Conteúdo Original
Futebol Enquanto Brasil se isola, rivais têm famílias, jogos com imprensa e cerveja Pedro Lopes e Thiago Arantes Do UOL, em Nova Jersey (EUA) e Barcelona (ESP) 28/06/2026 05h30 Deixe seu comentário Carlo Ancelotti conversa com jogadores da seleção brasileira no treino Imagem: Rafael Ribeiro/CBF Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A seleção brasileira optou por maior isolamento e blindagem do elenco nesta Copa do Mundo. Escolheu como base em Nova Jersey o hotel The Ridge, com entrada na estrada e acesso estritamente controlado —não é possível nem mesmo estacionar na porta, do lado de fora, sem autorização. No hotel, só entra quem é da delegação brasileira —a presença de familiares e agentes dentro do hotel não é permitida. Assessores de imprensa de atletas e jornalistas acessam apenas a área designada para entrevistas coletivas alguns minutos antes e depois delas. Houve, até agora, uma única exceção: no dia 16 de junho a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) organizou um treinamento aberto às famílias dos jogadores, que depois almoçaram dentro do The Ridge, mas não permaneceram no local. Milly Lacombe Copa da espetacularização da impunidade Josias de Souza Falta Bolsonaro se posicionar em barraco Mauro Cezar Prepare-se para a Copa do Mundo com 64 seleções Tatiana Farah O impasse de Lula e Flávio em Minas As famílias nem sequer ficam em Nova Jersey e foram alocadas a milhares de quilômetros de distância, em Orlando, na Flórida. Fora da base da seleção, há maior flexibilidade. O elenco tem recebido um dia de folga após cada partida, começando já com o amistoso preparatório diante do Egito, em Cleveland, no dia 6 de junho. Eles deixam a concentração, mas retornam no mesmo dia, à noite. Durante a folga, são livres para fazer o que quiserem, sem qualquer monitoramento. Assista aos jogos da Copa ao vivo no SBT pelo UOL Play. Assine agora a partir de R$ 14,90/mês Empresários como Neymar da Silva Santos, o Neymar pai, e Giuliano Bertolucci, que agencia vários atletas da seleção, estão na Copa do Mundo e têm ido a partidas do Brasil, mas não participam do dia a dia e não estão no ambiente de seleção. Com a imprensa e influenciadores que cobrem a rotina do grupo, a postura tem sido de tratamento igualitário e sem janelas de exclusividade. A CBF organiza coletivas quase que diárias, com algumas exceções, em geral após as partidas. Não há, entretanto, abertura para entrevistas exclusivas, individualizadas ou mesmo em menores grupos. Os líderes do elenco, como Casemiro, Danilo e Marquinhos têm o costume de parar para responder perguntas na zona mista sempre depois dos jogos, algo que não ocorre em seleções rivais. Continua após a publicidade Outras seleções Espanha A comparação com a seleção brasileira em termos de acesso da mídia soa quase como covardia. A assessoria de imprensa organiza uma média de quatro entrevistas exclusivas por dia, para diferentes meios de comunicação —espanhóis e internacionais. Todos os dias, os principais jornais e rádios da Espanha têm conteúdo novo e não há restrições de jogadores. No domingo em que estreou como titular na Copa, contra a Arábia Saudita, Lamine Yamal estava na capa do jornal "El País". A plataforma DAZN, detentora dos direitos de transmissão na Espanha, tem uma entrevista exclusiva diária, com exceção dos dias de jogos. "É uma estratégia inteligente. Se os jornalistas têm entrevistas com os jogadores ou a comissão técnica, têm menos tempo para irem atrás de pautas que poderiam ser críticas à seleção ou à federação", disse ao UOL um repórter espanhol. Continua após a publicidade Na segunda-feira (22), os repórteres foram convidados para um almoço na concentração, do qual também fizeram parte o técnico Luis de la Fuente e a comissão técnica. No cardápio, além das tradicionais tapas espanholas, havia cerveja para os convidados. Álex Baena, da Espanha, comemora gol contra o Urugai na Copa do Mundo Imagem: REUTERS/Eloisa Sanchez Com relação às famílias e amigos dos jogadores, o acesso é mais restrito. Os familiares estão em hotéis próximos à concentração, mas o contato só acontece em janelas específicas —sejam dias de folga ou horários marcados. Inglaterra A Inglaterra tem a base em Kansas City e tem sido bastante aberta com a mídia. Entre as partidas, há um "media day", em que jogadores e treinador dão entrevistas para pequenos grupos. Jornalistas que cobrem o English Team nos Estados Unidos descrevem a relação como "boa, com um clima bem relaxado". A boa relação, além das entrevistas, fica evidente em atitudes mais despojadas: é comum que haja uma competição de dardos entre um jogador do time e um representante da imprensa. Continua após a publicidade Harry Kane e Jude Bellingham comemoram gol da Inglaterra contra o Panamá na Copa do Mundo Imagem: Bradley Collyer/PA Images via Getty Images Os ingleses gostaram tanto das instalações e da estrutura que decidiram sempre voltar para Kansas, mesmo tendo seus jogos em cidades como Nova York ou Cidade do México. As famílias estão em Miami desde as semanas anteriores à Copa. Elas podem ir aos jogos e encontrar os atletas em momentos de folga, mas não há permissão para que entrem no hotel-concentração. França A França sempre foi conhecida por ser uma seleção fechada para a imprensa durante as competições. Mas, para compensar a falta de entrevistas exclusivas na concentração nos Estados Unidos, a Federação Francesa (FFF) organizou um evento para os meios de comunicação em sua sede, em Clairefontaine, nos arredores de Paris. Durante esse período — similar ao que é a concentração da seleção brasileira na Granja Comary — os jogadores gravaram conteúdos que são publicados ao longo da Copa. Continua após a publicidade O "L'Équipe", maior jornal do país, já publicou entrevistas com Michael Olisé, Lucas Digne e Dayot Upamecano, além de um vídeo em que Kylian Mbappé apresenta seus colegas de seleção. Ousmane Dembélé comemora terceiro gol da França em partida contra a Noruega na Copa Imagem: Dylan Martinez/REUTERS Pela primeira vez sob o comando de Didier Deschamps, os jogadores receberam mais liberdade durante esta Copa do Mundo. Eles podem receber visitas de familiares no hotel por uma ou duas horas por dia e já tiveram duas noites livres. Além disso, pela primeira vez, as famílias puderam passar a noite no hotel da delegação na noite anterior à terceira partida da fase de grupos, contra a Noruega. Argentina A seleção argentina é a que mais evita qualquer contato com os jornalistas. Não há entrevistas exclusivas para nenhum meio de comunicação, os treinos são fechados e não há nem mesmo entrevistas coletivas fora das janelas obrigatórias da Fifa — no dia anterior aos jogos. Continua após a publicidade "É um pesadelo. Não nos dão nada. Nem bom dia", disse ao UOL um jornalista que cobre a seleção argentina há três Copas do Mundo. No que diz respeito às famílias, os argentinos são até um pouco mais abertos que a seleção brasileira. O encontro entre jogadores e familiares tem dia e hora marcados: há uma organização definida, sempre sob controle da comissão técnica. Em alguns dias a comissão avisa aos atletas que eles terão a tarde livre, o chamado "Family Day". Nessas ocasiões, os jogadores alugam hotéis ou casas para passar momentos de privacidade com suas famílias, fora da concentração. Mesmo quando não há um "Family Day" formal, os familiares ainda podem entrar na concentração. Nesses casos, há áreas específicas liberadas para a convivência, sempre mediante autorização da comissão técnica. Copa 26 Alemanha Conhecida por ser uma das mais abertas e amistosas com a imprensa, a seleção alemã mantém a tradição na Copa do Mundo deste ano: a assessoria oferece possibilidades de entrevistas exclusivas com jogadores, e cria um ambiente amigável para os repórteres nas entrevistas coletivas. Continua após a publicidade Mas a grande revolução está mesmo no acesso das famílias à concentração: esposas, filhos e até pais de jogadores têm sido incentivados a passar tempo com os atletas durante o dia, fora dos horários de treinos. O técnico Julian Nagelsmann também entrou na onda: a esposa e a mãe dele estão acompanhando a Copa. 14.jun.2026 - Julian Nagelsmann, técnico da Alemanha, no jogo contra Curaçao, em Houston (EUA) Imagem: REUTERS/Annegret Hilse Alguns familiares puderam até viajar no mesmo avião da delegação, na volta das partidas. Também há uma abertura para que, em dias definidos pela comissão técnica, as mulheres e namoradas possam passar a noite na concentração. Essa postura mais aberta dos alemães tem explicação: na Copa de 1994, houve um debate intenso sobre liberar ou proibir a presença das mulheres no ambiente da seleção. O debate virou crise, e o time acabou eliminado nas quartas de final. Um dos jogadores que defendia a presença das esposas era o então atacante Rudi Voller, hoje diretor técnico da DFB (a federação de futebol do país). Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Gusttavo Lima cancela show e revolta prefeito que o contratou: 'Ladrão' Falta ao barraco de Michelle com Flávio uma posição de Bolsonaro Neonazista brasileiro condenado por assassinato é preso na Itália A Copa da espetacularização da impunidade PVC: 'França, Holanda, Argentina e Espanha são melhores que o Brasil'