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Só para assinantes Assine UOL Opinião Os limites do sigilo da fonte Juca Kfouri Colunista do UOL 19/08/2026 08h35 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Imaginem a rara leitora e o raro leitor que um jornalista, devidamente diplomado, obrigatoriedade cassada em junho de 2009, por 8 a 1, com duas ausências, no Supremo Tribunal Federal, é contratado como porta-voz ou assessor de imprensa do Comando Vermelho (CV), ou do Primeiro Comando da Capital (PCC) — você escolhe a sigla da organização criminosa conforme a influência de uma delas em sua região. Tal profissional, abastecido com facilidade pelas fontes da quadrilha que o emprega, passa a ser fonte de blogueiros, influenciadores, e até de jornalistas como ele, sobre os itinerários de autoridades e familiares. E assim facilita a vida de quem queira prejudicá-los. Você, por mais liberal que seja, defenderá que ele não só proteja suas fontes como seja protegido por quem se serve das informações dele? Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Você é capaz de avaliar como é delicado para quem exerce a profissão de jornalista, há mais de 55 anos, dizer que a necessária proteção constitucional do sigilo da fonte, que tantas vezes o protegeu, não é direito absoluto? Pois é. Não é mesmo. E não pode servir para encobrir criminosos, diplomados ou não. Segundo uma referência nacional como constitucionalista, o professor emérito da Universidade de São Paulo, José Afonso da Silva (1925-2025), um dos principais idealizadores e intérpretes da Constituição Cidadã de 1988, "discute-se se o profissional da informação pode invocar o sigilo da fonte nos casos em que a informação revele ação criminosa ou proteja criminoso procurado pela Justiça. Parece-nos que o exercício profissional não pode servir de escudo ao crime. Portanto, numa situação como tal, o profissional fica sujeito a revelar a fonte, se o Judiciário o exigir". Direitos absolutos só há dois, de acordo com o que pensam cabeças como Afonso da Silva: o de não ser escravizado e torturado. Ele defendia que a proteção não pode funcionar como blindagem para práticas ilícitas, e que o sigilo cede quando o exercício profissional é usado para acobertar crime. Parece óbvio, mas tanto não é que editoriais de nossos jornalões, assim como a maioria dos colegas que tem opinado defende intransigentemente o sigilo, e não é por corporativismo, mas por pensar que defende o interesse da sociedade. Continua após a publicidade O tema é tão sensível que talvez leve o STF a repensar sobre a decisão de 2009, tamanha a inflação de "jornalistas" revelada pelas redes antissociais. Registre-se, ainda, que o fim do diploma, em nome da liberdade de expressão, atendeu aos pedidos das empresas de comunicação no país. E é tão complexo que o autor destas linhas, sem diploma, se opõe ao sigilo da fonte como direito absoluto, ao mesmo tempo em que é contrário à exigência do diploma, no que diverge de saudosos, e exemplares, jornalistas como Audálio Dantas e Alberto Dines. Ambos, por sinal, não diplomados, embora a primeira faculdade de Jornalismo no Brasil seja de 1947, quando Dantas tinha 18 e Dines 15 anos de idade. (Os três, no entanto, portadores do devido registro profissional como jornalistas, porque, à época em que começaram a exercer a profissão, também não havia a exigência do diploma). Em resumo, é possível dizer que a defesa do sigilo da fonte como direito absoluto corre na pista da defesa da existência de partidos nazistas, como nos Estados Unidos existem. Por absurda que pareça, a convivência com nazis nem é tão absurda assim, porque, em tese, mostra a confiança absoluta na democracia. Continua após a publicidade Só que, à luz do que se vê hoje na maior potência mundial, além da proibição de partidos nazistas, bom mesmo seria se estupradores fossem submetidos à prisão em vez de levados à Casa Branca. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Juca Kfouri por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Flávia Saraiva é ouro nas barras assimétricas em etapa da Copa do Mundo Eleição já sofre cerco dos EUA. Resta saber alcance da mão peluda de Trump Cleitinho diz se arrepender de foto com Virginia na CPI: 'Não era momento' Qual exercício ajuda a aliviar gases e 'destravar' o intestino mais rápido? Carol Peixinho e Thiaguinho celebram um ano do filho: 'Tudo para mim'