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VivaBem O que a ciência descobriu sobre cérebro de torcedores fanáticos de futebol Colaboração para VivaBem 19/05/2026 17h39 Deixe seu comentário Thiago Lima, torcedor brasileiro que viralizou durante comemoração na Copa de 2014 Imagem: Reprodução A paixão pelo futebol vai muito além do entretenimento. Estudos científicos recentes mostram que a ligação entre torcedores e seus clubes pode ativar áreas do cérebro relacionadas ao apego emocional, ao sentimento de pertencimento e até à formação de vínculos parecidos com os familiares. Futebol ativa áreas emocionais do cérebro Três pesquisas lideradas pelo neurocientista brasileiro Tiago Bortolini indicam que torcer para um time mexe diretamente com mecanismos ligados à identidade social. Segundo os cientistas que participaram dos estudos, isso ajuda a explicar tanto atitudes de solidariedade entre torcedores quanto episódios de violência nas arquibancadas. No primeiro dos estudos, publicado em 2017 na revista científica "Scientific Reports", os pesquisadores analisaram como torcedores reagiam ao ajudar outras pessoas. O resultado mostrou que participantes se sentiam mais motivados a beneficiar alguém que torcia para o mesmo clube. Juca Kfouri Cruzeiro não se intimidou e trouxe ponto da Bombonera Josias de Souza Regime conta-gotas de Flávio é tática desastrosa Casagrande Nosso futebol vive eterno 'Dia da Marmota' Luiz Henrique Matos Você talvez não seja capaz de domesticar algoritmos Para o experimento, os pesquisadores reuniram 27 torcedores de Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense, todos do Rio de Janeiro, cidade onde o estudo foi conduzido. Os participantes passaram por um teste em que podiam ganhar dinheiro para si próprios, para torcedores do mesmo clube ou para pessoas sem ligação com times de futebol. Para aumentar o valor obtido, eles precisavam apertar um dispositivo com força: quanto maior o esforço aplicado, maior era a recompensa. Os exames apontaram atividade em regiões cerebrais ligadas à recompensa emocional e ao apego afetivo. De acordo com Bortolini, a relação entre torcedor e clube pode ser muito profunda. Torcedores de futebol compõem o que chamamos de grupos naturais, que possuem enorme engajamento na vida real e fornecem uma oportunidade única de estudar uma característica universal de humanos, que é o pertencimento de grupo Tiago Bortolini, um dos idealizadores do estudo, em nota do Instituto D'Or de Pesquisa Na prática, os testes mostraram que muitos participantes aceitavam fazer mais esforço físico quando a recompensa seria destinada a torcedores do mesmo time. Morador do Complexo da Penha após vitória do Flamengo sobre o Palmeiras, na Libertadores Imagem: 29.nov.25 - Luís Adorno/UOL Quando a paixão vira conflito Outro estudo, publicado em 2018 na revista "Evolution and Human Behavior", investigou casos de violência envolvendo torcedores brasileiros. Os pesquisadores concluíram que parte desses comportamentos pode estar ligada ao conceito chamado "fusão de identidade". Isso acontece quando a pessoa passa a enxergar o grupo como uma extensão dela mesma. Continua após a publicidade Relacionadas Ela nasceu com o coração do lado direito - e ele bate pelo Corinthians O que é lesão 'grau 4', que tirou o atacante Estêvão da Copa Neoplasia cervical: como é a condição que tirou Luís Roberto da Copa Nessa situação, ataques ao clube ou à torcida podem ser interpretados como ofensas pessoais. Para os cientistas, isso ajuda a explicar reações agressivas em rivalidades esportivas. Segundo os pesquisadores, em casos de forte identificação coletiva, muitos torcedores passam a sentir que eles e a torcida "são um só", o que ajuda a explicar tanto atitudes solidárias quanto comportamentos violentos. Torcida organizada Independente Imagem: Pedro Zacchi/Ag.Paulistão Arquibancadas fortalecem sensação de união Uma pesquisa mais recente, publicada em 2025 , analisou como os comportamentos coletivos nas arquibancadas influenciam os torcedores. Também liderada por Tiago Bortolini, a análise contou com a participação de cientistas da Universidade de Greenwich, Universidade de Oxford e Universidade Autônoma de Madrid-Cajal. Cantar, pular e vibrar juntos aumenta a sensação de união e fortalece a percepção de grupo, segundo os cientistas. O estudo aponta que a sincronia entre os torcedores cria uma conexão emocional compartilhada. Para os pesquisadores, os estádios funcionam como uma espécie de laboratório social. Eles ajudam a entender como grupos humanos criam vínculos, fortalecem alianças e também entram em conflito. Continua após a publicidade Newsletter Dicas práticas de alimentação e hábitos para você ter uma vida mais saudável. Toda quarta-feira Informe seu email Quero receber Torcer vai muito além do futebol: estudos mostram que a paixão pelo clube ativa no cérebro sentimentos de pertencimento, apego e identidade coletiva. Imagem: Pixabay Futebol vai além do resultado em campo. Os cientistas afirmam que grandes momentos do esporte, como finais, títulos e jogos históricos, podem reforçar laços emocionais duradouros entre as pessoas. Nesse cenário, o futebol deixa de ser apenas lazer. Para os pesquisadores, torcer também está ligado a uma necessidade humana básica: a vontade de fazer parte de algo maior. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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