Conteúdo Original
AB Esporte: torcida brasileira na expectativa e Central eliminado da Série D do Brasileiro O fim da Série D deixa no Central uma sensação que já se tornou conhecida demais para o torcedor alvinegro: a de um projeto que cria expectativa, mobiliza a cidade, mas termina antes de entregar o principal objetivo. A eliminação para o Ferroviário, na segunda fase, interrompeu o sonho do acesso e deixou a Patativa, mais uma vez, sem calendário nacional garantido para a próxima temporada. + Central perde para o Ferroviário e dá adeus à Série D do Campeonato Brasileiro 1 de 3
Central estreia camisa verde e amarela na Série D 2026 — Foto: J2 FotoEsportes / Gustavo Ramos Central estreia camisa verde e amarela na Série D 2026 — Foto: J2 FotoEsportes / Gustavo Ramos A queda não pode ser analisada apenas pelo recorte dos dois jogos contra o Ferroviário. Ela é consequência de uma temporada construída entre avanços estruturais no estádio, mas com respostas insuficientes dentro de campo. O Central investiu no Lacerdão, reformou o gramado, colocou lâmpadas de LED e tentou devolver ao clube um ambiente mais competitivo. Fora das quatro linhas, houve movimento. Dentro delas, o time não conseguiu acompanhar a expectativa criada. O planejamento tardio contribuiu para explicar o problema. A equipe começou a preparação depois de boa parte dos adversários e chegou à Série D com pouco lastro competitivo. Isso porque, o alvinegro havia sido rebaixado no Pernambucano de 2025 e não teve o estadual, no início do ano, nesta temporada. E na quarta divisão, uma competição mais curta em 2026, com menos jogos, a margem é reduzida para recuperação. O próprio treinador, Leandro Sena, reconheceu, ao longo da campanha, que o Central precisou competir em um grupo forte sem a rodagem ideal. Este problema então começou não agora, mas sim, ano passado. Contudo, a campanha na Série D de 2025 mascarou o que veio a ser o início da derrocada. Mas o atraso no planejamento não explica tudo. O Central também não conseguiu corrigir velhos erros. A equipe teve dificuldade para transformar volume em gols, oscilou demais dentro dos jogos e sofreu com falhas de concentração em momentos decisivos. Na primeira fase, somou 13 pontos em 10 partidas, uma campanha suficiente para avançar, mas longe de convencer. A classificação veio apenas na última rodada, com vitória sobre o Laguna e combinação de resultados. 2 de 3
Central e Maguary ficam no empate na Série D — Foto: Gustavo Ramos - J2 Fotografia Central e Maguary ficam no empate na Série D — Foto: Gustavo Ramos - J2 Fotografia O ataque foi um dos principais sintomas da irregularidade. Em alguns jogos, a Patativa criou, rondou a área e teve presença ofensiva, mas faltou precisão. Em outros, foi pouco agressiva. O jejum de gols na reta final da primeira fase aumentou a pressão e expôs a dificuldade do time em encontrar soluções com a bola rolando. Nem todas as peças corresponderam ao peso da camisa e à necessidade de decisão que a Série D exige. A chegada de reforços para o mata-mata também não mudou o destino da equipe. O Central tentou encorpar o elenco para a fase decisiva, mas a resposta foi insuficiente. Contra o Ferroviário, a Patativa até reagiu no jogo de ida, buscou o empate com Diego Viana no Lacerdão e levou a disputa aberta para Fortaleza. Na volta, porém, foi superada por 2 a 0 e viu o adversário confirmar a classificação. 3 de 3
Coletiva de imprensa de Leandro Sena após a vitória do Central sobre o Laguna na Série D — Foto: TV Asa Branca/Afiliada Rede Globo Coletiva de imprensa de Leandro Sena após a vitória do Central sobre o Laguna na Série D — Foto: TV Asa Branca/Afiliada Rede Globo A frustração é maior porque o clube sabia o que estava em jogo. Avançar mais uma fase não significava apenas seguir vivo na briga pelo acesso. Representava garantir calendário nacional para 2027, algo fundamental para orçamento, montagem de elenco, manutenção de projeto e fortalecimento institucional. Para um clube do tamanho do Central, ficar sem essa garantia é mais do que uma eliminação esportiva. É um freio no planejamento. É um freio na história gigantesca do clube. O ano, no entanto, ainda não acabou. A Patativa ainda terá pela frente o novo Campeonato Pernambucano unificado. A competição passa a ser a chance de reduzir danos, reconstruir confiança e buscar uma vaga que devolva calendário ao clube. Mas, para isso, a Patatuve precisará fazer mais do que trocar peças ou repetir discursos. A camisa alvinegra do Central segue grande. A torcida segue fiel. O desafio, mais uma vez, é fazer o futebol corresponder ao tamanho do clube.