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Futebol Dos estádios ao transporte: Copa do Mundo de 2026 ignora o padrão Fifa Rodrigo Mattos e Thiago Rabelo Colunista do UOL e Colaboração para o UOL, em Nova Jersey (EUA) 17/07/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Brasileiros em estádio nos EUA: sem padrão Fifa Imagem: Arquivo Pessoal A Copa do Mundo de 2026 ficará marcada pelo desprezo ao tão proclamado padrão Fifa, cujos parâmetros o Brasil conheceu quando recebeu o evento, em 2014. Se a Fifa (Federação Internacional de Futebol) exigiu nas últimas edições do Mundial investimentos dos governos em estádios e infraestrutura, Canadá, Estados Unidos e México passaram quase ilesos no torneio deste ano. Sede que mais recebeu jogos, os EUA trataram a Copa do Mundo como um torneio qualquer. Letícia Casado Candidatura de Flávio é questionada após tarifaço Daniela Lima Flávio Bolsonaro trata tarifaço como meme PVC A mexicanização do futebol brasileiro Sakamoto Após ataque ao Brasil, Flávio apoia o agressor Pelas ruas das cidades, os jogos foram ignorados por boa parte dos americanos -o futebol não está entre as modalidades mais populares do país. O alto custo afastou turistas e também um maior envolvimento da comunidade local, que se sentiu pouco atraída para prestigiar ou conhecer melhor o futebol. Para a final, por exemplo, os ingressos mais baratos custam US$ 4 mil (cerca de R$ 20 mil) e têm provocado críticas de torcedores argentinos e espanhóis. Argentina e Espanha decidem o título neste domingo, às 16h (horário de Brasília), em Nova Jersey. Brasileiro invade bandeiraço argentina na Times Square durante a Copa Imagem: Carolina Herrera/REUTERS Sem estádios novos Para receber os 104 jogos, Canadá, EUA e México não construíram nenhum estádio. Continua após a publicidade A Fifa escolheu 16 sedes para receber o torneio, com um investimento total entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões (entre R$ 7 e R$ 10 bilhões). No Brasil, por exemplo, todos os 12 estádios foram construídos ou tiveram uma grande reforma para receber a competição em 2014. A exigência da entidade máxima do futebol fez com que estádios históricos ou em melhor localização fossem preteridos por conta do padrão Fifa. O verão norte-americano chegou a registrar temperaturas acima de 40ºC, com ondas de calor e até tempestades. Para minimizar o problema, cinco estádios eram cobertos e climatizados: Dallas, Houston, Atlanta, Los Angeles e Vancouver (Canadá). Os outros estádios eram abertos e ficaram expostos aos problemas climáticos. O jogo da França contra o Iraque, na Filadélfia, em 22 de junho, foi interrompido por conta do temporal que caiu na cidade. Continua após a publicidade Festival de pontos cegos O afrouxamento do padrão Fifa também aconteceu na acessibilidade dos estádios. No Brasil, o Comitê Organizador Local exigiu que não houvesse nenhum ponto cego nos estádios. Para atender aos requisitos, o Maracanã teve que derrubar sua arquibancada monumental em dois níveis para fazer uma contínua porque os lugares abaixo tinham pontos que não permitiam visão do gramado. Já nos EUA, não houve exigência, o que provocou queixa de vários torcedores. Em Dallas, muitos não conseguiram ver as laterais do campo e tinham de acompanhar o jogo em um telão de 48x21 metros. Torcedores do Marrocos celebram após vitória: festival de pontos cegos Imagem: REUTERS/Eloisa Sanchez Continua após a publicidade R$ 500 pelo bilhete de metrô O transporte público foi o ponto mais delicado e ignorado pelo poder público durante a Copa do Mundo. Além de não oferecer nenhum incentivo ao torcedor, os valores foram inflacionados. Quem quiser ir de metrô para a final no domingo terá de desembolsar US$ 98 (cerca R$ 500) por uma passagem que em dias normais é de US$ 13 (cerca de R$ 61). Nas últimas edições da Copa, a Fifa fez um acordo com os governos locais para que o transporte público fosse de graça para torcedores com ingressos dos jogos. Mas, para 2026, não houve nenhum plano para locomoção dentro das cidades, muito menos para viagens domésticas e entre os países-sede. Para acompanhar todas as partidas do seu país, os torcedores pagaram mais de US$ 500 (cerca de R$ 2500) em cada passagem aérea, além dos gastos com ingressos, alimentação e deslocamento. Continua após a publicidade Um exemplo da falta de incentivo é a comparação com a Eurocopa de 2024, na Alemanha. Torcedores com ingressos dos jogos tinham uma tarifa especial de até 19 euros (cerca de R$ 111) em um bilhete que tem como preço normal um valor acima de 100 euros (R$ 585). Há um consenso entre torcedores e jornalistas que esta é a Copa do Mundo com menos cara de Copa do Mundo. Em Nova York, um morador pode facilmente não ter conhecimento do torneio diante do tamanho desprezo pela competição na cidade e das autoridades. Fora da área mais turística da cidade, há dificuldades para encontrar bares ou eventos ligados ao esporte. As aglomerações acontecem na região do estádio Metlife, em Nova Jersey, ou na Times Square, local que virou ponto de encontro de torcedores de todos os países. Continua após a publicidade O último ato desta Mundial ocorre neste domingo, com a final entre Argentina e Espanha, às 16 horas, em Nova Jersey. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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