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Esporte Futebol Copa do Mundo Brasileiros estão buscando se a seleção voltará à Copa. O que explica isso? Lucas Almeida Do UOL, em São Paulo 08/07/2026 14h38 Deixe seu comentário Ancelotti conversa com Endrick no intervalo de Brasil x Japão Imagem: Michael Regan - FIFA/FIFA via Getty Images Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A possibilidade de uma "repescagem" para recolocar seleções eliminadas na Copa do Mundo de 2026, incluindo o Brasil, virou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais e impulsionou as buscas no Google. O que aconteceu A informação é falsa. A Fifa não anunciou, nem estuda oficialmente, uma repescagem para seleções eliminadas durante a Copa do Mundo. O boato surgiu como uma brincadeira nas redes sociais e, depois, acabou sendo transformado em fake news por meio de montagens que imitavam comunicados oficiais da entidade. As buscas dispararam após a viralização do boato. Dados compartilhados pelo Google com o UOL mostram que o interesse pelo tema aumentou 750% em relação às últimas 24 horas e 5.000% na comparação com a semana anterior. Juca Kfouri O VAR seletivo e a proteção à Argentina PVC Fifa abriu a porta do inferno com o caso Balogun João Paulo Charleaux Flávio calcula errado, e estratégia sai pela culatra José Paulo Kupfer FMI está mais otimista com o Brasil que os brasileiros Como surgiu a história da 'repescagem'? Tudo começou com o caso envolvendo Folarin Balogun. O atacante da seleção dos Estados Unidos recebeu cartão vermelho na vitória sobre a Bósnia e Herzegovina, pelas oitavas de final da Copa, e seria suspenso automaticamente da partida seguinte. Dias depois, porém, a Fifa anulou a suspensão e aplicou apenas uma multa ao jogador. A decisão provocou críticas por causa da atuação de Donald Trump. Antes da mudança, o presidente dos EUA telefonou para Gianni Infantino, presidente da Fifa, pedindo uma revisão da punição . Embora a entidade afirme que a decisão foi tomada de forma independente, a coincidência entre a ligação e a mudança de entendimento alimentou acusações de interferência política e gerou críticas. Os Estados Unidos acabaram eliminados mesmo assim. Com Balogun liberado para jogar, a seleção americana enfrentou a Bélgica, mas foi derrotada por 4 a 1 e deu adeus ao Mundial . Como o meme virou fake news A eliminação deu origem às primeiras piadas. Nas redes sociais, usuários começaram a brincar que, depois de conseguir reverter a suspensão de Balogun, Trump tentaria convencer a Fifa a criar uma "repescagem" para devolver os EUA à competição. Publicações satíricas chegaram a afirmar, em tom de humor, que Infantino anunciaria uma fase inédita no mata-mata. Continua após a publicidade UMA NOVA CHANCE! Após a eliminação dos Estados Unidos da Copa do Mundo, a FIFA anunciou uma fase inédita de repescagem. "Era uma ideia planejada desde o começo", disse Gianni Infantino. pic.twitter.com/HDv2aCxNv0 -- Nação Marvel (@nacaomarvell) July 7, 2026 A brincadeira rapidamente foi ampliada. Alguns perfis passaram a dizer que a suposta repescagem também beneficiaria outras seleções eliminadas, como o Brasil. O humor deixou de ser apenas sobre os Estados Unidos e passou a ironizar a possível influência de Trump sobre decisões da Fifa. Aquele tipo de notícia que a gente não sabe se fake pq se trata de Trump e da corrupta FIFA -- Macaco D. Lucas (@otaldopalha) July 7, 2026 Depois surgiram montagens apresentadas como verdadeiras. Imagens passaram a circular reproduzindo a identidade visual da Fifa e atribuindo falsamente a Infantino uma declaração sobre a criação de uma repescagem extraordinária. Em uma delas, o dirigente aparece supostamente afirmando que recebeu um pedido de Trump e que a entidade analisaria a solicitação. Em outra, há até um falso chaveamento da repescagem. Continua após a publicidade Imagens circulam nas redes sociais reproduzindo a identidade visual da Fifa e atribuindo falsamente a Infantino uma declaração sobre a criação de uma repescagem na Copa Imagem: Reprodução/Redes sociais Por que a informação é falsa? Não existe nenhum anúncio oficial da Fifa. A entidade não publicou qualquer comunicado informando a criação ou o estudo de uma repescagem para a Copa do Mundo. Após a eliminação dos Estados Unidos, o torneio seguiu normalmente com as quartas de final previstas no calendário. O regulamento da Copa nunca previu essa possibilidade. Depois de iniciado o mata-mata, as equipes eliminadas deixam definitivamente a competição. Não há mecanismo para reintegrar seleções ao torneio por meio de uma fase extra. As imagens compartilhadas nas redes não comprovam a história. Embora utilizem logotipos, fotos e elementos gráficos semelhantes aos da Fifa, as montagens não correspondem ao padrão dos comunicados oficiais da entidade e atribuem declarações que nunca foram registradas por veículos de imprensa nem divulgadas pelos canais oficiais da organização. Por que as pessoas acreditam em fake news? Emoções abrem a porta para a desinformação. Conteúdos que despertam expectativa, surpresa, medo, raiva ou indignação tendem a capturar a atenção e a circular mais, o que aumenta a chance de serem aceitos como verdade. Continua após a publicidade Viés de confirmação faz a pessoa aceitar o que combina com o que ela já pensa. A tendência é dar crédito a mensagens alinhadas a crenças prévias e ignorar ou rejeitar informações que contrariem essas convicções. Atalhos mentais substituem a checagem. Muita gente confia na própria intuição, lê só a manchete e evita o trabalho de conferir origem e contexto antes de comentar ou compartilhar. Algoritmos e bolhas isolam e reforçam crenças. Plataformas recomendam conteúdos parecidos com o que o usuário já consumiu, o que facilita conviver apenas com versões que confirmam a própria visão e dificulta aceitar fatos que contradizem. Pressão social e busca por validação empurram o compartilhamento. Quando um post tem muitas curtidas e compartilhamentos, cresce a sensação de que ele é confiável, e a interação nas redes vira uma forma de ganhar atenção e reconhecimento. Mesmo após correções, a informação errada pode persistir. A memória e a repetição ajudam a fixar a versão falsa, e algumas pessoas mantêm a crença mesmo depois de checagens apontarem o erro. * Com informações de reportagens publicadas em 20/06/2023 , 14/08/2018 e 09/07/2023 . Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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