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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte A Copa que expôs as vísceras apodrecidas do poder Milly Lacombe Colunista do UOL 20/07/2026 14h26 Deixe seu comentário Donald Trump, presidente dos EUA, ao lado de Gianni Infantino, presidente da Fifa, em cerimônia de premiação da Copa do Mundo Imagem: Carl Recine/Getty Images Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Gianni Infantino será lembrado como o presidente que submeteu a Fifa ao fascismo de Donald Trump. O italiano e seu inconfundível tênis imaculadamente branco revelaram tudo o que suspeitávamos sobre como o poder opera nas instâncias mais altas. Desde que haja retorno financeiro, tudo passa a ser aceitável e tudo é contornável. O juiz australiano que fez o gesto característico dos supremacistas brancos seguiu trabalhando como se nada tivesse feito enquanto o árbitro da Somália era, por motivo nenhum, deportado. O preço abusivo dos ingressos e partidas realizadas a poucos quilômetros de ilegais e imorais campos de detenção onde corpos de pessoas não brancas se acumulam sob condições insalubres passam a ser legitimados. O presidente condenado por estupro até tentou sair na foto do título e o que vemos na imagem é bastante esclarecedor: o corpo alaranjado de Trump colocado à margem, mas ainda dentro da foto. Ele está lá, mas por pouco já não está mais. A Copa na qual a suspensão por expulsão foi retirada a pedido do presidente autoritário que se lambuza masturbatoriamente do próprio poder enquanto Infantino, sentado sobre uma pilha de dinheiro, observa sorrindo. Quantos tênis ainda mais brancos e ainda mais cafonas ele agora poderá comprar? Mauro Cezar Copa no Qatar foi muito melhor em vários aspectos Juca Kfouri Copa machucou o futebol por interesses econômicos Arnaldo Ribeiro Argentina sem Messi é uma interrogação para o futuro Ricky Hiraoka Copa: quem se deu bem e quem se deu mal na TV O futebol se impõe aos abusos que sofre e resiste. Cabo Verde, Egito, Vozinha, Messi, Bellingham, Haaland, a torcida inglesa, o gol da virada no último lance, a República Democrática do Congo - o futebol avisa que vai ter luta. Atletas acusados de estupro em campo e elogiados por comentaristas como "homem de postura". Foi o que tivemos que escutar a respeito de Hakimi, o lateral direito marroquino que agora será julgado por ter forçado sexo contra uma mulher. O racismo facilmente identificado em parte da torcida argentina e ignorado no interior da nossa própria torcida. O poder esteve presente na Copa dos Estados Unidos representado sem fantasias. Nas tribunas de "honra" dos estádios um desfile de corpos masculinos; a masculinidade celebrada em todas as suas formas e violências. Intervalos comerciais inseridos entre os tempos regulamentares, a figura do DJ que ensurdece enquanto narcotiza a massa. As casas de apostas e os cassinos online como donos da festa. Estava tudo ali para ser visyto, à luz do dia e sob o calor do fim do mundo. E eu diria que tudo foi visto e reconhecido. O poder putrefato já não pode mais se esconder. O final dessa história não vai ser bonito, mas vai ser emancipatório. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Brasil entra na rota de criação dos apps para polêmicos óculos inteligentes 'Menino da Lei' é condenado a pagar R$ 30 mil após vídeo sobre imobiliária Trump ameaça e afirma que Irã pagará por cada soldado americano morto Homem é preso após cobrar R$ 8.000 por caipirinhas de turista no Rio Câncer de próstata, doença de Lito, pode ser silencioso: quais os sintomas?