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Entenda a situação do Irã na Copa do Mundo A Copa do Mundo ainda nem começou, mas a delegação do Irã tem tido dificuldades de todo tipo durante a preparação. Nenhuma outra seleção passa por semanas tão turbulentas, e a lista inclui a mudança da base de treinamentos, os vistos aprovados de última hora e três amistosos cancelados. + Veja a tabela completa da Copa do Mundo 1 de 2 Soldados da Guarda Nacional do México na porta do hotel da seleção iraniana, em Tijuana — Foto: REUTERS/Jorge Duenes Soldados da Guarda Nacional do México na porta do hotel da seleção iraniana, em Tijuana — Foto: REUTERS/Jorge Duenes Por algumas semanas houve dúvida sobre a própria presença da seleção do Irã na Copa do Mundo , afinal 75% dos jogos do torneio são nos Estados Unidos, e os dois países estão em guerra. O presidente Donald Trump chegou a dizer, em março, que a participação seria "inapropriada, para a própria vida e segurança deles". A presença foi confirmada há apenas um mês, e sob exigências sobre vistos, segurança reforçada e respeito aos símbolos iranianos. Agora, as cenas da seleção iraniana na América do Norte são impactantes: o deslocamento dos jogadores no México é acompanhado por caminhonetes com soldados da Guarda Nacional, de rifles à mostra. Os iranianos só treinam no país porque a burocracia nos EUA atrasou a aprovação de vistos, o que forçou a mudança na preparação. A longa saga dos vistos A seleção iraniana garantiu classificação para a Copa do Mundo em março do ano passado, nas Eliminatórias Asiáticas, mas os jogadores só tiveram seus vistos dos EUA aprovados a seis dias da abertura, na última sexta-feira (5). Ainda assim, quinze funcionários da Federação do Irã tiveram seus pedidos rejeitados e não podem entrar nos Estados Unidos, incluindo o presidente da FFIRI, Mehdi Taj, e os diretores técnico e executivo, além dos analistas de desempenho da seleção. O Departamento de Estado americano alega ter emitido todas as permissões necessárias para o Irã competir na Copa, incluindo as do estafe de apoio essencial. Parte das recusas de vistos tem a ver com questões de segurança, pois os EUA proibiram a entrada de pessoas ligadas à Guarda Revolucionária Islâmica, a principal força militar do Irã – Taj, por exemplo, já foi comandante desta Guarda. Em pronunciamento, a embaixada do Irã na Turquia tratou os vistos negados como "um tratamento deliberadamente discriminatório". A delegação iraniana tem sido a mais afetada, mas não é a única a ter dificuldades com os protocolos estadunidenses. Nos últimos dias, um árbitro somali foi impedido de entrar nos Estados Unidos ; um atacante iraquiano foi interrogado por 7 horas pela imigração; e jogadores do Uzbequistão passaram revista rigorosa com direito a cães farejadores . Guilherme Pereira traz mais informações sobre restrições nos vistos para a Copa do Mundo 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google Mudança de CT e logística difícil No contexto de hostilidades, a seleção do Irã preferiu treinar fora dos EUA durante a Copa do Mundo. O centro de treinamentos seria no Arizona, mas foi mudado para Tijuana, cidade mexicana da fronteira. A decisão foi tomada em meio à indefinição sobre os vistos, muito perto do Mundial. Nesta semana a seleção registrou um treino ao redor de uma piscina (veja mais abaixo) . O novo local fica mais perto dos estádios em que o Irã vai jogar na fase de grupos, por isso pode até facilitar o deslocamento. Por outro lado, ainda não está claro como será a logística de cada jogo, quais trâmites de alfândega serão necessários a cada entrada dos iranianos nos EUA. Há alguns dias o embaixador do Irã no México, Abolfazl Pasandideh, chegou a dizer que a seleção precisaria entrar e sair dos EUA no mesmo dia de seus jogos . A situação repercutiu mal, e depois um porta voz estadunidense esclareceu que a delegação está liberada para dormir no país na véspera de cada partida . Em março, a seleção iraniana chegou a pedir para jogar a primeira fase da Copa do Mundo no México, mas não foi atendida. Os dois primeiros jogos são em Los Angeles, contra Nova Zelândia e Bélgica, e o terceiro é em Seattle, contra o Egito. Três amistosos tentados, todos cancelados A mudança do centro de treinamento para o México desencadeou mais problemas para a delegação iraniana. Após vencer Gâmbia e Mali em amistosos disputados na Turquia, a seleção persa marcou um último teste em solo americano, contra Porto Rico, mas a logística tornou o jogo inviável. Depois disso a tentativa foi jogar contra o Panamá, mas também não deu certo. Nem mesmo a terceira tentativa saiu do papel, pois a seleção de Granada diz que não conseguiria viajar ao México. 2 de 2 Preparação do Irã para a Copa inclui treino de regeneração em torno de uma piscina — Foto: Reprodução/FFIRI Preparação do Irã para a Copa inclui treino de regeneração em torno de uma piscina — Foto: Reprodução/FFIRI Ingressos revogados A Federação de Futebol do Irã informou que a cota de ingressos destinada a torcedores iranianos foi revogada dias antes do início da Copa do Mundo. O país tem direito a 8% da carga total de seus jogos, mas as reservas teriam sido canceladas nesta semana. A responsabilidade pelos ingressos na operação do Mundial é da Fifa, mas a Federação do Irã reclama que "os Estados Unidos agora tomam ações para dificultar a presença de torcedores iranianos nos estádios”. Irã treina isolado no México para a Copa em que será recebido com casa cheia nos Estados U Leia mais: Seleção iraniana vai poder entrar nos EUA na véspera de cada jogo Irã tem terceiro amistoso cancelado por problemas logísticos Irã pede à Fifa para usar braçadeira preta em jogo da Copa; entenda Guerra no Irã não acabou Por um lado, Estados Unidos e Irã negociam um acordo de paz, mas por outro seguem executando ações militares no Oriente Médio. Na última terça-feira (9), os EUA informaram que um helicóptero militar estadunidense foi derrubado por um drone iraniano na costa do Omã . Donald Trump disse que o país deve “responder”. No dia anterior, o Irã havia ameaçado voltar a atacar bases militares dos EUA na região em retaliação a novos bombardeios em Beirute, a capital do Líbano. Os ataques seriam uma retaliação aos bombardeios que Israel, aliado dos EUA, seguem executando em Beirute, a capital do Líbano. Estados Unidos e Israel estão em guerra contra o Irã desde 28 de fevereiro, quando um ataque surpresa matou líderes iranianos e o então líder supremo do país, Ali Khamenei. A justificativa oficial seria o desenvolvimento de um programa nuclear por parte do Irã. O conflito já passa dos 100 dias.