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Futebol Como furar greve na Covid ajudou Messi a virar ídolo e música na Argentina Danilo Lavieri , Paulo Vinicius Coelho (PVC) , Julio Gomes e Luiza Oliveira Do UOL, em Nova Iorque (EUA) 19/07/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Vitória da Argentina na Copa América de 2021 mudou a percepção de muitos torcedores argentinos quanto a Messi. Imagem: Reuters Uma furada de greve liderada por Lionel Messi foi fundamental para que ele tivesse o tamanho que tem hoje na Argentina. Tudo aconteceu em uma reunião longe dos gramados, nos bastidores da Copa América de 2021, em meio ao auge da pandemia de Covid, quando ele resolveu que sua seleção não se uniria com outras que ameaçavam não disputar a competição da Conmebol em forma de protesto pelos riscos sanitários de a bola rolar enquanto o mundo lutava contra o vírus. A decisão acabou permitindo que ele conquistasse o primeiro título com o seu país, apontado até hoje como ponto de virada do atleta O movimento começou com conversas entre os líderes das seleções. A ideia era divulgar uma carta pública criticando a realização da Copa América em meio ao cenário sanitário da época, com a possibilidade de uma greve em que ninguém entraria em campo. O documento foi elaborado inicialmente em português, com participação de Neymar e de outros líderes da seleção brasileira. Depois, o texto foi traduzido para o espanhol para que os demais capitães analisassem e decidissem se adeririam ao posicionamento coletivo. Janaína Figueiredo História e geopolítica entram em campo na final PVC Espanha pode ser campeã masculina e feminina Casagrande Mbbapé e Olise salvam fim melancólico da França Michelle Prazeres A Copa mexeu com a minha esperança Foi nesse momento que Messi se afastou da mobilização. O camisa 10 avisou aos demais capitães que a Argentina não participaria do boicote. O argumento era simples e carregava o peso de anos de frustrações. Aos 34 anos, ele entendia que teria poucas oportunidades restantes para conquistar um título pela seleção principal e não queria abrir mão daquela chance. A Bolívia também preferiu não aderir ao movimento, mas por outro motivo: o grupo alegou que a premiação da competição era importante para os jogadores. A decisão ganhou ainda mais peso pelo contexto. Dois anos antes, na Copa América de 2019, Messi havia deixado o gramado após a disputa do terceiro lugar acusando a competição de estar "armada para o Brasil". A relação com a Conmebol estava desgastada, e a seleção argentina seguia convivendo com a pressão de uma geração considerada talentosa, mas incapaz de transformar finais em títulos. O desfecho foi justamente o oposto do que muitos imaginavam. A Argentina derrotou o Brasil por 1 a 0 dentro do Maracanã e encerrou um jejum de 28 anos sem conquistar a Copa América. Nos relatos do próprio Messi e de diversos jogadores daquele elenco, aquela noite no Rio de Janeiro é tratada como o verdadeiro ponto de virada da equipe. O sentimento foi eternizado nas arquibancadas pela música "Ahora volvimos a nos ilusionar", algo como "agora voltamos a acreditar". Até aquele momento, Messi ainda convivia com críticas pesadas dentro do próprio país. Durante anos foi chamado de "pecho frío", expressão usada na Argentina para definir alguém que falha nos momentos decisivos. Também era alvo de questionamentos por não cantar o hino nacional antes das partidas e por ter deixado o país aos 12 anos para iniciar sua trajetória no Barcelona, motivo pelo qual alguns diziam que ele não demonstrava o sentimento de pertencimento de outros ídolos da seleção. Não foi à toa que ele chegou a declarar, em 2016, que não jogaria mais representando seu país. A conquista da Copa América transformou completamente essa narrativa. A seleção passou a jogar com um ambiente diferente, mais leve e confiante. O título abriu caminho para a Finalíssima de 2022 contra a Itália, para a conquista da Copa do Mundo no Qatar e, depois, para mais uma Copa América, em 2024. A sequência consolidou uma geração vencedora e colocou Messi definitivamente no topo da história do futebol argentino. O cenário atual é o oposto daquele vivido antes de 2021. Messi deixou de ser alvo de desconfiança para se tornar o principal símbolo da seleção. Jogadores, integrantes da comissão técnica, o técnico Lionel Scaloni, dirigentes e torcedores repetem que jogam por ele. Continua após a publicidade Aos 39 anos, já existe uma campanha espontânea para que o camisa 10 não encerre sua trajetória pela Argentina e tente disputar mais uma Copa do Mundo aos 43. O jogador que um dia foi acusado de não representar o país virou música nas arquibancadas e a principal razão para que um povo inteiro voltasse a acreditar. "Não sei se vai ser a última partida dele, tem que perguntar para ele", disse Scaloni aos risos na última sexta-feira em coletiva de imprensa. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Rabiot detona companheiros após derrota da França: 'Atitudes inaceitáveis' Empresário desaparece após sair de bar em SP; carro blindado é encontrado Trump, as tarifas e a decadência do império Americano Equilíbrio? Últimos duelos Argentina x Espanha terminaram em goleada 'Dinheiro e poder': Conselho europeu critica Fifa e pede debate sobre Copa