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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Vini, Raphinha, Casemiro: a geração sem personalidade e sem rumo Milly Lacombe Colunista do UOL 06/07/2026 09h47 Deixe seu comentário Errata: este conteúdo foi alterado Vini Jr. durante o primeiro tempo de Brasil x Japão, pela 2ª fase da Copa do Mundo Imagem: Maria Lysaker/Reuters Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Vini Jr, outra vez, ficou na saudade do que ainda não viveu com a camisa da seleção. Craque, muito craque. Mas um craque a quem falta poder de liderança. Um craque incapaz de assumir seu lugar como figura central de um time sem figuras centrais que consigam inspirar e fazer circular afeto. Existe um motivo para isso e ele me parece saltar aos olhos: Vini se submete ao poder de Neymar. Essa é uma geração que, de forma quase total, se submete à liderança de Neymar. A masculinidade, ensina a antropóloga Rita Segato, é hierárquica. Funciona como uma corporação: com um macho alfa e outros machos que imitam, lambem e se submetem ao alfa. Casemiro, Raphinha, Vini, João Pedro e tantos outros precisam sempre deixar claro em entrevistas o que sentem por Neymar. Vini não pode, portanto, brilhar mais do que seu herói. Não se trata de um comportamento tão consciente, obviamente. Essa é uma geração que se ajoelha para Neymar e João Pedro praticamente abriu mão da vaga em nome da convocação de sua inspiração. Podemos até tentar entender de forma racional essa devoção e fracassaremos. Neymar nunca fez nada pela seleção brasileira. Ganhou com ela uma Copa das Confederações e foi isso. Olimpíada, como sabemos, não é torneio profissional. E, ainda assim, ele é colocado no pedestal. Só a estrutura da masculinidade explica esse sentimento. Meninos que nunca viram Neymar jogar amam o craque pelo mesmo motivo: a hierarquia. Assim como acontece com influenciadores e jornalistas que se recusam a avaliar Neymar pelos fatos e seguem constrangedoramente agarrados à uma idolatria de dimensões ridículas e deprimentes. Milly Lacombe Vini, Raphinha, Casemiro: a geração sem personalidade Mauro Cezar Vini bate pênalti mal e não deveria ter cobrado Alicia Klein A Copa do Mundo de Neymar foi um sucesso Alexandre Borges Os riscos de promover provocadores políticos Falta a Vini a maturidade necessária para ser uma liderança em campo. A geração Neymar é composta por moleques e não por homens. A reação de Casemiro dando entrevista à Cazé TV depois da eliminação mostra do que são feitos. Como uma criança, não conseguiu falar e disse que queria ir para casa. Uma reação que deixou pouco a desejar aos jovens que fazem a própria Cazé TV, que foram da mais absoluta ilusão sobre o hexa, baseados em sonhos delirantes, para a mais pura revolta depois da eliminação. Jovens adolescentes, ainda sem ferramentas para lidar com a vida adulta, se comportam nesses termos: não aprofundam a reflexão, não acham nuances e contradições e, diante da primeira frustração, vão da euforia ao chilique. Mas homens não deveriam agir assim. Fico pensando o que a audiência composta por jovens achou das reações pós jogo. Num minuto, pachecos exaltados em grau máximo. No outro, pirraças, revoltas e postura de quem está em um velório. É no momento da frustração que as lideranças aparecem e essa eliminação do Brasil revelou, mais uma vez, que os homens que comandam esse show não estão prontos para liderar coisa alguma. O que esperávamos? A atitude de Didi indo pegar a bola no fundo da rede brasileira depois do gol da Suécia na final de 58. Altivo, imponente, tranquilo, imenso. Assine UOL e ganhe acesso a conteúdos exclusivos + uma camiseta da loja de UOL Esporte para torcer na Copa. A estrutura psicológica dessa geração é juvenil. Eles têm carros do Batman, veneram super-herois, jogam vídeo game, falam como adolescentes e traem suas mulheres como só os babacas imaturos são capazes de fazer. Essas são características de uma masculinidade adoentada e estão presentes em muitos homens que, pelos mesmos motivos, amam Neymar de forma arrebatadora. Não ousem falar mal do meu macho-alfa porque perco as estribeiras e esperneio por ele. A geração Neymar é, como o nome dado a ela, individualista. Pouco tática e bastante técnica, ela não é capaz de entender o coletivo a não ser para se contrapor a outros. A participação de Neymar no jogo contra a Noruega diz tudo o que precisamos saber sobre essa geração: birrenta, pirracenta, chorona, infantilizada. Neymar lidera as estatísticas da molecagem, mas os demais agem a sua imagem e semelhança em maior ou menor grau. Vini, Raphinha ou Casemiro só serão capazes de assumir uma liderança se deixarem Neymar ir embora e tiverem coragem para crescer. Terapia é uma saída. Talvez a única. A questão com Vini é que ele talvez não precise desse lugar que nós queremos para ele. É complexo julgá-lo por não querer. Ele já venceu muitas batalhas na vida e segue travando uma luta sem fim contra o racismo. Mas um mergulho para dentro de si mesmo seria a alternativa caso ele queira se livrar da sombra de Neymar e abraçar a totalidade de seu destino. Talento Vini tem de sobra. Assim como os demais também têm. É uma pena que tenham nascido na mesma geração de Neymar. Escolheram o homem errado para imitar e paparicar. Errata: o conteúdo foi alterado Diferentemente do informado no texto, Neymar ganhou uma Copa das Confederações com a seleção brasileira, e não uma Copa América. A informação foi corrigida. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Uefa detona Fifa por anulação de cartão de Balogun: 'Cruzou linha vermelha' Guimarães diz que estudou goleiro norueguês antes de pênalti: 'Fui infeliz' 'Vida virou um inferno', diz moradora de Pinheiros sobre barulho de bares Vini Jr. deveria ter batido pênalti contra a Noruega? Colunistas debatem Hamas anuncia saída do governo de Gaza após quase 20 anos