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O técnico Clarence Seedorf comentou os números de sua carreira como treinador e o conhecimento sobre o futebol brasileiro durante sua apresentação oficial no Corinthians , nesta quarta-feira (14), no CT Dr. Joaquim Grava.
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O holandês rebateu os questionamentos sobre seu retrospecto à frente de outras equipes e afirmou que as estatísticas precisam ser analisadas dentro do contexto de cada trabalho. O comandante também defendeu sua capacidade de adaptação após sete anos sem dirigir um clube.
— Já respondi bastante sobre esse assunto. Vocês têm que pensar se é justo ou não antes de ver o trabalho. Eu pergunto a vocês: é justo julgar alguém antes de fazer um trabalho? É justo ou não? O mundo é cheio de pré-julgamento. Eu não gosto de julgar pessoas que não conheço. São sete anos sem ter um clube, mas isso não significa que eu não estava próximo do futebol. Para mim, o mais importante é o clube acreditar em mim. O clube e os profissionais abriram a porta para mim. Eu sei o que posso fazer, se não, não estaria aqui para ajudar a melhorar a situação. Não estou com medo e não estou precisando estar aqui. Minha vida era muito boa, tinha tudo, mas eu gosto de desafios. É um desafio maravilhoso — disse o treinador.
Em relação ao futebol brasileiro, Seedorf reconheceu que ainda precisará aprofundar seu conhecimento sobre os adversários do Corinthians na sequência do Campeonato Brasileiro , mas demonstrou confiança na estrutura de análise do clube. O treinador destacou sua experiência internacional e afirmou que pretende utilizar o trabalho dos profissionais da comissão técnica para acelerar a preparação da equipe.
— Deixa eu contar um pouco como eu trabalho... Quando eu jogava, muitas vezes eu não sabia contra quem jogava no mesmo dia. A minha mentalidade era saber o que fazer com o meu time. Como jogador era uma coisa, agora como treinador é diferente. Hoje em dia o treinador não precisa ver praticamente nada para saber sobre o adversário, tem muita gente boa para trabalhar aqui. Vamos ter tempo para analisar o adversário, o futebol é um esporte universal. Eu joguei em vários clubes do mundo e no final a bola é redonda e 11 jogadores contra 11. Joguei futebol 40 anos da minha vida, conheço futebol e não preciso de muito tempo para conhecer os jogadores que vamos enfrentar. Vamos respeitar todos — comentou.
— Quero ressaltar a importância das pessoas que trabalham dentro do clube fazendo análises. Os treinadores do mundo hoje não tem tempo de fazer tudo sozinho. Aqui eu já vi um time maravilhoso e competente. Estou pouco preocupado com essa parte. Vou me adaptar rápido com essas pessoas que estão motivadas em trabalhar — finalizou.
Aos 50 anos, o neerlandês chega ao Timão após passagens por Milan , Shenzhen FC , Deportivo La Coruña e pela seleção de Camarões . Ao longo da carreira como treinador, acumulou 63 partidas, com 20 vitórias, 17 empates e 26 derrotas, o que representa um aproveitamento de 40,7%. Suas equipes marcaram 70 gols, sofreram 84 e terminaram 19 jogos sem serem vazadas.
O último trabalho de Seedorf como treinador foi em 2019, quando comandou a seleção de Camarões . Após deixar o cargo, o neerlandês passou a atuar nos Países Baixos como conselheiro, trabalhando ao lado de Nigel de Jong , diretor de seleções da Federação Holandesa de Futebol .
Agora, após mais de sete anos sem comandar uma equipe, Seedorf retorna à função com o desafio de recuperar o desempenho do Corinthians e evitar o rebaixamento à segunda divisão nacional.
— A pergunta é sempre sobre ler os números. Quando a gente faz testes físicos, aí saem vários dados. Mas se não sabe ler os dados você faz o planejamento errado. Se pensar quanto ganhou ou perdeu não é justo. Meu primeiro trabalho foi de ser jogador do Botafogo e na sequência fui técnico do Milan — explicou.
— O Milan estava nas últimas posições e eu fui terceiro na retomada do campeonato. De quarto último a sétimo lugar. Ninguém fala sobre isso? Isso significa que sou um grande treinador ou uma grande história? Não. Mas tem que ter boas oportunidades boas para mostrar quem você é como treinador — concluiu.