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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Espanha e Argentina têm as duas coisas que o Brasil não constrói faz tempo Julio Gomes Colunista do UOL, em Nova Jersey (EUA) 16/07/2026 17h15 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Argentina e Espanha são finalistas da Copa do Mundo de 2026 Imagem: Montagem UOL/Getty Image A final da Copa do Mundo vai colocar frente a frente as duas seleções que mais mereceram estar nela. Talvez essa seja a coisa mais irritante para alguém que torça de verdade pela seleção brasileira. O Brasil não tem, há muito tempo, as duas principais coisas que Espanha e Argentina mostraram neste Mundial. No caso da Espanha, a bola. No caso da Argentina, a garra, a vontade de vencer de qualquer maneira, a recusa em se render. Não é que seja sempre assim. Não é que o Brasil tenha que ser igual à Argentina. Isso é uma bobagem. Inclusive, na maior parte da história, os argentinos é que sempre quiseram ser como os brasileiros. Porque, sim, jogávamos bola. Wálter Maierovitch Bolsonaro se acovarda e joga o filho Flávio ao mar PVC A mexicanização do futebol brasileiro Sakamoto Após ataque ao Brasil, Flávio apoia o agressor Alexandre Borges Argentino e espanhol, Messi já ganhou a Copa É aí que as coisas se misturam. A seleção brasileira pode até ter seus momentos e continuará sempre sendo competitiva. Mas bola, bola mesmo, é algo que já não sabemos jogar faz tempo. Qual é o nosso estilo? Quando o Brasil entra em campo, o que apresentamos ao mundo? Os argentinos sempre tiveram inveja disso. E nós sempre tivemos inveja da raça deles. Como eu disse, já houve times recentes da Argentina que não tinham essa mesma vontade que tem a seleção atual. Inclusive, Messi era chamado de "peito frio". Seleções recentes da Argentina faziam com que muita gente no nosso país vizinho dissesse que era impossível Messi atingir o nível de Maradona. Tinha bola, mas não tinha vontade. Esta seleção atual da Argentina coloca em campo aquilo que muitos times do passado colocavam: o coração na ponta da chuteira. É uma seleção que está esgotada fisicamente, que não chegou bem ao Mundial, mas que simplesmente se recusa a perder. É tudo o que não vimos na seleção brasileira ao longo deste século inteiro. Talvez, em algum momento, o time de Dunga, no ciclo de 2006 a 2010, tenha mostrado algo parecido. Mas muito pouco. E, além disso, a raça nunca foi a nossa marca. A entrega em campo deveria ser o mínimo para qualquer time, para qualquer seleção. Já que nos perdemos no futebol, pelo menos que houvesse isso: entrega total, comprometimento absoluto. E não é o que vemos na seleção brasileira da geração Neymar. A química entre Messi e o resto da seleção argentina, sempre levando em conta a importância de Scaloni nisso, gerou uma seleção que nem os argentinos acreditavam que voltariam a ver. Uma seleção raçuda com um supercraque em campo. Quer combinação melhor? Pois é. A Espanha e a França são as seleções que fazem hoje aquilo que o Brasil fazia no passado. Mais a Espanha do que a França, no sentido de representar uma escola de futebol, um jeito de jogar, um jeito corajoso de encarar o jogo. A Espanha é um time que gosta da bola e que gosta de ser protagonista, que gosta de fazer os rivais sucumbirem. Igualzinho ao Brasil de antigamente. A Espanha não trata a bola como inimiga. A Espanha não se esforça por obrigação; se esforça por prazer, porque é gostoso jogar bola. Em algum momento, quando a Espanha ganhou a Copa do Mundo de 2010, era nítida a má vontade do brasileiro com os espanhóis por pura ciumeira. Eles já faziam aquilo que havíamos deixado de fazer. E nós, donos de um eterno complexo de pitbull quando se trata de futebol, achávamos que não era possível outro país querer vir dar aulinha para nós. Continua após a publicidade Por isso, aquela vitória contundente na final da Copa das Confederações de 2013 fez tanta gente estufar o peito. Claro, um ano depois viria o 7 a 1. E o peito já tinha desestufado. A Espanha é dona, há muito tempo, de um futebol marcante e característico. Ela é o que nós deixamos de ser. A Argentina é o que nós gostaríamos de ser, já que deixamos de ser o que a Espanha é. Não dá para ter mais inveja dessa final. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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