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Análise dos Times

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O Philadelphia 76ers vem numa crescente nos últimos anos na formação de uma equipe muito competitiva, embora sem grande sucesso nos playoffs. Mas nem o mais otimista torcedor, ao final da série contra o New York Knicks na última temporada, imaginaria que a próxima campanha teria início com LeBron James e Jaylen Brown no elenco. Ao lado de Tyrese Maxey, Joel Embiid e VJ Edgecombe, os 76ers naturalmente se tornaram a equipe de maior expectativa em toda a NBA . Seja para ver LeBron disputando mais um título, em tese, aos 41 anos de idade, seja para ver como Nick Nurse conseguirá organizar todo mundo em quadra sem frustrar os planos de nenhum dos astros. De qualquer maneira, para o bem ou para o mal, os 76ers viraram o time do momento na liga. Campanha: 45 vitórias e 37 derrotas Classificação: 7º lugar na Conferência Leste Nos playoffs: eliminado pelo New York Knicks por 4 a 0 na segunda rodada, depois de passar pelo Boston Celtics por 4 a 3 na primeira rodada e pelo Orlando Magic no play-in O que aconteceu: duas das grandes estrelas da equipe ficaram fora por um tempo considerável. Entre lesões e ausências por precaução, Joel Embiid entrou em quadra apenas 38 vezes durante a fase de classificação. Paul George, que encarou uma suspensão por doping, fez um jogo a menos. Ainda assim, os 76ers foram competitivos o bastante para aparecerem entre os concorrentes a uma vaga direta nos playoffs, liderados por uma outra estrela, Tyrese Maxey, e pelo novato VJ Edgecombe. No fim das contas, não deu para evitar o play-in. O time passou pelo Orlando Magic logo no primeiro jogo e ficou com a sétima posição. Já com força máxima, encarou o Boston Celtics na primeira rodada e conseguiu virar uma série em que chegou a perder por 3 a 1. Mas a confiança que se criou depois disso logo foi embora. Porque a segunda rodada terminou com varrida do New York Knicks. Escolhas de Draft: Labaron Philon Jr (ala-armador, 22ª escolha) Quem mais chegou: LeBron James (ala - Los Angeles Lakers), Jaylen Brown (ala - Boston Celtics), Kentavious Caldwell-Pope (ala-armador - Memphis Grizzlies), Anfernee Simons (armador - Chicago Bulls), Dean Wade (ala-pivô - Cleveland Cavaliers), Ariel Hukporti (pivô - New York Knicks), Rayan Rupert (ala-armador - Memphis Grizzlies), Caleb Love (ala-armador - Portland Trail Blazers) e Tacko Fall (pivô - Bayi Rockets/CHI) Quem foi embora: Paul George (ala - Boston Celtics), Quentin Grimes (ala-armador - Los Angeles Lakers), Andre Drummond (pivô - New York Knicks), Kyle Lowry (armador - aposentadoria), Trendon Watford (ala - Philadelphia 76ers), Kelly Oubre (ala - Indiana Pacers), Dalen Terry (ala-armador - Golden State Warriors) e MarJon Beauchamp (ala - Bayern/Alemanha) Provável time titular: Tyrese Maxey, VJ Edgecombe, Jaylen Brown, LeBron James e Joel Embiid Reservas: Anfernee Simons (armador), Kentavious Caldwell-Pope, Labaron Philon Jr, Caleb Love, Rayan Rupert (alas-armadores), Justin Edwards (ala), Dominick Barlow, Jabari Walker, Dean Wade (ala-pivô), Adem Bona, Tacko Fall e Ariel Hukporti (pivôs) Técnico: Nick Nurse Se a varrida para o New York Knicks nos playoffs deixou um sinal claro de que ainda havia uma distância para os 76ers em relação às principais potências da NBA, a diretoria parece ter entrado na offseason determinada a mudar as coisas e a tornar a equipe uma grande favorita ao título. Duas ações foram determinantes nesse sentido. A primeira foi a negociação com o Boston Celtics que rendeu Jaylen Brown. Em troca, os 76ers enviaram Paul George, que ficou devendo durante sua trajetória na Filadélfia, e algumas escolhas futuras de Draft, o que sinalizam o tamanho do investimento no presente. Alguns dias mais tarde, quem chegou foi LeBron James. O maior cestinha da história da NBA já tinha anunciado que não ficaria no Los Angeles Lakers. Depois de um tempo avaliando qual seria o próximo passo da carreira, entendeu que os 76ers, depois da troca por Jaylen Brown, representavam a melhor chance para voltar a conquistar um título antes de se aposentar. O contrato assinado foi de US$ 8 milhões por dois anos, sendo o segundo ano uma player option – quando o jogador tem a chance de escolher se exerce ou não a parte final do acordo. Como se não bastasse a quantidade impressionante de estrelas no que deverá ser o time titular, o banco de reservas ganhou duas opções interessantes para Nick Nurse colocar na rotação: o armador Anfernee Simons, que tem o chute de três pontos como uma qualidade, e o ala-armador Kentavious Caldwell Pope, que já foi campeão com LeBron em Los Angeles com um perfil adequado ao que esse 76ers precisa: alguém que sabe jogar sem bola no ataque e colabora bastante na defesa. Dean Wade, que veio de Cleveland, também tem essas características. É uma outra cara nova que vale a pena ser mencionada. Em que pesem as saídas do ala Kelly Oubre e do pivô Andre Drummond, que foram úteis na temporada passada, os 76ers não têm o que lamentar. Conseguiram pegar LeBron James e se reforçaram sem precisarem abrir mão de ninguém que gostariam de manter – considerando que perder Paul George não é problema para quem ganhou Jaylen Brown em troca. Diante de todo esse alvoroço, que conseguiu deixar tantas estrelas em um mesmo lugar, os 76ers entram na temporada cercados de enormes expectativas. Se elas vão resultar em título ou não é uma outra história. "Eu não deixei a minha família para perder na segunda rodada dos playoffs. Estou certo disso. Então há muito trabalho a ser feito, e estou pronto para fazer isso." Foi isso o que LeBron James disse em sua primeira aparição pública com o uniforme dos 76ers, sem esconder o que espera para a temporada. É muito difícil imaginar algo mais esperançoso para qualquer time do que conseguir atrair LeBron James para um elenco já bastante estrelado. Considerando que o técnico é um sujeito que já foi campeão da NBA e tem a reputação de ser criativo, especialmente para montar esquemas defensivos, as razões para se sonhar alto só aumentam. Além de titulares de altíssimo nível, Nick Nurse terá no banco de reservas algumas peças versáteis e de fácil encaixe em qualquer sistema tático. De material humano ele definitivamente não poderá reclamar. É claro que nada é garantido em um elenco tão estrelado, que há uma série de variáveis a serem observadas na construção desse trabalho, que os jogadores vão precisar aceitar fazer concessões em algum nível, tudo isso é verdade. Mas o ponto de partida é invejável. Não dava para pedir algo melhor. No papel, o elenco dos 76ers parece um dos mais completos de toda a liga. Mas a realidade talvez se imponha perante o garrafão do time. E não seria um problema novo. Afinal, Joel Embiid fez apenas 96 jogos somando as últimas três temporadas. Quem aproveitou esse espaço foi o turco Adem Bona, especialmente no ano passado. Mas o elenco não tem praticamente mais ninguém. Isso porque Ariel Hukporti, que estava no campeão New York Knicks no último ano, rompeu o tendão de Aquiles durante a pré-temporada e só volta em 2027/28. E Tacko Fall, de volta à NBA após quatro temporadas, nunca foi um jogador confiável, seja pelo que apresenta em quadra, seja por sua disponibilidade, com a carreira marcada por poucos jogos e minutagem baixa, mesmo nas ligas da China e da Austrália, por onde passou nos últimos anos. Assim, se Embiid não for uma figura frequente ao longo da campanha, os 76ers precisarão reajustar a estratégia para preencher o garrafão. São três as opções possíveis dentro do elenco. A primeira é utilizar LeBron James como pivô. O King já exerceu a função em duas temporadas pelos Lakers. Mas não é o jeito mais eficiente de utilizar LeBron, que precisaria, aos 41 anos, marcar jogadores maiores e mais fortes a todo momento durante as partidas. Além disso, um dos planos da comissão de NIck Nurse é utilizar o astro como armador e organizador primário com maior frequência, segundo Shams Charania, da ESPN. Daí a jogar como pivô é uma mudança brusca. Além de LeBron, Dominick Barlow e Dean Wade também já jogaram como pivôs por 76ers e Cavs, respectivamente. O problema, nesse caso, é que a estatura do time cai. Em algumas situações pode ser vantajoso, mas nem sempre. Nos playoffs, menos ainda. Jabari Walker também já teve seus momentos como pivô principal, mas também não é nada muito animador. Se não conseguirem uma troca ao longo da temporada, os 76ers viverão na iminência de sofrerem com buracos no garrafão a cada queda no chão de Embiid ou Bona. E aí, embora extremamente talentoso, o time passará a ter um alvo muito claro para os ataques adversários. LeBron James faz parte do elenco? Então é ele a principal peça. Mesmo que esteja prestes a completar 42 anos e que tenha acabado de se juntar ao time. Na temporada passada, ele participou de 60 dos 82 jogos do Los Angeles Lakers na temporada regular. Teve médias de 20,9 pontos, 7,2 assistências e 6,1 rebotes por partida. São números que passam longe do que um dia já entregou, mas que ainda mostram um jogador de ótimo nível. Principalmente se for levado em conta que ele dividia as ações com Luka Doncic no ex-time, o que naturalmente diminui o volume ofensivo. Quando os playoffs chegaram e os Lakers não puderam contar com o lesionado Doncic, LeBron assumiu as rédeas e comandou uma vitória sobre o Houston Rockets na primeira rodada. Na fase seguinte, não deu para evitar a varrida para o Oklahoma City Thunder. Mas é seguro dizer que ficou bem claro para o mundo todo que o veterano ainda é capaz de entregar atuações de uma estrela de grande porte. Na Filadélfia, ele estará cercado de alguns outros craques. Tyrese Maxey foi o cestinha do time na última temporada, Joel Embiid ainda é capaz de entregar 25 pontos por jogo quando saudável e Jaylen Brown já foi MVP de uma final. Isso sem falar em VJ Edgecombe, que mostrou-se muito promissor como novato. Fica difícil saber ao certo como o volume de jogadas será distribuído entre todos esses jogadores, como eles vão se encaixar em quadra e o quanto de bola nas mãos cada um vai ter. Em meio a tantas incógnitas, fica difícil também imaginar como LeBron será usado. Vai ter a bola nas mãos para fazer os passes e comandar as jogadas, como fez em boa fase da carreira? Será mais definidor? Ou então uma espécie de pivô em uma formação mais baixa, especialmente quando Embiid não estiver disponível? Seja como for, o que parece claro é que qualquer caminho que leve esse novo 76ers ao sucesso passa por ele. No início da última temporada Joel Embiid, por quase uma década a principal referência dos 76ers, disse que a equipe, agora, é de Tyrese Maxey. A declaração, além de revelar um novo posicionamento de Embiid, evidenciou o que a quadra já mostrava. Duas vezes All-Star , vencedor do prêmio de Maior Evolução em 2024, além de presença no terceiro time ideal da liga em 2025/26, Maxey se tornou uma das principais estrelas em toda a liga. Na última temporada, foi o terceiro jogador com mais arremessos por partida: 21,4, atrás apenas de Luka Doncic (22,8) e de seu novo companheiro de time, Jaylen Brown (21,7). Com médias de 28,3 pontos, 4,1 rebotes, 6,6 assistências e 1,9 roubo, concentrou as ações de Philadelphia em alto volume e bom aproveitamento nos 70 jogos que esteve em quadra. Prestes a completar 26 anos, está no auge da carreira, mas ainda em evolução. Com confiança total do treinador Nick Nurse, inicia todas as jogadas da equipe, mas, proporcionalmente, termina menos que outros astros da liga, como Shai Gilgeous-Alexander e Kawhi Leonard. Mas tem mais eficiência. Nos últimos anos, melhorou o aproveitamento nos arremessos de praticamente todas as distâncias, aumentando as possibilidades ofensivas. Embora tenha números piores nos playoffs, muito se deve ao fato de ser a única estrela da equipe em quadra quando Embiid esteve fora por lesão, facilitando o trabalho das defesas adversárias. Agora, uma série de astros a seu lado, pode ser ainda mais letal. E parte disso também se justifica pela presença de Jaylen Brown. Embora a troca tenha suscitado maiores questionamentos quanto a sua eficiência ofensiva, é fato que Brown foi um dos melhores jogadores na última temporada. É mais um jogador que tem grande capacidade de atração dos marcadores adversários, facilitando a vida de companheiros bem posicionados. Mas contra um quinteto estrelado como o dos 76ers, é bem provável que as dobras de marcação não sejam uma opção, deixando os marcadores nos duelos individuais. Aí, Brown e Maxey deslancham. Se deixarem o orgulho de lado, especialmente Brown, têm tudo para comporem a formação mais perigosa da Conferência Leste. Enquanto isso, na defesa a dupla não faz feio. Mas aqui quem brilha é Jaylen Brown. Com 1,98m, o ala tem uma mescla ainda rara de explosão, força e boa leitura defensiva, que o torna um jogador coringa nos sistemas das equipes, podendo trocar contra praticamente qualquer jogador ao redor da liga. 5 (máximo) - Além de o time ser uma reunião de astros de um jeito que a gente não vê toda hora na NBA, pelo menos não nesse nível, pode ser a despedida de LeBron James. Mesmo se não for, definitivamente pode-se cravar que são os últimos passos de uma das carreiras mais impressionantes da história do basquete. Existe a pressa para dar certo por parte dos 76ers, ao passo que quem estiver do outro lado terá sempre uma motivação extra para carimbar os favoritos. Tem tudo para ser imperdível. No cenário mais otimista: título. Até porque quem faz as movimentações que os 76ers fizeram não tem pretensão menor que isso. No cenário mais pessimista: as estrelas demoram para se encaixar, as coisas parecem meio engessadas nos dois lados da quadra, Nick Nurse chega ao mês de abril ainda sem confiar totalmente em uma formação. Ainda assim, nesse cenário em que tudo dá errado, os 76ers chegam aos playoffs escapando do play-in, talvez até com mando de quadra, mas continuam sem alcançar as finais de conferência. Clique no escudo para ler. Será publicada uma análise por dia até 19/10, véspera da estreia da NBA.