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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Proibição das bets: a curiosa lógica do presidente do Flamengo Alicia Klein Colunista do UOL 29/09/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Siga o UOL Esporte no Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Luiz Eduardo Baptista, o Bap, é conhecido por suas afirmações imodestas. Em entrevista ao jornal espanhol As no início do ano, o comandante do "Real Madrid das Américas" afirmou que "o Flamengo está no Brasil hoje por acaso, porque o Flamengo é uma ilha no Brasil". Explicou também que sempre se inspira nos colegas do Velho Continente: "Em cada decisão que tomo, penso: 'Se o Flamengo estivesse na Europa, que decisão eu tomaria?'". Agora, em entrevista para o MengoCast, na insuspeita FlaTV, falou sobre suas preocupações após a proibição das bets por meio de medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na sexta-feira (25). O Flamengo foi um dos signatários da carta intitulada "Fim do futebol", publicada dias antes da MP. "O banimento, unilateral, da forma que foi, no momento que foi, é muito difícil a gente entender. Estando regulado, tendo se discutido por tanto tempo... Isso causa uma apreensão enorme para os contratos que nós assumimos para o futuro. Vou dar um exemplo clássico: como vou pagar o Paquetá em janeiro?", questionou Bap. Marco Antonio Sabino Inferno de Dante: Nossa Senhora vira cabo eleitoral Josias de Souza Campanha foi de Vorcaro a Nossa Senhora Aparecida Alicia Klein A curiosa lógica do presidente do Flamengo Felipe Salto Fim das bets salva vidas e ajuda a economia Lucas Paquetá foi contratado junto ao West Ham, da Inglaterra, por um custo total de cerca de R$ 315 milhões. O valor foi parcelado até 2028. Vejam bem. Em 2025, o Flamengo superou a marca dos R$ 2 bilhões em faturamento bruto. Em 2026, escolheu gastar quase um terço de bilhão em um único jogador. Agora, Bap se revolta por não ter sido considerado na decisão de Lula. As bets tiraram R$ 141 bilhões do PIB brasileiro. Suas consequências geraram um custo social, incluindo programas de saúde mental e prevenção de suicídio, de R$ 38,8 bilhões. Alguns suicídios não foram prevenidos e pessoas morreram desesperadas com a dívida acumulada nos sites de apostas. A ludopatia é uma doença séria, agravada pelos mecanismos de recompensa intermitente das bets, além da invisibilidade e acessibilidade do vício. É. Mas e o Paquetá? Vou me abster de comentar a ironia de o mandatário usar como exemplo um atleta que passou anos sob a acusação (não comprovada) de envolvimento em manipulação do jogo para beneficiar o mercado de apostas. De todo modo, que absurdo o Presidente da República tomar uma decisão com foco na população em geral (que inclui a torcida do Flamengo) e não calcular o impacto de sua decisão no orçamento do clube mais rico do país (que está aqui por acaso). Não pensar nas parcelas de pagamento da contratação mais cara da história do futebol brasileiro. Não avaliar contratos futuros diante de um problema presente. Revoltante mesmo. Continua após a publicidade Sempre que eu for tomar uma decisão daqui em diante, me perguntarei primeiro: vai dar para pagar o Paquetá? Siga Alicia Klein no Instagram Se inscreva no canal de Alicia Klein e Milly Lacombe no YouTube Assine a newsletter da Alicia Klein Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Alicia Klein por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Campanha foi de Vorcaro a Nossa Senhora Aparecida O que é voto útil? Tática pode impactar reta final da eleição presidencial Fim das bets salva vidas e ajuda a economia Seleção tem 7 alterações e Raphinha de '9' contra Austrália; veja escalação Paula Lima conta como descobriu Chay Suede no 'Ídolos': 'Briguei por ele'