborarem. Se você assistiu ao documentário da Netflix sobre aquela famosa seleção de 2010, sabe: a campanha desastrosa na África do Sul mostrou que nem mesmo uma seleção repleta de craques está imune a conflitos internos, vaidades e desgaste no vestiário. + Thierry Henry nega críticas a Kylian Mbappé: "Pare de acreditar em tudo o que vê na internet" + Quanto vale a Copa? França sugere prêmio menor do que em 2022, e jogadores rebatem proposta + Guéla Doué: quem é o irmão de astro do PSG e algoz da seleção da França, o seu país-natal Esquema tático e time base A tendência é que a França atue em um 4-2-3-1 bastante flexível. Mike Maignan deve ser o goleiro titular. Jules Koundé ocupa a lateral direita enquanto Theo Hernandez recebe mais liberdade para avançar pelo lado esquerdo. William Saliba e Dayot Upamecano formam a dupla de zaga mais provável. 2 de 6 Rabiot em França x Costa do Marfim — Foto: REUTERS/Gonzalo Fuentes Rabiot em França x Costa do Marfim — Foto: REUTERS/Gonzalo Fuentes No meio-campo, Aurélien Tchouaméni é o primeiro volante. Adrien Rabiot surge como favorito para atuar ao seu lado, embora Manu Koné tenha ganhado espaço durante o ciclo. Michael Olise aparece como o jogador responsável por conectar meio e ataque e dar criatividade às ações ofensivas. No ataque, Ousmane Dembélé deve partir da direita. Kylian Mbappé continua sendo a principal referência ofensiva. A terceira vaga pode variar entre Désiré Doué, Bradley Barcola ou Marcus Thuram, dependendo do plano de jogo. Como inicia as jogadas? A França procura construir suas jogadas desde a defesa com calma e organização. Koundé costuma permanecer mais próximo dos zagueiros, enquanto Theo Hernandez avança cedo pelo lado esquerdo. Esse movimento cria diferentes linhas de passe e facilita a progressão da equipe. Tchouaméni ou Rabiot têm papel central nesse processo. Frequentemente ele se aproxima da defesa para participar da construção e organizar a circulação da bola. Quando encontra espaço, procura lançamentos longos para acelerar o jogo e conectar rapidamente os atacantes. 3 de 6 Saída de bola francesa é marcada pela aproximação de um dos volantes — Foto: Reprodução Saída de bola francesa é marcada pela aproximação de um dos volantes — Foto: Reprodução Contra equipes que pressionam mais alto, a França aposta na aproximação entre os jogadores. Os setores encurtam as distâncias, os passes se tornam mais rápidos e a movimentação constante ajuda a escapar da pressão. É um time que dificilmente abandona sua ideia de jogo quando é pressionado. Como ataca? A principal força ofensiva da França está na liberdade de movimentação dos seus atacantes. Mbappé não atua preso entre os zagueiros. Ele circula por diferentes setores do campo, busca a bola e cria espaços para as infiltrações dos companheiros. O lado direito concentra boa parte da construção ofensiva. Dembélé e Olise são jogadores que gostam de participar da criação das jogadas, receber a bola no pé e produzir vantagens através do drible, da condução ou do passe decisivo. 4 de 6 Lado direito forte, com triangulações e uma velocidade que poucos conseguem parar — Foto: Reprodução Lado direito forte, com triangulações e uma velocidade que poucos conseguem parar — Foto: Reprodução Pela esquerda, o comportamento costuma ser mais agressivo em direção ao gol. Theo Hernandez avança com frequência e oferece profundidade ao ataque, enquanto o jogador daquele setor procura atacar os espaços próximos à área. Essa diferença de funções cria um equilíbrio interessante entre criação de um lado e finalização do outro. Quando recupera a posse de bola, a França se torna especialmente perigosa. Poucas seleções possuem tantos jogadores capazes de acelerar em campo aberto. Em poucos segundos, uma recuperação no meio-campo pode se transformar em uma oportunidade clara de gol. Como defende? Sem a bola, a França se organiza em duas linhas compactas. Nem sempre procura pressionar o adversário perto da área rival. Em muitos momentos prefere fechar espaços em uma altura intermediária do campo para dar espaço ao contra-ataque que Mbappé puxa e Dembelé finaliza. 5 de 6 França se recolhe num 4-4-2 e aciona muitos contra-ataques com Mbappé — Foto: Reprodução França se recolhe num 4-4-2 e aciona muitos contra-ataques com Mbappé — Foto: Reprodução Os principais problemas aparecem pelos lados do campo. Em algumas partidas do ciclo, os atacantes demoraram a acompanhar as descidas dos laterais adversários, obrigando a linha defensiva a realizar coberturas constantes. Quando isso acontece muitas vezes na partida, surgem brechas que seleções de alto nível conseguem explorar, como a Eurocopa mostrou muito bem. Ainda assim, a presença de Saliba, Upamecano e Tchouaméni oferece um nível de segurança que poucas equipes possuem. O grande destaque Kylian Mbappé continua sendo o jogador que move a engrenagem da seleção francesa. Os gols chamam atenção, mas sua influência vai muito além das finalizações. Quando sai da área, leva defensores junto. Quando acelera em direção ao espaço livre, empurra a defesa adversária para trás. Quando recebe entre as linhas de marcação, abre caminhos para quem chega de trás. 6 de 6 Didier Deschamps com Kylian Mbappé em treino da seleção da França antes da Copa do Mundo — Foto: Divulgação/Federação Francesa de Futebol Didier Deschamps com Kylian Mbappé em treino da seleção da França antes da Copa do Mundo — Foto: Divulgação/Federação Francesa de Futebol Grande parte dos movimentos ofensivos da França nasce a partir das decisões que ele toma durante a partida. Os companheiros se ajustam ao seu redor e os adversários são obrigados a reorganizar constantemente a marcação. A França chega à Copa com elenco, experiência e talento de sobra para sonhar com o tricampeonato. Como toda favorita, também tem pontos a corrigir e desafios pela frente. Mas, se repetir o nível competitivo dos últimos anos, estará novamente entre os times a serem batidos no Mundial. + Saiba tudo sobre a Copa do Mundo aqui