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O Corinthians atravessou um dia em que a crise não coube apenas no placar: depois da goleada por 4 a 1 para o Palmeiras, Gabriel Paulista expôs a insatisfação com salários atrasados, promessas não cumpridas e condições de trabalho. A cobertura também relembrou o peso das dívidas e dos problemas administrativos — um pano de fundo que torna cada tropeço ainda mais ruidoso. [ ] Foi nesse cenário que Clarence Seedorf desembarcou, vestiu a camisa alvinegra e começou a trabalhar no CT Joaquim Grava. Na apresentação, chamou o elenco de “leão ferido”, pediu união, intensidade e foco no campo, e disse acreditar que a reação pode começar depressa. A missão, porém, é urgente: o Corinthians vinha de oito derrotas seguidas e estava em 16º lugar, com 32 pontos, às vésperas de receber o Vitória. [ ] A confiança do novo técnico não apagou as dúvidas. Seu retrospecto como treinador — incluindo uma passagem pelo Deportivo La Coruña marcada por baixo aproveitamento e rebaixamento — alimentou projeções sombrias sobre a luta contra a queda; ao mesmo tempo, comentaristas divergiram sobre a contratação, entre o risco de uma aposta tardia e a chance de romper com soluções repetidas. [ , ] Também faltam gols — e a estatística quase faz uma piada de mau gosto: o zagueiro Gustavo Henrique divide a artilharia da temporada com Yuri Alberto, enquanto Memphis Depay soma apenas um gol em 23 partidas. O novo comandante herda, portanto, um time que chega ao ataque, mas tem dificuldade para transformar volume em perigo concreto. [ ] Como se não bastasse, Raniele sofreu lesão no menisco do joelho direito no clássico e precisará passar por cirurgia, com tendência de ficar fora do restante da temporada. A estreia de Seedorf, assim, já começa com uma peça importante a menos no meio-campo. [ ] À noite, a tensão saiu das arquibancadas e chegou ao portão do CT: dois homens encapuzados soltaram rojões e ameaçaram profissionais da imprensa, e um deles mostrou uma arma. O clube repudiou a violência e se colocou à disposição das autoridades — um episódio grave que escureceu ainda mais um dia já carregado. [ ] Entre os assuntos fora de campo, surgiu uma possível saída financeira: Corinthians e Caixa Econômica Federal avançaram em conversas sobre os direitos de nome da Neo Química Arena e uma parceria mais ampla, que poderia ajudar a quitar cerca de R$ 640 milhões em dívida do estádio. Ainda não há acordo fechado, mas, em meio ao aperto, a negociação oferece uma fresta de possibilidade. [ ] Houve também uma janela para outro sentimento: o time feminino, tricampeão consecutivo, começava a caminhada na Libertadores Feminina em busca do quarto título seguido e da sétima taça continental. Em Quito, diante do Colo-Colo, as Brabas carregavam uma hegemonia que, no meio de tantas notícias ásperas, ainda oferece ao torcedor motivo para acreditar. [ ]