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Futebol 'Vinidependência' não é acaso: Brasil foi idealizado para turbinar atacante Danilo Lavieri e Paulo Vinicius Coelho (PVC) Do UOL, em Nova Jersey (EUA) 26/06/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Vini Jr comemorando gol contra a Escócia na Copa do Mundo Imagem: Megan Briggs/Getty Images Antes de a Copa começar, Carlo Ancelotti tinha muitas dúvidas sobre a seleção brasileira. Precisava entender melhor as opções que tinha, testar combinações e encontrar uma identidade para um grupo que ainda conhecia pouco. Mas havia uma convicção desde o primeiro dia: o Brasil precisaria de um Vinicius Júnior no auge para sonhar com o hexacampeonato. O protagonismo do atacante na primeira fase do Mundial, portanto, não é inesperado. É resultado de um plano construído pela comissão técnica desde a chegada do treinador. A chamada "Vinidependência" foi desenhada por Ancelotti. A ideia era dar liberdade para que ele se desgastasse menos marcando e tivesse "mais perna" atacando. Os números ajudam a explicar. Vinicius participou diretamente de cinco dos sete gols marcados pela seleção na fase de grupos. Foram quatro gols e uma assistência. Se não tivesse tido um gol anulado, dividiria a artilharia da Copa com Lionel Messi. O caminho até esse cenário, porém, não foi linear. Julián Fuks Elogio dos amores menos absolutos Mariana Barbosa Fraude na Americanas tem perguntas sem respostas Marco Antonio Sabino Pelos números, Tarcísio já ganhou; será tão fácil? Paulo Camargo Carlo Ancelotti não é brasileiro; e daí? PVC Em alguns jogos do ciclo, Ancelotti tentou utilizar Vinicius mais centralizado. A ideia era reduzir o desgaste defensivo e deixá-lo mais próximo da área adversária. Depois, voltou a escalá-lo aberto pela esquerda, mas adaptou o restante da equipe para protegê-lo. Matheus Cunha passou a fechar aquele setor sem a bola, permitindo que Vinicius economizasse energia para acelerar nos contra ataques e nos momentos decisivos. Todos os testes eram feitos para potencializá-lo. A fórmula chegou a dar sinais positivos contra o Panamá, mas perdeu força quando Ancelotti testou Raphinha ocupando o corredor esquerdo por dentro diante do Egito. Contra o time da América Central, marcou um gol, deu uma assistência e foi o principal destaque ofensivo da equipe. Assista aos jogos da Copa ao vivo no SBT pelo UOL Play. Assine agora a partir de R$ 14,90/mês A queda foi significativa diante dos africanos. Segundo o Sofascore, Vinicius tocou na bola apenas 20 vezes, uma queda de 33% em relação às 30 participações registradas contra os panamenhos. O volume de dribles também despencou: foram apenas três tentativas, metade das realizadas na partida anterior. Contra Marrocos, repetindo essa estratégia aplicada contra o Egito, Vinicius não teve atuação brilhante, mas decidiu a partida com um golaço justamente quando a seleção sofria pressão. A comissão técnica recuou. Recuperou a estrutura que dava maior liberdade ao camisa 7 e voltou a aproximar Matheus Cunha para equilibrar o lado esquerdo. O resultado apareceu imediatamente nas goleadas sobre Haiti e Escócia, quando Vinicius voltou a ser o principal nome da equipe. Continua após a publicidade O desempenho também coloca o atacante em um grupo histórico. Ao marcar nos três jogos da primeira fase, igualou Jairzinho, Romário, Ronaldo e Rivaldo como os únicos brasileiros a balançar as redes em todas as partidas da fase de grupos de uma Copa do Mundo. Também se aproxima de Neymar. Agora soma cinco gols em Mundiais, contra oito do camisa 10, mas disputando apenas sua segunda Copa contra quatro do santista. Para Ancelotti, o rendimento não surpreende. Desde os tempos de Real Madrid, o treinador sempre acreditou que Vinicius poderia decidir grandes competições. Em março, antes mesmo da Copa, o brasileiro já era o jogador com mais participações diretas em gols em confrontos eliminatórios da Champions League na última década, com 28 contribuições, sendo 16 gols e 12 assistências. A admiração é mútua. Vinicius costuma dizer que foi justamente Ancelotti quem refinou aspectos importantes do seu jogo, principalmente a finalização, e criou as condições para que ele alcançasse o posto de melhor jogador do mundo no Real Madrid. "Fizemos nosso melhor jogo com o Ancelotti. Ele é o melhor técnico do mundo e consegue entender muito bem os jogadores que ele tem e se adapta. Ele sempre vai dar uma melhor formação para cada equipe", afirmou o atacante após a vitória sobre a Escócia. A confiança também aparecia antes mesmo da bola rolar na Copa. Vinicius chegou ao torneio dizendo que vivia o melhor momento da carreira e que o Brasil tinha condições de conquistar o título. Se ainda havia alguma dúvida sobre quem assumiria o protagonismo da equipe, ela ficou para trás na fase de grupos. O desafio agora será outro. Com o mata mata começando, é natural que os adversários passem a concentrar ainda mais atenção sobre o principal jogador brasileiro. Ancelotti sabe disso e tenta evitar que a seleção se torne previsível. Continua após a publicidade Nesse cenário, Matheus Cunha aparece como o principal aliado. Além do trabalho tático que libera Vinicius para atacar, o atacante já marcou três gols no Mundial, mesmo tendo iniciado uma das partidas no banco de reservas. É justamente essa combinação que a comissão técnica espera manter para que o plano desenhado desde o início continue funcionando quando os jogos passarem a valer uma eliminação. 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