Conteúdo Original
Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Retranca paraguaia ofende mais do que convocação de acusados de estupro Milly Lacombe Colunista do UOL 05/07/2026 13h30 Deixe seu comentário Hakimi, acusado de estupro, comemora gol de Marrocos sobre o Haiti em duelo da Copa do Mundo Imagem: Pablo Garcia/Soccrates/Getty Images Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O Paraguai na boca do povo. Nas redes sociais, muitos declararam guerra ao país vizinho. Enfurecidos, torcedores dizem que o Paraguai é uma vergonha para o futebol. A retranca e o anti-jogo cruzaram uma linha moral inaceitável contra a França. Vaias. Humilhações. Quilômetros de postagens indignadas. É sempre triste ver como a capacidade de se indignar entra no futebol. Jogador fez falta feia em Mbappé: Buuuuuuu. Cabo Verde protege atleta acusado de estupro: comentários raros e sem nenhum tom de raiva. Dizem que o futebol é maior do que a vida, mas essa frase acaba no momento em que colocamos para jogo a violência contra mulheres, contra pessoas negras, contra a comunidade LGBT+. Nessa hora, os que ficam furiosos com a retranca agressiva paraguaia olham para o outro lado e esperam mudar de assunto. Ou, tão grave quanto, dizem: ah, vamos falar de futebol. Como se o futebol, por ser maior do que a vida, pudesse desprezar metade de sua torcida. Aline Sordili ChatGPT vê Brasil favorito, mas alerta para Haaland José Trajano Brasil fica em desvantagem no meio com Martinelli PVC Por que Martinelli deve ser titular contra a Noruega Michelle Prazeres Por que valorizamos mais remédios do que descanso A retranca paraguaia, vista em muitos times há anos, fez alguns homens perderem as estribeiras e se descontrolarem, mas sobre Hakimi, que será julgado por estupro ao final da competição, eles só têm só elogios. "Ah, mas precisamos esperar a condenação", argumentam. Não, não precisamos. Não somos a justiça, somos jornalistas. Aqui nosso trabalho é oferecer o contexto, e o contexto diz que vivemos uma epidemia de crimes contra mulheres e não uma epidemia de falsas acusações. O contexto diz que as chamadas falsas acusações são da ordem de 3%, que sequer são feitas por mulheres, que nunca houve uma mulher que se deu bem acusando um homem poderoso de crime contra sua dignidade, que o sistema de justiça está organizado para pegar um caminhão de provas e dizer "o conjunto probatório não é suficiente". Nessa hora o machismo berra bovinamente: inocentado! O que não é verdade. Quando falamos de crimes sexuais com provas escandalosas, o correto é o afastamento imediato. FIFA e federações precisam impedir a convocação de jogadores acusados de crimes contra mulheres. A justiça que faça seu trabalho de forma decente e anti-patriarcal enquanto o futebol diz "aqui não". Assine UOL e ganhe acesso a conteúdos exclusivos + uma camiseta da loja de UOL Esporte para torcer na Copa. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Alemã é desclassificada de Wimbledon após raquete atingir público; assista Astrid Fontenelle diz como lidou quando filho adolescente começou a beber Trajano: Com Martinelli, Brasil fica em desvantagem no meio-campo Cidade de 7.000 habitantes alvo da PF foi a 3ª que mais recebeu emendas Pix Real Madrid anuncia ex-Inter de Milão e chega ao quarto reforço na janela