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Brasil fechou a fase classificatória da VNL masculina em nono lugar, com sete vitórias e cinco derrotas A eliminação inédita na fase classificatória da Liga das Nações aumentou uma lista de resultados ruins da seleção masculina de vôlei nos últimos anos. A sequência negativa começou em 2023, com a primeira derrota da equipe brasileira em uma final de Sul-Americano. Depois, veio o oitavo lugar nas Olimpíadas de Paris , e 2025 trouxe a pior campanha em Mundiais . Na visão do comentarista Nalbert, o mau momento da equipe de Bernardinho é consequência direta do enfraquecimento da base, que deixou de revelar bons jogadores em profusão, como costumava ocorrer no passado. – Há uma questão técnica, física e de quantidade de atletas. O segredo para o sucesso é ter uma base bem trabalhada, com investimentos. Nós nos descuidamos e estamos pagando uma conta alta. Não vejo mais tantos jovens se interessando pelo vôlei masculino e começando a jogar. CBV (Confederação Brasileira de Voleibol), federações e clubes precisam entender o que deve ser feito daqui para a frente. Por muitos anos, o discurso para o nosso insucesso foi o desenvolvimento de outras seleções, mas isso não nos interessa. Temos que pensar em nós mesmos, nos nossos problemas e soluções – avaliou Nalbert, em conversa com o ge . + Opinião: queda da seleção de vôlei passa por geração sem craques e postura apática + Seleção masculina de vôlei foca no Pré-Olímpico do Rio depois de queda na VNL; veja calendário + Veja a tabela da Liga das Nações Masculina de vôlei 1 de 3
Brasil vem de resultados ruins em torneios masculinos de vôlei — Foto: FIVB Brasil vem de resultados ruins em torneios masculinos de vôlei — Foto: FIVB O comentarista, campeão olímpico em Atenas 2004, fez parte de uma geração de sucesso do vôlei brasileiro, com outros grandes nomes do esporte, como Giba, Ricardinho e Serginho. Esses jogadores, de acordo com Nalbert, tiveram uma carreira de sucesso justamente pelo que aprenderam nas categorias de base. – Em Atenas, tínhamos 12 jogadores fantásticos. Outros atletas excelentes treinavam conosco, e ainda havia uma fila enorme de destaques que queriam uma vaguinha na seleção. A minha base foi espetacular, fui muito bem preparado para o profissional. Procurei o vôlei por causa de uma geração que me inspirou. Comecei a jogar, venci na seleção e também inspirei alguns meninos. Havia uma cadeia que se retroalimentava no Brasil, algo que não existe mais hoje em dia. Se a nossa seleção não faz sucesso, os jovens vão procurar outros esportes – analisou Nalbert. 2 de 3
Nalbert, à esquerda, comemora ouro olímpico em Atenas, em 2004 — Foto: Adam Pretty/Getty Images Nalbert, à esquerda, comemora ouro olímpico em Atenas, em 2004 — Foto: Adam Pretty/Getty Images Ainda que destaque a quantidade menor de garotos que hoje se dedicam ao vôlei, o comentarista crê que os problemas da base começaram há bastante tempo. O último título mundial, por exemplo, veio em 2011, com a equipe sub-21. Algumas medalhas da seleção principal, como o ouro na Liga das Nações de 2021, podem ter encoberto problemas nos bastidores. – As dificuldades na base fazem com que hoje tenhamos um time sem tanta rodagem internacional. Poucos jogadores conseguiram se destacar lá fora, muitos ainda estão em desenvolvimento. Não contamos com uma equipe pronta para grandes momentos, como mostraram alguns jogos da Liga das Nações. Quando chegava o fim de um set, os adversários se mostravam mais preparados para fechar, para administrar o momento decisivo. À pouca experiência, ainda se soma uma pressão natural de defender a camisa pesada da seleção brasileira – comentou Nalbert. Tá On: Guilherme Costa analisa eliminação da seleção masculina na Liga das Nações de vôlei O Sul-Americano e a comissão técnica Sem a vaga na fase final da VNL deste ano, a seleção brasileira fará amistosos contra Japão e França. Também participará de um torneio na Itália, com os donos da casa, Cuba e Alemanha. Pelos próximos dois meses, o time comandado por Bernardinho vai se preparar para o Sul-Americano. O torneio continental ocorrerá de 15 a 20 de setembro, no Maracanãzinho, e dará ao campeão vaga nas Olimpíadas de Los Angeles. Pela importância da competição, Nalbert diz que o Brasil precisará chegar com “a faca nos dentes” e valorizar os atletas que tratam a seleção como prioridade: – Se eu fosse o Bernardinho, juntaria o grupo inteiro e perguntaria aos jogadores se estão dispostos a pagar o preço do sacrifício. Quem titubear tem que ficar de fora. Assim, com união, vão começar a construir um time de verdade. Nem sempre uma equipe vencedora é feita com os melhores jogadores, mas com o elenco certo, com quem vai dar a vida. Tem que treinar, treinar e treinar. Conquistar a vaga olímpica no Sul-Americano será essencial para dar tranquilidade no resto do ciclo. + Entenda por que a capitã Gabi Guimarães desfalcará a seleção feminina nas finais da VNL + Confira a tabela da Liga das Nações Feminina de vôlei 3 de 3
Bernardinho na VNL — Foto: FIVB Bernardinho na VNL — Foto: FIVB Uma eventual troca no comando técnico da seleção não seria a decisão correta, na opinião de Nalbert. – Como qualquer outra liderança na estrutura da CBV, Bernardinho tem responsabilidade pelos resultados ruins. Mas ele e os auxiliares são profissionais de altíssimo nível, tarimbados e capacitados. Estão fazendo o que é necessário, na tentativa de encorpar o elenco. Precisam, claro, que a base seja fortalecida e volte a produzir jogadores em boa quantidade. Temos que aceitar que o processo será lento e que não solucionaremos todos os problemas do dia para a noite. A partir desta terça, Bernardinho, comissão técnica e jogadores estão reunidos em Saquarema, no Centro de Treinamento da CBV. Haverá um longo período de treinos, até 16 de agosto. Depois, a seleção viajará para as partidas amistosas no exterior, passando por Japão, Itália e França.