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O continente africano não recebe uma corrida de Fórmula 1 desde 1993, e 23 das 24 provas por lá aconteceram na África do Sul. Mas a primeira delas teve um destino diferente: o Marrocos . No fim da temporada de 1958, o longo circuito de rua de Ain-Diab recebeu a corrida após uma etapa não-oficial no ano anterior. E não seria uma disputa qualquer. Acesse o canal de automobilismo do ge no WhatsApp 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google 1 de 8 Mike Hawthorn foi campeão da F1 no GP de Marrocos de 1958 — Foto: Klemantaski Collection/Getty Images Mike Hawthorn foi campeão da F1 no GP de Marrocos de 1958 — Foto: Klemantaski Collection/Getty Images Coube a Ain-Diab sediar a última etapa daquele ano, com Mike Hawthorn (Ferrari) e Stirling Moss (Vanwall) na luta pelo título. Seria um dos primeiros testes de fogo do Marrocos – poucos anos antes da corrida, o território ainda era um protetorado de França e Espanha e buscava a independência, conquistada em 1956. A decisão do campeonato teve emoção, mas também ficou marcada por graves acidentes e pela morte do promissor piloto Stuart Lewis-Evans . O falecimento do britânico aos 28 anos de idade, com apenas 14 corridas na Fórmula 1, causou consternação geral e mudou os rumos da categoria. Depois disso, o Marrocos não voltaria a receber um grande prêmio. O ge conta a história do trágico, decisivo e histórico GP de Marrocos de 1958 abaixo. Antes da corrida, festa e expectativa O GP de Marrocos marca um capítulo importante de uma época em que o país tentava aumentar a relevância esportiva e cultural. Três anos antes, ainda sob o protetorado, foi inaugurado um estádio com 45 mil lugares que hoje leva o nome de Mohammed V, em homenagem ao sultão que conduziu o processo de independência marroquina. O país também já estava no mapa do automobilismo mundial desde a década de 1920, e recebeu a oportunidade de sediar a corrida não-oficial de 1957 da F1 como um teste. A prova transcorreu bem e, com a aprovação da categoria, Marrocos ganhou o direito de ser o palco da final do campeonato do ano seguinte. Já era perceptível que o circuito oferecia pouca segurança para os pilotos, mesmo para os padrões da época. A pista de 7,618km de extensão passava pelos arredores de Casablanca, maior cidade do país, tinha longas retas e, apesar da rapidez com que os pilotos passavam, a proteção dos pilotos ficava a cargo de algumas barreiras de palha. Até animais apareciam tranquilamente ao lado da pista. 2 de 8 Animal ao lado do traçado de Ain-Diab, que recebeu o GP do Marrocos de 1958 — Foto: Klemantaski Collection/Getty Images Animal ao lado do traçado de Ain-Diab, que recebeu o GP do Marrocos de 1958 — Foto: Klemantaski Collection/Getty Images Mesmo assim, o clima era de expectativa pela definição do campeonato. Mike Hawthorn liderava com 40 pontos, contra 32 de Stirling Moss. Para ser campeão, Moss precisava ganhar e fazer a volta mais rápida, enquanto Hawthorn não poderia ser segundo colocado. Se não fizesse a volta mais rápida, Moss teria que torcer para Hawthorn também não conseguir. A pole position ficou com o líder Hawthorn, enquanto Stirling Moss largaria em segundo. Fechando a primeira fila, na época com três carros (outros tempos...), estava Stuart Lewis-Evans, também da Vanwall. Antes do início da corrida, o próprio Mohammed V abriu os trabalhos no circuito ao lado do filho, o príncipe que viria a se tornar o rei Hassan II em 1961. A corrida e a fatalidade Hawthorn perdeu duas posições na largada e cedeu a primeira colocação para Moss, o que dava o título ao piloto da Vanwall naquele momento. Embora tenha subido para a segunda posição na terceira volta, Mike voltou a perder o posto para Phil Hill e passou boa parte da corrida fora do top-2. Tranquilo na ponta, Moss torcia para que o rival da Ferrari não conseguisse retornar à vice-liderança. 3 de 8 Stirling Moss na liderança do GP do Marrocos de 1958 — Foto: Klemantaski Collection/Getty Images Stirling Moss na liderança do GP do Marrocos de 1958 — Foto: Klemantaski Collection/Getty Images Mas a decisão do título também começaria a dividir as atenções com os acidentes. Entre as voltas 29 e 31, três pilotos bateram em sequência: Olivier Gendebien, Tom Bridger e François Picard. O último deles disputava uma corrida de Fórmula 1 pela primeira vez, mas sofreria sérios ferimentos e nunca mais retornaria à categoria. Na volta 39, Hawthorn finalmente ultrapassou Phil Hill em um momento decisivo e assumiu o segundo lugar da corrida, posição que lhe garantiria o título. Mas duas voltas depois, outro momento também marcou o GP do Marrocos e mexeu com a história da Fórmula 1. 4 de 8 Stuart Lewis-Evans morreu após grave acidente no GP do Marrocos de 1958 — Foto: Bernard Cahier/Getty Images Stuart Lewis-Evans morreu após grave acidente no GP do Marrocos de 1958 — Foto: Bernard Cahier/Getty Images O motor do Vanwall de Lewis-Evans quebrou em uma curva, o que fez o britânico passar reto e bater forte. O carro do piloto de 28 anos, ainda novato para a Fórmula 1 da época, pegou fogo. Embora tenha conseguido sair do monoposto, Stuart sofreu graves queimaduras e, de acordo com relatos da época, entrou em pânico, correndo de forma desorientada e com o macacão em chamas, o que dificultou e atrasou um pouco a ação dos fiscais que tentavam socorrê-lo. A corrida acabou com Stirling Moss vencedor, com incríveis 84 segundos de vantagem, mas foi o vice-líder Mike Hawthorn quem levou o título por um ponto de diferença: 42 a 41. Mas as consequências do grande prêmio no Marrocos levariam dias - ou até mesmo meses - para serem compreendidas. 5 de 8 Mike Hawthorn (dir.) foi campeão da F1 em 1958 — Foto: SSPL/Getty Images Mike Hawthorn (dir.) foi campeão da F1 em 1958 — Foto: SSPL/Getty Images Depois da batida e das queimaduras, Stuart Lewis-Evans foi levado para a Inglaterra por Tony Vandervell, dono da equipe Vanwall. O piloto permaneceu no hospital por seis dias, mas não resistiu e morreu em decorrência dos ferimentos. O britânico tinha estreado na Fórmula 1 no ano anterior e tinha dois pódios na categoria. Além disso, também ajudou a equipe Vanwall a conquistar o inédito título de construtores, visto que a honraria não existia antes daquela temporada. Fim de uma era na Fórmula 1 A morte de Stuart Lewis-Evans causou algumas consequências irreversíveis, não só para o GP de Marrocos, mas para a Fórmula 1 em geral. Campeã daquele ano de 1958, a equipe Vanwall entrou em colapso com a morte de seu piloto. Consternado pelo falecimento e com problemas de saúde, Tony Vandervell decidiu deixar de financiar a equipe, que participaria de apenas mais dois grandes prêmios antes de fechar as portas: um em 1959 e outro em 1960, e em ambos apenas com um carro. 6 de 8 Carros da tradicional equipe Vanwall no Museu de Donington Park — Foto: Rafael Lopes Carros da tradicional equipe Vanwall no Museu de Donington Park — Foto: Rafael Lopes Bernie Ecclestone, hoje magnata e que por muito tempo foi o gestor da Fórmula 1, à época era dono da equipe Connaught e amigo de Lewis-Evans. Em razão do acidente, o inglês decidiu vender a equipe e passou sete anos sem envolvimento com a categoria. Pouco tempo depois, a F1 também perderia seu atual campeão. Após vencer o GP de Marrocos e conquistar o título, Mike Hawthorn anunciou a aposentadoria do esporte, marcado principalmente pela morte de outro piloto: o amigo Peter Collins, no GP da França. Três meses depois de se aposentar, o campeão da Fórmula 1 em 1958 sofreu um acidente ao pilotar um carro de rua da Jaguar a caminho de Londres. A colisão ocorreu após Hawthorn tentar ultrapassar a Mercedes-Benz de Rob Walker, um chefe de equipe, e derrapar na pista molhada. Com ferimentos graves na cabeça, o inglês não resistiu e morreu. 7 de 8 Acidente de estrada matou Mike Hawthorn em janeiro de 1959 — Foto: Getty Images Acidente de estrada matou Mike Hawthorn em janeiro de 1959 — Foto: Getty Images Em um piscar de olhos, a Fórmula 1 se via sem o atual campeão de pilotos e sem a melhor equipe do ano anterior. O Marrocos tentou reinscrever a pista de Ain-Diab o campeonato de 1959, mas a consternação pela morte de Lewis-Evans, os demais acidentes durante a corrida e as preocupações com a falta de segurança fizeram com que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) rejeitasse a candidatura, dando fim à curta, mas marcante história marroquina na Fórmula 1. 8 de 8 Infos e horários GP de Barcelona-Catalunha de F1 2026 — Foto: Infoesporte Infos e horários GP de Barcelona-Catalunha de F1 2026 — Foto: Infoesporte