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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Punição a Carol Solberg reacende debate sobre liberdade de expressão Andrei Kampff Colunista do UOL 19/02/2026 18h56 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Carol Solberg, em ação no Mundial de vôlei de praia Imagem: Volleyball World Reportagem de Gabriel Coccetrone A Federação Internacional de Vôlei (FIVB) anunciou, nesta quinta-feira (19), a suspensão da campeã mundial de vôlei de praia Carol Solberg. A punição, divulgada inicialmente pelo jornalista Juca Kfouri , é resultado das declarações feitas pela atleta brasileira comemorando a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma etapa do circuito internacional, em novembro do ano passado. De acordo com a FIVB, Solberg está suspensa da primeira etapa do circuito mundial da temporada 2026, que acontece entre 11 e 15 de março, em João Pessoa, na Paraíba. A entidade alega infração ao artigo 8.3 do Regulamento Disciplinar, que pune "qualquer conduta antiesportiva que viole princípios de respeito e jogo limpo", incluindo comportamentos que tragam "descrédito ao voleibol ou à FIVB". Sakamoto 'Defesa' da família mobiliza; soltar Bolsonaro, não Milly Lacombe Marta, a mulher que estendeu o horizonte Sílvio Crespo É o fim do CDB como um investimento seguro? Gustavo Miller Como Bad Bunny fez o Brasil se reconhecer latino Apesar da etapa na Paraíba ainda não contar para a 'corrida olímpica' oficial, a suspensão traz prejuízo à atleta. Ao ser impedida de jogar por uma questão de liberdade de expressão, Solberg pode cair no ranking em relação às adversárias que disputarão todas as etapas. Relembre o caso Ao vencer a disputa pelo bronze ao lado da parceira Rebecca durante a etapa de Adelaide, na Austrália, em novembro do ano passado, Carol Solberg celebrou a prisão de Bolsonaro. "Este é um dia incrível para mim e para o mundo. Ontem, no Brasil, colocamos na prisão o pior presidente da nossa história. Bolsonaro está na prisão e é muito importante que celebremos. Tenho muito orgulho desta bandeira agora; eu jamais poderia acreditar que teríamos um presidente assim. Temos que celebrar! Vamos comemorar Bolsonaro na cadeia, galera, é muito bom!", disse a atleta na ocasião. Palavra de especialista A punição aplicada à jogadora Carol Solberg reacendeu o debate sobre os limites do poder disciplinar das entidades esportivas e a incidência dos direitos fundamentais no ambiente desportivo. Continua após a publicidade A advogada Alessandra Ambrogi, especialista em direitos humanos, afirma que a autonomia das entidades esportivas permite a aplicação de sanções disciplinares, mas não autoriza restrições ilimitadas. "O atleta continua titular de direitos fundamentais, especialmente a liberdade de expressão, e qualquer punição deve respeitar critérios de legalidade, proporcionalidade e razoabilidade. A liberdade de expressão é reconhecida como direito humano fundamental em diversos instrumentos internacionais, como a Carta Olímpica e tratados internacionais de direitos humanos e não se extingue com a condição de atleta profissional. Ao contrário, o atleta permanece sujeito de direitos, e não mero objeto da disciplina esportiva", avalia. "Desta forma, as sanções disciplinares devem sim observar critérios de legalidade, proporcionalidade e razoabilidade. Quando há indícios de que o poder disciplinar possa ter restringido de forma excessiva um direito fundamental, admite-se o controle por instâncias arbitrais, como o Corte Arbitral do Esporte (CAS), e até pelo próprio Poder Judiciário estatal, especialmente quando estão em jogo direitos da personalidade e garantias fundamentais", acrescenta Ambrogi. "Muito embora pela expressão literal do regulamento ser proibida a manifestação política, me parece que externar a sua felicidade por fato já ocorrido, onde ela não possa influenciar qualquer pessoa, seria uma exceção à regra e está no bojo do direito à liberdade de expressão. Cabe a atleta agora se socorrer ao CAS para reverter tal punição imposta", avalia o advogado, professor e mestre em direito desportivo Paulo Sérgio Feuz. A favor do posicionamento político Essa não foi a primeira vez em que Carol Solberg fez críticas ao ex-presidente. Após também ficar com o bronze em etapa do circuito internacional em Saquarema, no Rio de Janeiro, em setembro de 2020, a atleta disse: "Só para não esquecer: fora, Bolsonaro!". Continua após a publicidade No fim do ano passado, durante a cerimônia do Prêmio Brasil Olímpico, Carol Solberg reforçou sua convicção de que o silêncio não deve ser a norma para quem está no topo do pódio. "Para mim, sempre vale falar o que eu penso e o que eu acredito. É algo fundamental e importante. Eu sei que há sempre um preço a se pagar, sim. Mas cada vez que um atleta se manifesta, ajudamos a quebrar esse tabu de que não podemos falar sobre 'isso ou aquilo'. O atleta é um cidadão como qualquer outro; poder expressar o que pensamos é fundamental", declarou. Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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