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Arena da Amazônia sem futebol: gramado ruim tira mais um jogo e expõe mudança em Manaus No domingo (14), completam-se exatos 12 anos desde que Manaus entrou oficialmente no mapa do futebol mundial. Inglaterra e Itália fizeram o primeiro jogo de Copa do Mundo na Arena da Amazônia, estádio construído especialmente para o Mundial de 2014 e apresentado como símbolo de um novo momento para o esporte na região. Agora, o cenário é outro. Da Copa a palco de shows: como a Arena da Amazônia deixou de ser a casa do futebol amazonense No momento em que o mundo volta a respirar Copa do Mundo com a abertura do torneio em México, Estados Unidos e Canadá, a Arena da Amazônia vive uma realidade distante da projetada quando foi inaugurada: mais uma vez, o futebol ficou sem espaço dentro da própria casa. 1 de 5 Arena da Amazônia com o gramado ruim — Foto: Reprodução Arena da Amazônia com o gramado ruim — Foto: Reprodução Nesta quinta-feira (11), a CBF transferiu a partida entre Nacional-AM e Monte Roraima, pela 10ª rodada da Série D, marcada para domingo, da Arena para o estádio Carlos Zamith. O motivo foi a situação do gramado. Imagens divulgadas nesta semana mostram o campo em recuperação, com extensas áreas amareladas, falhas na cobertura vegetal e aspecto incompatível com a realização de uma partida profissional. O episódio amplia uma discussão que já vinha ganhando força nos bastidores do futebol amazonense. 2 de 5 Jogo entre Nacional e Monte Roraima foi transferido da Arena da Amazônia para o Zamith — Foto: Reprodução Jogo entre Nacional e Monte Roraima foi transferido da Arena da Amazônia para o Zamith — Foto: Reprodução Mais um jogo fora da Arena A mudança acontece poucos dias após outro caso semelhante. A final da Copa Norte entre Nacional-AM e Paysandu também precisou deixar a Arena da Amazônia e foi disputada no Carlos Zamith depois de avaliação técnica apontar que o estádio não reunia condições para receber uma decisão regional. A sequência de transferências reforça um cenário que se repete nos últimos anos: o principal equipamento esportivo do estado passou a dividir protagonismo com shows, festivais e grandes eventos - e, em diferentes momentos, o futebol ficou em segundo plano. O contraste chama atenção porque aconteceu justamente no período em que o futebol amazonense mais cresceu. 3 de 5 Gramado da Arena da Amazônia deteriorado e estrutura para shows tiraram final da Copa Norte — Foto: Divulgação Gramado da Arena da Amazônia deteriorado e estrutura para shows tiraram final da Copa Norte — Foto: Divulgação Quando Manaus foi escolhida como sede da Copa de 2014, havia dúvidas sobre o futuro de um estádio que custou quase R$ 600 milhões em um estado com pouca presença nacional dentro de campo. Nos anos seguintes, o cenário mudou. Clubes locais, como Manaus e Amazonas, passaram a disputar competições nacionais com frequência, conquistaram acessos e criaram um novo hábito de público. 4 de 5 Final Série D entre Manaus x Brusque teve o recorde de público do estádio — Foto: Mauro Neto/Sejel Final Série D entre Manaus x Brusque teve o recorde de público do estádio — Foto: Mauro Neto/Sejel O maior público da história da Arena, inclusive, não aconteceu durante a Copa do Mundo. Em 2019, a final da Série D entre Manaus e Brusque reuniu 44.896 torcedores. Em 2023, o Amazonas colocou 44.509 pessoas no estádio diante do Botafogo-PB, pela Série C. Inglaterra e Itália fizeram o primeiro de quatro jogos da Copa do Mundo 2014 em Manaus Arena mudou de função Mesmo com o crescimento do futebol local, a Arena passou a operar cada vez mais como espaço multifuncional. Nos últimos anos, partidas deixaram o estádio por causa da agenda de eventos. Jogos do Manaus, decisões estaduais e confrontos nacionais precisaram ser levados para outros locais. Agora, porém, a situação mudou de natureza. Desta vez, não foi um show que tirou o futebol da Arena. Foi o estado do próprio gramado, que também pode ser em consequência de dois shows que tiveram antes da final da Copa Norte. 5 de 5 Arena da Amazônia recebeu shows nos últimos dias — Foto: g1 AM Arena da Amazônia recebeu shows nos últimos dias — Foto: g1 AM Estádio será liberado só daqui a 15 dias Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado do Desporto e Lazer (Sedel), responsável pela administração do estádio, informou que o campo passa por processo de revitalização. Segundo o órgão, foram realizados procedimentos técnicos de recuperação, incluindo replantio gramado e que terá condições de jogo daqui a 15 dias. Confira a íntegra da nota: O gramado da Arena da Amazônia encontra-se em processo de revitalização após a realização de evento. As atividades executadas contemplam procedimentos técnicos essenciais para a recuperação e manutenção da qualidade do campo. Como consequência natural desses procedimentos, ocorre um amarelecimento temporário do gramado, aspecto visual esperado durante a fase de recuperação vegetativa. Adicionalmente, foi realizado o replantio de aproximadamente 100 m² na região do gol norte, seguido pela aplicação de fertilizantes granulados e foliares, visando estimular o desenvolvimento radicular e acelerar a recomposição da cobertura vegetal. Neste período de transição climática, com a saída da estação chuvosa, é comum o surgimento de lagartas que se alimentam das folhas da grama, podendo reduzir temporariamente a velocidade de recuperação do gramado. Contudo, essa ocorrência é facilmente controlada por meio da aplicação de inseticidas biológicos, sem comprometer a saúde da cobertura vegetal. O gramado permanece saudável e dentro dos parâmetros técnicos de recuperação. A expectativa é que, em aproximadamente 15 dias, o campo esteja novamente apto para a realização de partidas.